quinta-feira, 22 de dezembro de 2022

Volta ao Portugal de hoje, de ontem e de amanhã - Tempos de Hoje

      



VOLTA AO PORTUGAL DE HOJE, DE ONTEM E DE AMANHÃ- TEMPOS DE HOJE

                 PAULA, acabava de completar 20 anos e concluiu o ensino secundário.

Filha de pais da classe media da sociedade fronteiriça, não sentiu grandes dificuldades desde a sua meninice, embora também não tivesse sido criada com muitos mimos, os pais com mais filhos, não tinha tempo para isso, mas gostavam de a ver ser e viver um pouco acima das outras da sua idade.

Pais que ainda ouviram falar das grandes dificuldades, avó de Paula, contava-lhes que quando ainda criança, em plena Guerra Civil de Espanha, se recordava de sua mãe estar a descascar as batatas à porta de casa e duas meninas que brincavam ali na rua , ao verem as cascatas das batatas sendo atiradas para um cesto para serem dadas aos animais, as meninas foram tirá-las do cesto e comê-las cruas.

 Era o tempo em que aqui bem perto em Espanha, os cereais eram retirados pelas autoridades aos agricultores logo assim que eram acabados de trilhar ou malhar nas Eiras, e seguiam para alimentar as tropas em combate por todo o país, deixando só para eles uma pequena parte que daria para todo o ano muito regradamente, até os tenadores (garfos) pagavam imposto.

Essa falta de mantimentos tornou-se extensiva a terras portuguesas perto da fronteira com Espanha, porque muitos portugueses aproveitavam uma situação para contrabandear produtos que vendiam em Espanha muito acima dos valores em Portugal.

Os pais de Paula já não viveram esse período, já apanharam o tempo do novo-riquismo, mas era-lhes lembrado pelos seus pais e eles já não queriam falar disso aos seus filhos, preferiam prendá-los ao novo-riquismo.

 Por isso, quando Paula disse que a prenda de ter concluído o ensino secundário depois de 10 anos de escola, a prenda que queria, era ir fazer uma viagem pela Europa, até nem gastava muito porque iria ficar alguns dias em casa de familiares que tinham emigrado para essas terras do centro da Europa.

Em França, Paula ficou em casa de familiares, e como diz a sabedoria popular: o hospede e o carneiro aos três dias toma cheiro, mas Paula não mostrava pressa em sair de casa  dos familiares que tiveram a disposição de a manter bem hospedada e alimentada já havia umas semanas, enquanto a ela pensava ficar por ali sem se preocupar, mas foi convidada a pensar quando pretendia terminar as férias.

 Paula, sentiu logo que já estaria a mais depois desse tempo todo com boa cama e boa mesa, mas não lhe apetecia vir embora já para Portugal, decidiu contactar outros familiares já mais afastados, que também quiseram ser simpáticos em recebê-la.

Paula partiu para lá, mas não deixou esquecido tudo o que tinha conhecido na sua primeira estadia. Tinha conhecido um fronteiriço das suas terras que já andava por ali há uns 10 anos, tinha partido quando tinha exatamente a idade que ela tinha nessa altura e do conhecimento entre os dois ficou uma amizade e até supostamente o princípio de um namoro.

Mesmo ainda em França, Paula recebia e telefonava para o seu amigo especial, os contactos telefónicos eram diários e por vezes várias por dia da parte de João, Paula ao princípio até desvalorizava a situação, era apenas para se divertir, mas depois foi também sentindo mais qualquer coisa por ele.

Paula, termina a sua passagem pelo centro da Europa e regressa a Portugal à sua casa paterna.

A viagem por terras centro-europeias deixou Paula fascinada, visto ao vivo é outra coisa, dizia ela, nada com o que se via nas televisões, mas começava a ser lembrada por seus pais, para ir procurar um emprego, a universidade até poderia ser quando já ganhasse para isso, como faziam outras, lembravam-lhe os pais.

Paula, começou a ficar mais preocupada com o namoro que tinha arranjado em França, do que procurar um trabalho para a sua independência, gastava mais tempo a escrever e enviar cartas para o seu amado em França, do que a procurar emprego.

Aos pais de Paula não lhes passava despercebida tal situação, mas não queriam intrometer-se muito na vida de namoros de Paula, já tinha completado 20 anos, já tinha condições próprias para procurar um bom emprego, se queria namorar que namorasse, que eles soubessem nunca tinha namorado a sério até essa idade, também estava na altura de pensar nessas coisas, só queriam que ela fosse orientando a sua vida.

João, o namorado, decide vir visitá-la a Portugal, mas sem os pais de Paula saberem, ela ia ao encontro de João em local onde não eram conhecidos  e não se ficavam por uns beijinhos no carro em locais onde toda a gente circulava, a pedido de João procuravam local mais íntimo e seguro, junto a um santuário, onde quem por ali fosse iria por bem e nunca iria reparar quem estava dentro de qualquer carro que por ali estava estacionado, de dia ou de noite, era um local sagrado e ninguém se lembraria de ir para ali fazer blasfémias ou pecados

Para não fazerem desconfiar tanto, Paula deslocava-se a pé porque o santuário ficava não muito longe da sua casa, para quem gostasse de caminhar fazia bem aquela distância a pé e quando lá chegava lá estava João à sua espera, todos estes encontros sempre de noite. João, chegou a vir de propósito e diretamente de França só para passar umas horas durante a noite com Paula dentro do carro nas traseiras do santuário debaixo da sombra das árvores da luz dos candeeiros, ele estava mesmo interessado em continuar com o namoro e para uma relação de facto sem grandes demoras.

Paula ficou pensativa, mas seus pais depois de saberem da situação não ficaram só pensativos, queriam saber toda a vida do pretendente à sua filha Paula.

João, conto-lhes a parte normal de um namoro normal, homem vivido, já sabia porque ponto haveria de começar e em que ponto deveria parar.

Paula até via ali, dois em um, com o casamento tinha também a possibilidade de ir para o centro da Europa e aí teria mais possibilidades de oferecer um bom emprego mais bem remunerado que não tinha em Portugal, mas os pais, não acreditaram bem na forma como João contou o seu passado e queriam saber mais sobre a vida de quem pretendia tirar-lhes a sua filha de casa.

Só passado mais algum tempo e com mais algumas viagens a Portugal e encontros noturnos no santuário, João se decidiu contar parte da verdade.

Já tinha sido casado uma vez e pretendia viver novamente mas numa relação de fato, situação que sempre escondeu a Paula e inicialmente também aos pais, só assim que os pais de Paula foram determinantes com ele, não teve se não contar a parte da verdade que seria impossível esconder, se queria continuar com Paula.

Os pais de Paula mais uma vez foram determinantes, o namoro terminaria ali, não era esse homem que desejavam para o marido de sua filha.

Paula, a primeira reação à decisão dos pais foi desobedece-lhes, mas, embora socialmente fosse já uma mulher independente e com capacidade jurídica para decidir por ela própria, faltava-lhe a independência económica e financeira e, pensou em ser mais comedida com as exigências dos seus pais, mas ainda não sabia do que estaria para saber mais à frente.

 Paula acaba por saber que já estava grávida.

João, no meio daquela tempestade que ele próprio provocou, ainda era o mais calmo, sabia que já teria as armas de que precisava para ganhar aquela guerra entre as três partes.

