sábado, 23 de novembro de 2013

Volta ao Portugal de hoje, de ontem e de amanhã


Será uma sociedade descontrolada?..
Joana, teve a sorte de ser uma adolescente a entrar na idade adulta, quando do inicio da democracia em Portugal.
Levada pelas ondas da euforia, não resistia a quando estava nas aulas e passava uma manifestação pela rua abaixo, abandonava de imediato a aula e corria para a manif. Estaria ela a preparar um futuro risonho?.. o futuro o dirá....... passou por ocupação de escolas, saneamento de professores, autogestão da escola, mas ia conseguido exames e passagens administrativas, conseguindo o propedeutico rapidamente quase sem frequentar as aulas, tinha mais dias de luta pelos direitos de cidadã que a Constituição lhe haveria de dar, do que de aulas ao fim do ano.
Não tardaria a ser mãe solteira, as aventuras das reivindicações colectivas e noitadas, assim lhe o proporcionaram. Tinha agora um excelente pretexto para reivindicar todos os direitos que a constituição lhe consagrava e não perdeu tempo a isso.
Dava-lhe direito a uma habitação social e haveria que consegui-la. Teve sorte, porque iniciaram-se construções de bairros sociais, que haveriam de dar casa para todos aqueles que soubessem manobrar papeladas, e Joana já tinha experiência nessas andanças. Assim, Joana estava plenamente convencida que também conseguiria uma casa, pois se havia tanta gente que até tinha melhor situação que ela e estava a conseguir casa dessas, porque é que ela não haveria de conseguir!...
Chegou a vez dela, recebeu a casa em condições inesperadas, nem queria acreditar!... agora sim, agora já tinha uma vida digna, funcionária publica com o ordenado a subir todos os anos, só era preciso ir fazendo umas greves e pretextos na rua para que o seu ordenado fosse cada vez aumentando mais.
O filho cresceu, também tirou uma licenciatura nas universidades modernas que no entanto já desapareceram, mas é uma licenciatura que não deu muito trabalho, assim que fez 18 anos, a mãe ofereceu-lhe a carta e o carro novo. Andou de capa e batina durante três anos mas valeu a pena.
Nova oportunidade de vida se lhe deparou, o novo conceito de uma classe social jovem aparecia, ter casa numa das zonas modernas era um novo conceito de sociedade superior. Joana compra-lhe casa ao filho nessa zona previligiada e agora o filho de Joana pertence à classe mais superior.
As lutas que Joana travou pelos seus direitos valeram bem a pena. Mas será que esta classe aparecida vinda destas situações terá um futuro risonho?................. o futuro o dirá...... por isso, eu questionei no inicio desta crónica, se será uma sociedade descontrolada.
As fotos, uma representa o bairro social moderno que foi construído com dinheiro de todos os contribuintes que tiveram de pagar a construção dos bairros sociais e depois andar a vida inteira a pagar a sua própria casa,  outra representa o bairro de luxo da sociedade descontrolada, a outra representa os reivindicantes da rua no seu dia à dia fazendo muito barulho para conseguirem o que queriam.
 
 




sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Volta ao Portugal de hoje, de ontem e de amanhã




A ilusão do Sol antes de nascer, da aurora boreal e o salto no escuro até à ilusão citadina, foi completa.
João e Maria, enamoraram-se ao cruzarem-se na apanha dos frutos. Ele já tinha alguns anos de cidade. Tinha ingressado nos que partiram à procura de vestir uma farda para ter o futuro garantido sem sobressaltos. Não era preciso saber-se muito, era preciso viver descansado sem sobressaltos. Ela nunca tinha visto uma cidade. Era tradição da família as mulheres preservarem a sua honra, e para isso, não podia haver viagens à civilização avançada antes do casamento.
Após casamento, não conseguiram evitar a partida para a cidade, pois era ali que estava o seu sustento. Na aldeia deixaram as alfaias da lavoura e os animais que seus familiares viveriam destes.
A inveja dos que ficaram não resistiu à tentação de atirar-lhes com piadas de partida para a cidade, que na cidade até os feijões haveriam de contar!..
Eles, levaram isto a peito e não perderam tempo em procurar formas de aumentar o parco ordenado único que lhes vinha no fim do mês.
Procuravam todas e qualquer forma de ganhar dinheiro para mostrar a quem lhes disse que até haveriam de contar os feijões, que afinal até viviam abastadamente. Quando iam à terra não se escusavam de mostrar sinais exteriores de riqueza e seus conterrâneos também não se deixariam enganar com o proverbio - nem tudo o que reluz é ouro!..
Cada vez encontravam mais formas de aumentar os proventos familiares, fosse lá de que forma fosse e os sinais exteriores de riqueza não paravam de aumentar, mas a ilusão quando começa a ser grande fica cega e aconteceu e mais uma vez o proverbio popular se aplicou - tantas vezes vai o cântaro à fonte até que um dia lá fica a asa.
As fotos ilustram a passagem deste casal: abandonaram as alfaias agriculas, não resistiram aos encantos-ilusão da aurora boreal e partiram para o meio citadino, em vez de se prepararem para viver no meio citadino e depois progredirem de acordo com as suas possibilidades com os pés bem assentes no terreno que podiam pisar, não, deixaram-se iludir com os brilhantismo sem fim, passando pelo vazio isolamento.
Não foi só um casal, foram muitos.
Regressam pensativos, revoltados e querendo-se iludir, agora já voluntariamente iludindo-se que a culpa foi sempre dos outros, querendo continuar a iludir os seus conterrâneos que eles estão inocentes, que fizeram isso para fazer bem aos outros, mas os seus conterrâneos mais uma vez não se deixam enganar, embora só pensando e não falando. O fim foi o regresso ao isolamento impensável.