
Sempre que as sociedades e em particular o nosso país entram em descontrolo social e/ou politico, membros religiosos manifestam-se ruidosamente ou pelo menos saem do seu habito constante.
Quando de 25 de Abril de 1974 em Portugal, havia quem dissesse que 50% dos padres tinham virado a comunistas.
Que na realidade muitos deles alteraram toda a sua vida e forma de estar, foi uma grande verdade!..
Fazia eu uma viajem de automóvel de algumas centenas de quilómetros, cerca de 600 km, parei o carro numa localidade para beber um café e quando ia para entrar no carro, um sujeito aborda-me e pede-me boleia para uma localidade a 20 km.
Como vinha sozinho, meti conversa com ele, disse-lhe que ia para Lisboa. Ele de imediato me disse que também seguia para Lisboa. Ofereci-lhe viagem e ele ergueu as mãos ao Céu. Mais à frente deparei com ele a rezar. Não achei normal e questionei-o. Disse-me que era ex-padre e estava a agradecer a Deus por ter conseguido aquela boleia.
Tínhamos mais 400 km para percorrer. tivemos tempo para conversar sobre tudo incluindo religião. Disse-lhe que nos meus estudos tinha feito trabalhos sobre várias religiões e ele gostou abriu-se sobre tudo quanto eram religiões.
Questionei-o sobre a frase dos 50% dos padres que no 25 de Abril tinham virado a comunistas. Disse-me que ele próprio fora um deles. Abandonou a igreja, casou mas estava a ficar muito confuso com a vida e com a sociedade.
Em determinado local da beira da estrada, pediu-me para parar, para me mostrar uma inscrição histórica (primeira foto do lado esquerdo) e explicar-me à maneira dele o significado da inscrição.
Deu-me uma explicação vista de uma maneira religiosa à religião dele. Pois eu já conhecia essa placa/inscrição/histórica e nem tudo o que ele me dizia condizia com o que eu tinha investigado sobre essa inscrição.
A maneira de ele ver o fenómeno religioso de Fátima estava muito distante da maneira como a maioria dos cidadãos comuns vêm. Perguntei-lhe se sempre tinha visto o fenómeno de Fátima daquela maneira e ele disse-me que não.
Ver fotos do meio e lado direito, pois mesmo para alem dos dias em que Fátima se enche com centenas de milhares de pessoas, não há um único dia do ano que este espaço não tenha crentes a passear por lá e por vezes são pessoas de todos os quadrantes e classes sócio/cultural.
Agora, já no início da segunda década do século XXI, em que a instrução e cultura em geral de todos os cidadãos melhorou vezes e vezes e que o nosso país atravessa uma situação de incerteza sócio/económica e financeira instável, voltamos a observar membros dos credos religiosos (muitos deles são da idade dos que abandonaram o clerigo no 25 de Abril, mas estes mantiveram-se dentro da sua igreja) e agora a tomarem posições muito extremistas identificando-se com ideologias novas muito confusas que já não têm nada a ver com o pensamento de hoje das pessoas em geral.
Já tive também a oportunidade de fazer uma longa viajem de muitas centenas de quilómetros no sertão de África com uma religiosa que depois de já ir cansada de ir calada e encostada à porta oposta ao meu lado, decide-se começar a falar e desembuchou conversas muito interessantes para nós comuns dos mortais. Acabou por dizer coisas que eu não esperava ouvir da boca de uma religiosa. Muito embora não não tivesse dito nada de anormal para um ser humano.
Será que quem a segue como membro do clero é mesmo um fenómeno?