Já desconfiado do que se viria a confirmar, deixou passar o tempo necessário até que se confirmasse a gravidez de Paula.

Confirmada a gravidez de Paula, os maiores confrontos estavam agora entre Paula e os pais.

Enquanto os pais de Paula baralhados e confusos sem saber ao certo o que fazer, Paula também sofria do momento estranho e inesperado em que foi apanhada na sua vida, não era isto nem nada que se parecesse do que estava nos seus planos de início de vida , mas agora já estava nesta situação, também não tinha preparação e vivência de vida independente para resolver essas questões, andava um pouco ao sabor dos ventos, das opiniões dos seus pais e de João. Apetecia-lhe casar quanto mais depressa melhor.

Começou a pressionar João, mas João como ainda não lhe tinha contado toda a verdade, ia tentado empatar a situação sem saber bem que resposta deveria dar a Paula.

Paula ainda estava mais confusa, tal confusão misturada com a preocupação da primeira gravidez, Paula passou por momentos muito difíceis e decidiu jogar as cartas todas contra João.

João, aí foi obrigado a contar a Paula toda a verdade que ele tinha andado a ocultar até aí.

Ainda tinha o divórcio litigioso em Tribunal e não saberia quando poderia se casar legalmente, a ainda mulher dele não estava decidida a facilitar-lhe a vida nesse sentido, poderia era iniciar uma relação de fato.

Paula, entrava numa nova situação que nunca teria imaginado, mas muito menos saberia como sair de tal situação, sabia que seus pais nunca aceitariam que ela fosse iniciar uma relação de fato e com um homem casado.

 A situação de gravidez de Paula em que se encontrava pressionava-a fortemente, apetecia-lhe ir viver maritalmente com João, mas teria os pais totalmente opostos a essa sua decisão.

O divórcio de João marcava passo e sem fim à vista, mas João deixou de vir a Portugal só por causas de Paula, embora não deixasse de a contactar regularmente e sempre com promessas de que assumiria a paternidade do filho em companhia da mãe, mas só quando o divórcio com a sua primeira mulher estivesse encerrado definitivamente, que poderia durar anos.

Paula vivia a expensas dos pais, e agora grávida tinha muito menos condições para procurar emprego e para a sua independência económica e financeira.

Foram longos e penosos os dias que Paula teve de esperar pelo fim do divórcio de João, para os dois em comunhão de mesa e habitação poderem começar a criar o seu rebento.

 

 

 

 




 

terça-feira, 6 de setembro de 2022

Volta ao Portugal de hoje, de ontem e de amanhã







 


VOLTA AO PORTUGAL DE HOJE, DE ONTEM E DE AMANHÃ: - Anos 50 e 60 do sec. XX, Portugal vivia e passava por um tempo de grande agitação e transformação. Junto às fronteiras, as populações tentavam esgueirar-se à procura de melhor vida. Nas suas terras e trabalhos agrícolas, os homens ganhavam entre 15 a 20 escudos por dia e quase de sol a sol, as mulheres de dez de 10 a quinze escudos. As mulheres ganhavam menos porque não subiam às arvores, apanha de azeitona e outras situações parecidas e também ao fim do dia iam mais cedo para casa para atender assuntos domésticos, enquanto os homens ficavam até mais tarde para carregar e descarregar o produto apanhado, nos carros dos animais e/ou nos tratores agrícolas. Com a construção de muitas barragens por todo o país, iam chamando por muitos homens para a sua construção, começavam logo a ganhar acima de 30 escudos diários, na agricultura começou a faltar mão de obra. Mas para compor melhor a situação, os homens à medida que as barragens iam terminando, tinham desenvolvido os seus conhecimentos porque tinham trabalhado alguns anos com horários de trabalho entre 8 e 10 horas diárias e sobrava-lhes tempo para verem televisão no Café e conversarem com outros que tinham vindo de outras regiões do país e assim iam alargando os seus conhecimentos, muitos deles já não queriam voltar ao passado, a Europa do centro, com a sua falta de mão de obra chamava por eles.

No litoral do país e interior Norte centro, não era bem assim, as indústrias aumentavam de dia para dia, trabalho e empregos não faltavam, as famílias numerosas não perdiam tempo a empregar os filhos e filhas assim que atingiam os 14 anos, em alguns casos até começavam logo a seguir ter terminado a escola primaria, porque os alunos que terminavam a escola primária e seguiam para o ensino secundário era uma percentagem muito baixa, dependia da região do país e o acesso que tinham ao ensino secundário e, para o universitário ainda era mais reduzidíssimo. Assim, numa boa parte do país, não faltava onde começar a trabalhar, mas em outra parte do país, interior profundo junto às fronteiras a solução era emigrar nem que fosse clandestinamente, porque o regime governamental dificultava a obtenção de documentos de identidade que lhes permitisse emigrar legalmente.

A larga maioria da juventude masculina, a partir de 1961 passou a terem de ir à guerra do ultramar em comissão de 2 anos, já na década de 70 quando a comissão no ultramar estava a chegar ao fim, era vê-los todos a pensar na vida pós passagem à disponibilidade. Os naturais das regiões onde o país estava em franco desenvolvimento, já quase todos sabiam para onde iam trabalhar e tinham quase garantido o lugar à sua espera. O Santos (nomes fictícios), dizia que terminava a comissão como comandante de secção, com 8 ou 9 homens (furriel miliciano) e já tinha sido informado que tinha um lugar à sua espera na fabrica onde trabalhava a sua mulher, para chefiar uma secção também com o mesmo numero de pessoas, mas aqui eram quase só mulheres e algumas delas tinham os maridos a cumprir serviço militar no ultramar, porque muitos casavam à pressa antes de serem mobilizados para o ultramar para que as suas mulheres ficassem a receber subsídio enquanto os maridos estavam no ultramar. Mas os que eram de regiões mais do interior e fronteiriças, era ouvi-los dizer para que país poderiam emigrar assim que chegassem à sua terra. Eu próprio, acabado de regressar, sentava-me numa esplanada perto da fronteira acompanhado de uma pessoa conhecida e influente da zona, a gerente do café restaurante veio logo atender-nos e como não me conhecia, falou numa linguagem que eu não percebi nada, para o meu acompanhante, ele respondeu que eu não estaria interessado, ela disse: Tem estudos é! Tratava-se de uma angariadora de emigrantes clandestinos e que ganharia a sua comissão.

Isso não impediu que algum tempo mais tarde, tudo documentado e dentro da legalidade, eu apanhasse um avião e ir para outras terras, onde trabalhei, estudei e até ensinei.

Passados alguns anos, Circulava eu numa rua em Paris, vi duas mulheres dos seus 40 anos de idade a arrastar caixotes do lixo e falando em português bem à maneira da sua aldeia, dei-lhes um Bom Dia em bom som e com cara sorridente de as querer cumprimentar, viraram-se de repente, olharam-me e rapidamente entraram em dialogo comigo, interrompiam-se uma à outra e as duas queriam falar, tivemos um bom dialogo incluindo com quem me acompanhava, mas uma não deixou de me dizer que a vinda do marido dela, José (nome fictício) para França tinha sido muito difícil e penosa.

