sábado, 14 de julho de 2018

Volta ao Portugal de hoje, de ontem e de amanhã

À procura de povoamento

Escolas ficam deserta



Crónica de um despovoamento anunciado.
Carolina concluíra os seus estudos secundários e para prosseguir e, embora os pais não estivessem virados para continuarem a disponibilizar dinheiro para ela estudar, ela não queria ficar por ali.
Então, a solução era rumar à cidade e procurou um emprego para poder continuar os estudos universitários, pois achava que tinha capacidade para tirar um curso superior.
Assim fez, rumou à capital e não perdeu tempo a procurar emprego para depois dar início à carreira de estudante universitária.
Não lhe foi muito difícil conseguir um lugar na Função Publica, pois tinha aberto concurso e ainda não estava totalmente preenchido e na função publica tinha muito mais tempo para poder estudar.
Não perdeu tempo  iniciar os estudos universitários e mas, para completar a sua independência, porque um dos objetivos dela também era ser uma mulher independente em tudo, procurou e arranjou um apartamento próprio, mas o dinheiro já não dava para tanta coisa e teve que partilhar o apartamento com outra colega e assim tinha melhores condições para estudar e receber quem bem entendesse quando quisesse e durante o tempo que quisesse.
A vida citadina é muito exigente, convívios e namorados faziam parte da vida, a vida só se vive uma vez e não se podia desperdiçar o tempo.
Alguma relações a dois, embora de pouca duração, seguiam-se, quando terminasse o curso e tivesse a vida mais estabilizada, lá haveria de aparecer o homem da sua vida para formalizar casamento, pois também fazia parte dos planos de Carolina.
Numa das idas à terra natal, haveria de ter conhecimento que uma vizinha e sua amiga de infância, que eram da mesma idade, estavam com 30 anos, estava gravida para um terceiro filho. Carolina sentiu-se revoltada por uma mulher com 30 anos já estar gravida para um terceiro filho. Não demorou em iniciar conselhos à amiga para terminar com a gravidez. Para a amiga, era terrível tal situação, por razões de religião, de ilegalidade, familiares e também financeiras, tal coisa nem pensar e reagiu mal ao conselho e presença da Carolina, mas Carolina não desistiu, decide puxar dos seus conhecimentos universitários, Sociologia, e conseguiu secretamente convencer a amiga, que inventasse uma doença grave  e teria de ir a Lisboa fazer exames médicos com toda a urgência antes que a situação piorasse.
Alguns familiares da amiga nunca ficaram bem convencidos, sobretudo o marido, mas foram para Lisboa e clandestinamente fizeram o aborto, e a amiga regressa à terra com sinais de convalescencia dizendo que precisou de fazer uns tratamentos e lhe deram esse aspeto.
Carolina, já próxima dos 40, depois de ter passado por várias relações, encontrou o homem da sua vida, casaram, e o seu homem não era homem para ficar sem filhos, após várias tentativas de fertilização engravidou e nasceu o primeiro filho
O marido queria mais filhos, pois financeiramente não era problema, tinham rendimentos superiores e já tinham a vida estabilizada, mas depois de mais tentativas, nova gravidez, mas as primeiras oco grafias indicavam criança dificiente e lá vai a Carolina fazer o aborto ao estrangeiro, numas ferias para que ninguém desconfiasse, pois ela também não queria assumir que fazia abortos.
A amiga, não mais engravidou, dizia-se que ficou traumatizada, os 2 filhos: um filho e uma filha, um foi para o estrangeiro o outro migrou para o litoral.
A amiga de Carolina haveria de confidenciar um dia a alguém, que o que não deixaram nascer, seria o que ficaria na terra a dar continuidade à família..