Na primeira tentativa fora borlado, o passador foi a casa buscá-lo durante a noite, a passagem custava 5 contos (5.000 escudos) que na época, inícios da década de sessenta era uma fortuna e muito difícil de conseguir para gente da sua classe, entregou-lhe os 5 contos ao passador, este mandou-o que se despedisse da família para um ou dois anos, que depois já poderia vir legalmente a Portugal e se quisesse poderia levar a família consigo em viagem normal. De seguida disse-lhe que o seguisse, seriam cerca de 3 horas a caminhar bem até à fronteira, só com a roupa que tinha vestida, era para não fazer desconfiar os guardas, portugueses e espanhóis ao atravessar a fronteira raia seca (fronteira terrestre) do outro lado tinham à espera uma viatura já com mais elementos e que os levaria até França. Partiram, depois de já terem caminhado cerca de duas horas e perto da fronteira o passador começou a acelerar o passo, José já não conhecia bem esses caminhos e noite escura ainda pior e acabou por não conseguir acompanhar o passador e perdeu-o de vista e nunca mais o viu. Regressou a sua casa, à mulher e dois filhos, mas sem os 5.000 escudos.

Não era fácil arranjar mais 5.000 escudos para tentar novamente, empenhou um dos seus mais estimados bens que tinham na família para tentar novamente, mas desta vez tiveram mais cudado, falando com quem já tinha emigrado nas mesmas condições, mas sempre jogando à defesa.

Depois de uma viagem muito penosa, conseguiu chegar a França, passados 3 anos mandou ir a mulher e os dois filhos, juntando no futuro mais uma que nascera lá em França.

Também me contou que muitos foram enganados e burlados, na Aldeia de nome França que fica no Parque de Montesinho junto à fronteira com Espanha, região de Bragança. Recebiam os candidatos à emigração clandestina em qualquer ponto do país, metiam-nos em camionetas próprias para transporte de gado, todas fechadas, andavam a noite inteira às voltas por estradas desconhecidas e próximo do romper do dia largavam-nos junto à placa na estrada que dizia França e mandavam-nos atravessar a localidade ainda de noite, que quando estivessem do outro lado da localidade estavam em França. Foi assim que também muitos ficaram sem os 5 contos e tiveram de dar mais outros 5 contos para fazerem essa viagem tão penosa.

As duas mulheres, diziam-me: agora já temos uma boa Conta no Banco aqui e em Portugal, já podemos ir todos os anos à nossa terra a Portugal com um bom carro, que é alugado para essa viagem, mas todos os anos levamos um diferente.

Meados da década de 90 estacionava eu o meu carro numa área de serviço numa autoestrada no centro da Europa, dois trabalhadores que plantavam rosas num canteiro, dirigiram-se a mim na língua local a perguntar se eu era português, porque por aquelas bandas não se viam muitas matrículas portuguesas, disse-lhes que sim e podiam falar à vontade em português. Quiseram-me contar toda a sua aventura e a vida de um imigrante por aquelas terras. Um disse: eu agora até podia ser um bom GNR em Portugal (teria sido um dos seus sonhos desde criança) e continuou, disse-me que em 1963, tinha ido à inspeção e tinha ficado aprovado para todo o serviço militar, mas depois alguém lhe deu a volta à cabeça (palavras dele) para fugir à tropa, emigrou clandestinamente mas depois à medida que o tempo ia passando ia tendo ideias que talvez não tivesse tomado a melhor opção, não podia voltar a Portugal, queria casar na terra com a namorada que tinha deixado lá e não podia, teve que casar à distancia e manda-la vir e só passados 10 anos é que pode voltar à terra matar saudades da família e alguns já tinham entretanto falecido.

Como eu era bastante mais novo que ele, perguntou-me se eu ainda tinha apanhado a ida ao Ultramar (reparei no pormenor de ele nunca ter utilizado a palavra - guerra) disse-lhe que sim, que tinha estado numa das zonas consideradas mais afetadas pela guerrilha em Angola, enfrentámos muitas vezes o inimigo, construímos pontes e estradas em Angola, salvávamos muitas populações dos riscos que corriam. Regressámos com menos um homem na Companhia dos que tínhamos partido, esse morreu de acidente auto extra-tropa e por culpa própria e, infelizmente um veio sem uma perna pelo rebentamento de uma mina. Ele disse, cada vez tenho mais pena de não ter cumprido uma missão dessas que eu gosto, ajudar quem precisa.

Contei-lhe que a mim, sete dias depois de eu ter assentado praça, me telefonaram da terra a dizer que alguém estava lá vindo de França para me levar para França e eu fugir à tropa, mas eu respondi-lhe que não estava interessado. Curiosamente, esse individuo tinha sido dos primeiros a ser mobilizado para o ultramar em 1961, foi ao ultramar, regressou e emigrou normalmente e legalmente, mas infelizmente vaio a falecer por acidente passados uns anos em França.

O meu interlocutor, disse-me que depois de ter fugido à tropa, no local de trabalho se encontrou com alguns portugueses que tinham ido ao Ultramar em comissão, regressaram, emigraram legalmente e vinham à terra quando lhes apetecia e podiam. E, ainda para mais, lhe tinham dito que no ano em que ele seria chamado, com os estudos que tinha, 2º ciclo dos liceus incompleto, ainda teria ido para o CSM (curso de sargentos milicianos) e no final da tropa teria todas as possibilidades de arranjar uma boa colocação na Função Publica em Portugal.

Assim agora, (palavras dele) vivia a trabalhar a vida inteira para num país que não era o seu, gostava muito da sua terra e das suas gentes, os filhos que tinha nasceram e criaram-se em França, cada dia que passava mostravam menos interesse pela terra dos pais, atormentava-o a ideia de, quando se reformasse, ter de optar viver em Portugal na sua terra onde se sentia com orgulho e se estimavam todos os habitantes, ou continuar na terra que só trabalhou em serviços menores, sempre olhado pelos naturais dessas terras de cima para baixo como sendo pessoas inferiores, para poder estar por perto dos seus filhos.

Américo Martins

 

Americo
Américo 















domingo, 21 de agosto de 2022

Volta ao Portugal de hoje, de ontem e de amanhã

Grandes obras no país
Momentos na Universidade


 





VOLTA AO PORTUGAL DE HOJE, DE ONTEM E DE AMANHà

Alberto nasceu numa aldeia no interior do país. Seus pais, comerciantes e agricultores nunca lhe faltaram com nada, mas também não o deixavam passar o tempo de uma forma inútil, assim como a todos os seus irmãos e irmãs, se não houvesse nada para fazer, desde tratar dos animais ou ajudar na loja, podiam ir brincar  na rua com os outros, mas desde que houvesse alguma coisa para fazer, primeiro estavam as obrigações e depois a devoções.

Cedo demonstrou que era bom aluno e o seu objetivo e de seus pais era assim que terminasse a primária ir para a cidade estudar e assim aconteceu. Nas primeiras viagens de fim e princípio de férias viajou acompanhado, mas depois teve que se habituar a viajar sozinho e como o percurso era sempre o mesmo, começou a conhecer os locais quase de cor e salteados, apercebia-se sempre havia alterações nas paisagens.

Ultimas décadas do sec. XX, rompiam-se grandes encostas para construir grandes pontes, viadutos, vias de comunicação e áreas cobertas de produção industrial e comercial, à medida que Alberto ia crescendo ia-se apercebendo que o seu país estava numa grande transformação, começava a sentir orgulho do seu país, mas também à medida que ia crescendo, estudando mais e tendo mais conhecimentos, ia também tendo conhecimentos de outros países através dos seus estudos, engenharia que concluiria a licenciatura e cada vez ambicionava mais ir conhecer esses países pessoalmente, estava nos seus planos, assim que concluísse os estudos daria uma volta de um ou dois anos por outros países para conhecer in-loc o progresso desses países.

Algum tempo antes de concluir o seu curso, Alberto havia de conhecer a mulher que viria ser a mulher da sua vida, também estudante universitária, mas de outra área, não mais pararam de namorar, concluíram os respetivos cursos ao mesmo tempo e também a sua namorada ambicionava conhecer mundo antes de se fixar no seu país para constituir família.

Concluídos os cursos, partiram em aventura dispostos a andar pelo estrangeiro quase sem destino, Alberto tinha lido que Jean Monnet, pai da preparação da União da Europa, dizia para os filhos, que quando viajassem, dessem atenção a tudo quanto se passava em seu redor, porque poderiam ser acontecimentos importantes que nunca mais teriam oportunidade de presenciar. Alberto e a namorada não eram filhos de pais ricos que os pudessem abonar nas suas despesas, por isso, uma das suas principais preocupações assim que partiram foi pensar como poderiam ganhar dinheiro para fazer face às suas despesas. Não se preocupavam muito em arranjar trabalhos sempre a condizer com as suas especializações, o que interessava era ganhar o suficiente para fazerem face às suas despesas do dia-a-dia vivendo bem e também fazendo alguma especialização da área de cada um sempre que se lhes deparava a oportunidade, pois sabiam que o mundo e a sociedade estava a evoluir em passos largos e quem não acompanhasse essa evolução ficaria para trás irremediavelmente.

Depois de terem passado por países que mais lhe interessava e terem estado no estrangeiro mais tempo do que pensavam, regressar ao seu Portugal era o objetivo seguinte, porque foi este país que lhes tinha dado a oportunidade de se formarem, que investiu neles e seria então que eles queriam investir no seu país e devolver os investimentos públicos que o seu país tinha feito neles.

Os 4 anos que passaram pelo estrangeiro não se ficando só por um continente, mais tempo do que pensavam quando partiram,  a vida até nem lhes correu mal, claro que souberam investir o tempo e não o desperdiçando, mas regressaram com algumas especializações que cá não poderiam ter feito e ainda algum dinheiro para começarem a vida na sua terra.

Sendo jovens amadurecidos, dedicados e conhecedores, não lhes foi difícil arranjar colocação a condizer logo de seguida, havia finalista dos seus cursos que ficavam admirados que Alberto e sua mulher porque, entretanto, tinham casado, tivessem arranjado boa colocação logo que regressaram do estrangeiro, porque estes não tinham nada a ver com aqueles que terminavam o curso e ficavam à espera que a boa colocação lhes fosse bater à porta.

Do casamento vieram filhos, o casal não tinha dúvidas de que iria dar uma criação e formação aos seus filhos idêntica à que eles tiveram, incluído assim que terminassem o curso, partissem algum tempo pelo estrangeiro para conhecer o mundo e adquirir conhecimentos que no país onde nascemos e somos criados não se adquirem, mas à medida que os anos iam passando, Alberto e a mulher, viam que o seu país não estava a seguir os caminhos que eles pensaram anos antes, viam que aquele país de grande futuro que eles viram quando eram jovens não apareceu.

Para eles, já não era o mais importante porque eles já tinham uma parte da vida andada e também alguma riqueza acumulada que lhes daria para fazerem face a um futuro menos risonho, mas o que os estava a preocupar mais, eram os seus três filhos, dois rapazes e uma rapariga que já nasceram neste seculo XXI e teriam menos esperanças e hipóteses de futuro que tiveram eles. Terminar os cursos e ir dar uma volta pelo estrangeiro já não era ambição, já não era projeto para o futuro, porque o futuro que se vislumbrava agora já era outro, prepararam os filhos não para terminar os cursos e ir dar uma volta pelo estrangeiro adquirir conhecimentos para regressar ao seu país para se fixarem e construírem o seu país já não era pensar no futuro,  mas sim, terminar o curso a pensar partir par o estrangeiro e se possível definitivamente, porque o seu país não evoluiu no sentido que tinham imaginado e,  ficarem no seu país que investiu em universidades para que os seus estudantes pudessem vir a ser dos melhores técnicos do mundo, mas depois já como técnicos, os rendimentos do seu trabalho, 50 a 60% ou mais, ficava-lhes nos descontos e teriam de andar a trabalhar para impostos. Assim sendo, Alberto, com muita pena, vê os seus filhos não poderem fazer o mesmo trajeto que ele e sua mulher fizeram. O peso de consciência de devolverem ao erário publico o que gastaram nas universidades vindo do imposto dos cidadãos que trabalham, muitos sem horários de trabalho e/ou de sol a sol e que depois de 40, 50, anos de trabalho, vão ficando com reformas reduzidíssimas esperando pela morte, não pode ser um país de futuro.  Também isso deixou de pesar na sua consciência, porque também se sentem enganados, porque, perante o que aprenderam nos livros e das cátedras, o país que lhe anunciaram e que era possível, não o encontraram depois de concluir o curso, não teriam de partir definidamente pelo mundo à procura de se fixarem e de dar cidadãos e cidadãs a outos países e a outras nações, porque alguma coisa estaria errado. Talvez lá do lado de fora, depois de conhecer outros mundos, consigam ver onde está o erro no seu país e talvez o consigam corrigir visto do lado de fora.

 

 

 

 


terça-feira, 2 de agosto de 2022

Volta ao Portugal de hoje, de ontem e de amanhã - o mundo de Benedito, o mundo que os portugueses criaram.

Terras de África

 Terras origem de Benedito
 



Terras de África


O MUNDO QUE OS PORTUGUESES CRIARAM.

Anos 30 do séc. XX, partiu do interior das Beiras, o jovem Benedito Mendonça (nome fictício) com destino ao mundo do futuro, África, Angola.

Em Luanda, Benedito olhava para uma cidade estranha para ele. Passou por Lisboa onde permaneceu alguns dias e teve a oportunidade de  ver ruas compridas com prédios altos e baixos, mas os mais baixos até lhe faziam lembrar aqueles que costumava ver lá pelas suas terras e que pertenciam às famílias mais abastadas e até às casas senhoriais, mas em Luanda era diferente, havia uns prédios já bastante altos, mas havia aqueles prédios de construção colonial que ele nunca tinha visto e faziam-lhe um pouco de confusão, mas como ele sendo um jovem em cima dos 20 anos e com um nível cultural muito acima da média, tinha sido seminarista e quando abandonou o seminário já se aproximava da ordenação sacerdotal, estudos superiores, que é como dizer em escolas publicas próximo da licenciatura.

Benedito, quando tomou a decisão de partir para África, já tinha falado com várias pessoas que lhe disseram que em África poderia estar o futuro dele, pois nas suas terras para a sua formação académica as hipóteses de um futuro promissor eram limitadas, porque os estudos sacerdotais não davam equivalência aos das escolas publicas, assim, tinha a sabedoria, mas não tinha os diplomas. Em África, disseram-lhe que ninguém ligaria a não ter os diplomas e depois de verem a sua sabedoria e cultura elevada teria lugares de funções superiores em qualquer Repartição Publica.

Agora em Luanda, sem perdas de tempo, tentava desmistificar o novo mundo que tinha pela frente, gentes caminhando de forma diferente das que deixou em Lisboa, em Luanda na zona baixa da cidade onde ficou na Pensão que começou por lhe fazer confusão não poder meter a cabeça para fora da janela porque estava vedada pela fina rede para impedir a entrada dos mosquitos, tentava adaptar-se ao clima quente húmido e abafado acima dos 30º graus, em comparação com o que tinha deixado nas suas terras temperaturas negativas durante a noite e de dia não passaria dos 10-15º graus, era o mês de Janeiro, agora nas ruas de Luanda caminhavam sem parar com o interesse de descobrir o mundo africano, gente branca quase mulata com a cor apanhada do tempo que tinham passado no mato, com alguns serviçais negros à mistura, mas à medida que se afastava da baixa da cidade e caminhava pelas longínquas ruas e avenidas sem fim, a população começava a ser brancos negros e mestiços, mas continuando, cada vez via menos brancos e toda a população passava a ser negros e mestiços.

Os dias de Luanda estavam a acabar para ele, a sua sabedoria e cultura literária elevada não lhe estavam a garantir colocação em Luanda e depois de trocar impressões com quem achava que o poderia aconselhar melhor, o seu destino seria ir procurar futuro mais para o interior, porque alguém lhe disse que em África o dinheiro estava no mato e, Benedito tinha partido para África à procura de fortuna e progresso na vida.

Já bem no interior de Angola, a mais de mil quilómetros de Luanda, fora-lhe oferecido o lugar de Capataz, as suas funções seria vigiar os trabalhadores da Fazenda para que não iludissem o trabalho passando parte do tempo sentados.

Benedito era uma pessoa pró-invertida, não tinha por hábito meter-se com as pessoas para conversar, preferia apreciá-las e se as pessoas se metessem com ele, também dava respostas de poucas palavras. Com os trabalhadores da Fazenda era muito diferente, ele nunca tinha lidado com população negra, não se apercebia que desde que chegou ali passou a ser analisado e observado atentamente por todos aqueles trabalhadores de uma forma que ele nem imaginava. A alta cultura que ele tinha trazido da sua terra, ali pouco lhe estava a valer, o seu patrão deu-lhe umas resumidas explicações e deixou-o que ele se desenvencilhasse, Benedito tinha sido atirado  mesmo ao mato, ou quase dizendo, às feras e, a partir de agora o seu futuro tudo dependeria de como se iria adaptar àquela nova situação tão estranha e totalmente inesperada para ele.

Como era uma pessoa de mente desenvolvida e com ginástica mental, com alguns tropeções e situações inultrapassáveis e embaraçosas quase no limite, conseguiu que aquelas várias centenas de trabalhadores rurais não lhe tivessem dado o mesmo destino que já tinham dado a outros, que não aguentaram e partiram para outra, Benedito consegui aguentar e passado alguns meses até já tinha trabalhadores amigos e até dispostos a defendê-lo em perigos que pudessem ocorrer.

Já estabilizado e reconhecido pelo patrão, vendo que de facto era de fibra, caso contrario não teria aguentado, passou a conversar mais com ele e divulgando-lhe alguns segredos de África, aqueles segredos que só depois de passar pelo difícil é que se tem acesso a eles, o patrão também ao ter conhecimento da cultura e conhecimentos literários que Benedito tinha passou a lidar e olhar para ele de outra forma, sabia que estava a lidar com quem tinha uma sabedoria literária muito superior à dele próprio e que poderia tirar benefícios disso e passaram a ajudar-se mutuamente, o patrão de nome Ramiro, passou também a dar responsabilidades de Gestão Financeira da Fazenda a Benedito  e  já pensava, futuramente talvez lhe oferecesse sociedade na empresa, pois estava a gostar seriamente da Gestão moderna que Benedito estava a introduzir na Empresa, que era aquilo que Ramiro já tinha pensado há muito tempo, só que ainda não tinha encontrado a pessoa certa.

A Fazenda era uma Sociedade Agrícola que movimentava muito capital, tinha muitos quilómetros de extensão territorial e com vários microclimas, produzia de quase tudo: de grandes plantações de café, óleo de palma, banana, algodão, milho, amendoim, sisal que produzida em grandes quantidades para exportação e muitos outros produtos em menor quantidade, mas tinha sobretudo criação de gado bovino e outros em milhares de cabeças.

Ramiro era um angolano nascido em Angola e já filho de angolanos de longas gerações, talvez dos primeiros a colonizar Angola, para ele Portugal era um país longínquo que não lhe dizia muito, para além da Administração portuguesa em Angola, que aspirava desde pequeno a tornarem uma Angola independente sem a interferência de Portugal.

Benedito caiu nas graças de Ramiro e decidiu oferte-lhe uma pequena Cota Capital na Sociedade, considerava que Benedito se adaptou e começou a zelar rapidamente pelos interesses da Sociedade Agrícola e que a iria modernizar, como Ramiro pensava.

Passados uns bons anos, até porque o tempo em África passa sem se dar por isso e Benedito já tinha batido os 30 anos e precisava de arranjar a sua cara-metade, mas achou que deveria ir à sua terra à procura de alguma daquelas que ele tinha deixado e que já olhavam para ele quando passava. Ramiro chamou-o à atenção que tinha terminado havia pouco tempo a guerra na Europa, 2ª guerra mundial, e que em angola também havia mulheres para se poder casar.

Olinda, jovem funcionária da Sociedade e filha de um dos sócios que aspirava a um bom casamento, já tinha mandado uma indireta a Benedito: os portugueses quando pensam casar preferem ir à terra buscar uma das da sua terra! Olinda, mestiça quase branca com cabelos alourados compridos e ondulados de cor natural, tinha 20 anos e em África uma jovem solteira aos 20 anos já está a passar do prazo para casar, Por isso andava pensando em Benedito que seria um bom casamento, culto, fisicamente atraente que dava nas vistas e já tinha a posição na Sociedade que tinha, seria um bom marido e pai de filhos para Olinda, mas Benedito trazia em mente aquelas que na sua terra olhavam para ele quando passava e era uma dessas que ele queria ir buscar para sua cara metade e mãe dos seus filhos.

Já em Portugal, das que ele se lembrava que olhavam para ele, já não viu nenhuma, todas tinham casado, até porque tinham passado mais de 10 anos, mas rápido mudou de ideias e começou a olhar para aquelas vintaneiras próximo dos trinta que também não tiveram pressa de casar à espera de um bom casamento.

Benedito tinha criado fama na sua terra que era um homem de sucesso em África, tinham corrido noticias em alguns jornais da terra, que Benedito era um dos grandes empresários em Angola e que tinha uma das maiores Sociedades Agrícolas de África, sendo ele o seu principal administrador, mas era apenas um pequeno socio capital.

Mesmo assim, não lhe faltavam interessadas, desde que ele tomasse a iniciativa e decidiu-se por um mais próximo da sua idade.

Florbela era uma funcionária publica com formação académica, que em África teria todas as probabilidades de ser imediatamente colocada na Repartição Publica da localidade da Sede da sociedade agrícola onde trabalhava Benedito, casaram e partiram para África, Já instalados no seu mundo africano, aconteceu o que ambos muito desejavam, Florbela ficou gravida e dali para afrente sempre que eram convidados para eventos sociais, que não lhe faltavam convites porque Benedito e Florbela faziam um casal raro que todos gostavam de ver nas suas festas, coisa que gentes de África gosta muito de fazer, faz parte da sua cultura, festas familiares alargadas a pessoas próximas, não raro convidarem bandas de musica para abrilhantar essas festas em salões alargados com cadeiras e mesas em redor para comodamente todos se poderem ver e divertir e dançar uns com os outros em ambiente familiar e, Benedito e Florbela davam nas vistas, casal elegante e bem apresentável e agora que Florbela já começava a mostrar uma barriguinha de grávida bem apresentável, então era o alvo das atenções e todos os queriam nas suas festas, já pertenciam à alta sociedade da Região.

O desejado rebento do casal Benedito e Florbela nasceu e tudo correu da melhor maneira. Agora os convites sociais aumentavam e o casal tentava não recusar nenhum convite, até porque estavam no princípio da vida e havia que granjear simpatias e até pelas funções profissionais que cada um desempenhava. Ele, a figura mais social e conhecido de uma das mais importantes empresas da região e ela já a exercer funções de responsabilidade na Administração Publica também da região.

Havia figuras publicas da região que eram sempre convidadas e estavam quase em todas essas festas sociais especiais, até pelas funções que exerciam e seria sempre bom telas do seu lado até por razões burocráticas de funcionalidade na administração publica.

Um, que era quase sempre convidado por todos e estava em todas essas festas desde que Benedito casou e começou a aparecer com a mulher, era o Chefe de Posto Administrativo da região da Fazenda de Benedito, este era sempre convidado, até porque ter boas relações institucionais com a autoridade administrativa do Estado na Região seria sempre vantajoso, particularmente por causa do movimentação dos trabalhadores da Fazenda que eram várias centenas em permanência e sazonalmente chegavam a ser aos milhares.

O chefe administrativo deste Posto era um mestiço trintão que vivia solteiro, embora tivesse as suas concubinas habituais, mas secretamente, porque ele ambicionava um bom casamento e com uma branca.

A sociedade agrícola tinha a Sede Social na Vila Sede de Concelho e Sede Administrativa na Fazenda e Benedito como administrador dividia o seu tempo de trabalho entre as duas Sedes, mas ele gostava de se deslocar com regularidade à Fazenda para ter mais conhecimento de perto de todo o movimento e envolvimento  da Fazenda. Sempre que lá ia gostava de passar pelo Posto Administrativo para cumprimentar o chefe, até porque já eram amigos frequentadores de algumas das mesmas festas e também a política de boas relações institucionais. Às vezes quando regressava a casa, a mulher contava-lhe com todos os pormenores que o Chefe de Posto tinha passado lá por casa para ir ver a bebé e que tinha gostado muito de a ver.

Estas idas do chefe de posto a casa de Benedito e Florbela eram bastante continuas e sempre quando Benedito não estava em casa e Florbela começou a desconfiar da situação, lembrando ao marido que estava a desconfiar daquelas visitas do chefe a sua casa, seria melhor que falasse com chefe de posto, poderia ser de uma forma diplomática dizendo que agradecia as visitas à sua bebé mas que seria melhor quando ele estava em casa porque a mãe e a filha quando estão só as duas precisavam de descansar, mas Benedito não deu importância e disse que seria uma coincidência, porque também era a hora de o Chefe ir à sede de Concelho tratar os seus assuntos burocráticos.

Mas a situação continuava e Florbela deixou de ter dúvidas de que o Chefe andaria com segunda intensão, ela própria disse ao chefe de posto que apreciava as suas visitas à bebé, mas quando estavam só as duas precisavam de descansar e que fosse por lá quando estava lá o marido que até servia para conversarem os dois um bocado e beberem uma bebida, mas o chefe continuou a ir por lá assiduamente e só quando o marido não estava em casa. Florbela voltou a falar sobre o assunto ao marido, mas desta vez Benedito já levou a sério e poderia na realidade o chefe andar com intensões estranhas, até porque já se tinham cruzado algumas vezes dentro da vila e ele não ia a casa ver a bebé quando estavam os dois pais em casa.

As visitas do chefe de Posto a casa dos beneditos para visitar a bebé continuava e numa visita o chefe de posto declarou-se a Florbela ajoelhando-se à sua frente implorando-lhe que a amava. Florbela focou estupefata e pediu-lhe que se retirasse rapidamente de sua casa, porque o marido estaria a chegar e poderia ter alguma reação que o Chefe não iria gostar. O chefe, melancolicamente retirou-se, mas disse-lhe que não iria desistir, pois estava loucamente apaixonado por ela.

Assim que Benedito chegou a casa, Florbela contou-lhe tudo e em pormenores e lembrou-lhe o que ela já lhe tinha dito dias antes.

Desta vez, Benedito não perdeu mais tempo e exímio como era a resolver à boa maneira portuguesa e beirã  da melhor forma e mais rápido os conflitos, disse a Florbela que no dia seguinte ele voltaria à Fazenda e passaria como de costume pelo Posto a cumprimentar o chefe, mas que iria regressar mais cedo e quando chegasse a casa resolveria o problema. Benedito já tinha chegado à conclusão de que quando ele passava pelo Posto a cumprimentar o Chefe, o Chefe partia imediatamente para a visita à bebé, mas a pensar na Florbela.

Benedito disse a Florbela que quando o Chefe começasse com a lengalenga da paixoneta por ela, o aguentasse atá ele chegar.

Benedito, de regresso da Fazenda passou pelo Posto Administrativo e os Sipaios (serviçais auxiliares e guarda-costas do Chefe) disseram-lhe que o Chefe tinha ido à Vila. Benedito não teve mais duvidas de que o ia apanhar em casa.

Benedito entrou o mais silenciosamente possível em sua casa, deparou-se com Florbela ao fundo da sala em pé e de braços cruzados, à entrada da sala junto ao sofá onde costumava sentar-se, estava o Chefe ajoelhado de mãos postas a implorar a Florbela que o aceitasse, que ele a amaria internamente.

Benedito trazia um bom pau verde que tinha cortado na mata, começa a dar-lhe pelas costas abaixo, o chefe vira-se de barriga para o ar de mãos postas, mas agora a pedir perdão a Benedito, mas Benedito  só parou de lhe dar por todo aquele corpo quando achou que já tinha a dose que precisava e merecia, de seguida mete-o no seu próprio Jipe de Benedito e leva-o ao Hospital, entregou-o e disse que o tinha encontrado naquele estado, que perguntassem a ao Chefe o que tinha acontecido.

De seguida, Benedito foi ao Posto Administrativo dizer aos Sipaios que tinha ido levar o Chefe ao Hospital e que fossem lá para ver o que ele precisava deles. Os sipaios deslocaram-se de imediato ao Hospital, mas o Chefe não lhes disse donde tinham vindo as negreiras que tinha por todo o corpo, disse-lhes que tinha sido numa brincadeira com uns amigos

Os médicos do Hospital não tiveram dúvidas de que as mazelas negras que tinha por todo o corpo das vergastadas, era consequência de uma monumental tareia, mas como também não sabiam de nada, trataram-no até lhe darem alta e mandaram-no embora.

Mais tarde os médicos vieram a saber quem deu a tareia monumental ao Chefe e por que motivo. Aplaudiram!...

Dali em diante, Benedito sempre que ia à Fazenda, continuava a passar pelo Posto a cumprimentar o chefe, mas ficou admirado, porque agora ainda Benedito não tinha descido do seu Jipe e já o chefe estava cá fora do Posto a fazer-lhe vénias, assim que Benedito lhe dirigiu um cumprimento rápido e partiu para a Fazenda, o Chefe mandou logo dois sipaios à Fazenda dizer ao senhor Doutor Bendito, que quando regressasse, passasse pelo Posto que o Chefe lhe queria transmitir uma informação muito importante. Pediu-lhe que não contasse a ninguém o que tinha acontecido e que estaria sempre ao seu dispor para tudo o que precisasse na Fazenda, mas que não deixasse de o ir cumprimentar quando ia à Fazenda, senão o Administrador Oficial da Região desconfiaria que se poderia ter passado alguma coisa e seria o seu fim se o Administrador viesse a saber do que se tinha passado.

Benedito, mesmo que o chefe não lhe tivesse pedido, continuaria a ir cumprimentá-lo nas suas idas á fazenda, até porque as boas relações institucionais eram muito importantes para a Fazenda. Mas agora, ainda Benedito não tinha saído do Jipe e já o Chefe estava à frente do Posto a cumprimentá-lo com uma vénia.

O chefe nunca mais apareceu numa festa onde Florbela estivesse presente e passou a tratar Benedito sempre por Senhor Doutor.

 

 


sábado, 2 de julho de 2022

Volta ao Portugal de hoje, de ontem e de amanhã - Aventura Africana - 3ª e ultima parte.

Praias de Luanda 1973

 Costa da Caparica


»» Continuação da cronica de 22-06-2022

Claro que já não era a mesma pessoa. Em pouco tempo, tinha ficado uma mulher madura. África torna as pessoas mais depressa maduras. Pensa-se mais. Tem-se mais tempo para pensar.

Neste caso de Isabel, para ela, era mesmo de pensar, mas não queria desanimar. Nunca deixou de acreditar no futuro.

Ninguém nem nada lhe poderia roubar o futuro que ela preparou e que achava que tinha o direito de viver.

Preparou-se logo de muito jovem com o apoio familiar e seguidamente ela própria deu continuidade a esse alicerce de um bom futuro. Por isso acreditava nele. Nesse tempo, os jovens acreditavam mais neles próprios e não estavam tanto à espera das ajudas externas.

Um bom curso já tinha conseguido. Uma boa colocação também a tinha conseguido mal acabou o curso.

Seguidamente, aspirava a um bom marido através de um bom namoro, para construir uma boa e saudável família completa, assim como dizia a sua cultura educação e formação.

Os conhecimentos para África, tinham-lhe dado uns sonhos que ela tinha alimentado para completar a sua felicidade.

Agora em África, alguns sonhos tinham-se realizado, mas outros tinham sido postos em causa.

Mas Isabel, continuava a acreditar que seria possível completar os seus sonhos de vida.

Isabel, continuava a acreditar fortemente no amor com um homem e era com Carlos que ela continuava a acreditar que poderia realizar o futuro que ambicionava.

Era uma mulher sensual, não dispensava os prazeres carnais, gostava do marido que tinha, mas o mistério que continuava entre os dois continuava a deixá-la pensativa.

Tentava moldá-lo a uma vida amorosa e digna à maneira dos dois e dos seus desejos. Queria ter filhos, mas feitos com amor mútuo. Confidenciou a alguém que desejava ter 5 filhos, queria uma casa cheia.

O dormirem todos nus na cama, só protegidos pela rede contra mosquitos, alimentava Isabel, sempre que cada ato sexual com amor, poderia ser o princípio do seu primeiro filho.

Desde o primeiro contacto amoroso sexual com Carlos, que Isabel se tinha habituado à condição própria. No amor carnal, era inexperiente e virgem.

Carlos era um homem que quando casou, depois de ter batido os trinta anos, já tinha tido relações com várias mulheres e mantido sempre uma mulher permanentemente disponível.

Era condição para um homem que vivia pelo sertão africano, não querendo correr os riscos de contágios de doenças venérea para quando viesse a casar, ter uma mulher nativa permanente e exclusiva só para ele, com a condição de ter de a sustentar à maneira dela.

Não viviam em comunhão de mesa e habitação, mas ela teria de estar em casa dela sempre disponível para ele, nem se mostrava à janela.

Carlos, mesmo com todos esses cuidados, não conseguiu evitar de apanhar essa doença venérea que se tornou em crónica.

Quando casou já a tinha e dito pelo médico que seria crónica, definitiva e possivelmente transmissível a descendentes.

Para não contagiar outra mulher com quem Carlos viesse a manter relações sexuais, estava bem aconselhado pelos médicos como proceder.

Essa forma, impedia-o de pretender ter filhos. Ele tinha optado por não querer ter descendentes por esse motivo.

Nos primeiros tempos de casados, Carlos não conseguiu ter coragem de esclarecer Isabel desta situação. Mas passado bastante tempo e depois de já não conseguir resistir à insistência de Isabel, acabou por confessar e esclarecer Isabel no que não conseguia esconder.

Agora, Isabel já sabia com que linhas se cosiam. Mas para ela, a medicina estava a evoluir e poderia que viesse a resolver esta situação.

Para Carlos, já tinha perdido as esperanças de cura. Já tinha falado e gasto muito dinheiro com vários médicos.

Isabel vivia agora um mundo de esperança e desilusão. A vida tinha-lhe trocado as voltas e pregado esta grande partida.

Passava o tempo a tentar convencer o marido, que ainda poderiam vir a ter filhos e uma família completa. Era um dos seus desejos para se sentir realizada e uma mulher completa.

O resto tinha quase tudo.

Dinheiro, ocupação, boas casas. Tinha-se adaptado já a África.

Quando ia para os Safaris junto das fazendas do marido, sentia imensa tristeza não levar já filhos consigo, já estava casada há vários anos e queria mandar fotografias tiradas nos Safaris junto da caça grossa morta na caçada, para os familiares em Portugal.

Mas o segredo ainda não estava completamente desvendado.

A razão por que Carlos não demonstrava vontade de ter filhos, era doença venérea crónica que tinha adquirido por mulher africana também crónica.

Nesse momento, Carlos ainda mantinha a relação íntima o mais secretamente possível com essa mulher africana. Não estava fácil desligar-se dessa mulher, era familiar de um importante e influente político africano, este também casado com mulher branca e europeia.

Se Carlos viesse a abandonar essa mulher, que estava a manter exclusivamente como segunda mulher, se a abandonasse, correria o risco de ter ele de abandonar África por razões de segurança.

Para além de Isabel estar a ficar completamente baralhada e confusa, também não estava a dar informação da situação à família em Portugal. Continuava à procura de uma saída para tal situação muito difícil.

Carlos já não a ouvia muito bem, porque Carlos já se tinha conformado com a situação. Mesmo quando casou com Isabel, já previa esta situação.

Mas Isabel de forma alguma queria aceitar esta situação, mas não entrou em desespero. Haveria de haver uma saída.

Novamente recorre à sua confidente e conselheira Nizé Ginga. Falou mesmo a Nizé, se através de feitiço, não seria possível retirar Carlos de tal situação. Quer a cura da doença crónica, quer o afastamento da mulher nativa que mantinha secretamente.

Nizé sorriu! ela própria não acreditava em feitiços. Mas também não punha de parte, que futuro poderia trazer uma saída para tal situação.

Sentia pena de Isabel. Isabel não merecia tal situação. Não queria acreditar que Carlos não lhe tivesse contado a Isabel a situação quando do casamento!

Agora estava complicadíssimo. Sobretudo pela pessoa com quem Carlos estava envolvido. Sabia o peso que esses políticos tinham em África. Tudo seriam capazes de fazer e tudo fariam.

A independência de Angola e a forma precipitada como aconteceu, surpreende tudo e todos.

De regresso a Portugal, Isabel vê uma luz ao fundo do túnel.

A família Rolos regressou a Portugal

Já em Portugal, Isabel, continua a ficar baralhada. Não sabia bem se esta situação estava mesmo a acontecer ou se seria ficção.

Mais um momento dificílimo para o clã Rolos. Todos regressaram a Portugal e com pouco mais do que tinham lavado para África havia 30 anos.

Não foram dos que passaram os primeiros tempos em frente à Assembleia da República a gritar e a reivindicar. Mas circularam pelas ruas de Lisboa no mês de novembro, só de camisa branquinha de meia manga, à procura de oportunidades para se fixarem e recomeçar a vida.

Finalmente, conseguiram no centro do país recomeçar a sua vida.

Isabel, desde que regressou a Portugal, ficou uns tempos pensativa, mas não voltou a ficar presa cem por cento ao clã Rolos, vislumbrava-se-lhe que poderia ter uma nova oportunidade de vida. Aquela, não tinha nada a ver com a pessoa dela

Aproximou-se da sua família que tinha deixado em Portugal e ex-amigos e procurou hipóteses de se fixar e conseguiu. Continuando como docente.

Veio o início do verão. Havia que matar saudades das praias que tinham deixado em Angola. Procuraram a praia da Costa da Caparica, fazia lembrar algumas praias extensas que tinham deixado em Angola. A água é que era diferente, mas era suportável.

Isabel já tinha frequentado as águas da Caparica. Para além disso, o voltar a estas águas desta praia, trouxe-lhe umas saudades imensas. Quando para lá ia com o seu grupo de amigos divertidos, em que imaginava a sua vida de futuro completamente diferente daquilo que lhe aconteceu. Por isso, estar de novo a pisar esta areia, parece que lhe dizia que uma nova página do livro da sua vida, se estava a abrir!

Carlos é que nunca tinha pisado uma praia em Portugal, não se dava muito bem com os ambientes das praias em Portugal. Porque mesmo em África, Carlos tinha feito muito pouca vida de praia. Não se sentia à vontade em lado nenhum. Mas Isabel fazia-se acompanhar sempre que ia para a praia agora, por um familiar e era com esta que Isabel conversava.

Quando estavam nas filas dos autocarros na Costa da Caparica à espera da sua vez para regressarem a casa, Carlos desesperava com facilidade, e começava a pronunciar palavras e frases inconvenientes, a pontos de Isabel se ver obrigada a disfarçar não ser seu familiar.

 Até por que o Carlos não tinha conversas muito interessantes, e agora Isabel já não precisava de se sujeitar só às conversas de Carlos, já tinha com quem conversar a nível dela.

Inevitavelmente, as relações entre Carlos e Isabel foram-se deteriorando.

Isabel, a uma nova forma de relacionamento com o marido dá início. Passou a viver em casa de familiares dela. Ou ele mudava, ou ela também passaria a não se ralar mais.

Se o marido quisesse ir ter com ela, aceitava-o. Se o marido não aparecesse, ela também não ia ter com ele.

Por sua vez, o marido tinha consciência da partida que tinha pregado a Isabel. Por isso, também não se sentia muito à vontade para ir todos os dias ter com Isabel.

As relações foram esfriando. O interesse de um pelo outro foi diminuindo. E o afastamento progressivo foi inevitável. A separação aconteceu. E seguidamente veio o divórcio.

Isabel, ainda era uma mulher nova, era bela, elegante e atraente. Era mulher só e os pretendentes começaram a aparecer. Mas Isabel continuava muito pensativa. Queria deixar passar mais algum tempo. Mas ainda não tinha cumprido um dos sonhos da sua vida. Que era constituir uma família completa. Ou seja: com marido e filhos.

Pensou também que, caso continuasse a querer realizar esse sonho, não poderia perder muito mais tempo, por que os anos passavam e os quarenta aproximavam-se.

Embora hesitante, aceitou nova experiência com um pretendente. Muito cautelosamente, foi progredindo e medindo bem os passos que ia dando. Esse homem começou-lhe a inspirar confiança, começou a gostar dele. Apercebeu-se que esse homem também gostava dela. Deram o tempo necessário para o efeito e deram o nó.

Haveria de começar aqui o segundo martírio de Isabel.

Não com este novo marido, mas as perseguições que Carlos lhe fazia.

Carlos nem de perto nem de longe, queria aceitar a separação de Isabel, mas enquanto não a viu próxima de outro homem, ele manteve-se sereno e afastado, talvez pensasse que Isabel ainda poderia voltar para ele. Mas a partir do momento em que a viu ligada a outro homem, veio-lhe o ciúme doentio.

Carlos era um homem que não tinha desenvolvido o seu raciocínio. Tinha partido de criança para África, para o interior de Angola, o seu raciocínio social não tinha sido desenvolvido. Assim, tinha grande dificuldade em compreender as mudanças sociais que ocorreram na sua vida.

Após Isabel ter casado novamente, Carlos procurou cruzar-se com Isabel e conseguiu.

Ao passar por ela, disse-lhe que se um dia ela viesse a ter filhos, que evitasse de passar por ele! Com sentido de ameaça!

Isabel ficou assustada, pois uma das razões porque ela casou novamente, era para ter filhos.

Mas agora ela via à sua frente, mais um embuste!

Voltou-lhe Carlos à memória de noite e dia! Nem as conversas do atual marido a conseguiam acalmar e ter confiança.

Pensou adiar o planeamento para constituir a sua família com filhos, mas o homem em quem ela tinha agora confiado, esforçava-se por lhe inspirar confiança e não viver apavorada.

Os dois em conjunto, embora não sendo fácil, mas conseguiram recuperar a confiança, afastando passado algum tempo, o ex-marido de Isabel, que também não foi fácil, mas conseguiram.

Agora, Isabel e o novo marido, tiveram os filhos que quiseram, constituíram uma família à maneira e gosto dos dois e são hoje uma família feliz.

Em África, Isabel já se tinha resignado à situação, recorrendo a todos os meios para a tentar corrigir. Mas lá no fundo já tinha aceitado para com ela própria aquela situação para o resto da sua vida.

Como há males que vêm por bem, o regresso forçado de Isabel a Portugal, veio-lhe repor a vida que sempre sonhou, mas não deixou de passar por tormentos impensáveis, mas finalmente para Isabel uma nova luz se abriu.

Isabel conseguiu a vida que desejava e merecia.

Todos os nomes utilizados na Aventura Africana são fictícios

                                                 FIM