sexta-feira, 25 de março de 2011

Volta ao Portugal de hoje, de otem e de amanhã


Esta jovem bonita, ambição não lhe faltava. Cedo precisou de começar a trabalhar. Pouco tempo passou pelos bancos da Escola. Os pais, logo fizeram dela um instrumento para trazer algum dinheiro para casa.
Puseram-na a servir numa casa senhorial numa quinta. Mas os senhores bem à maneira antiga fizeram dela pau para toda a colher. Com os seus nove anos tornou-se em polivalente. Serviço de casa, tratar dos animais e ir tratar das vinha e da horta.
Década de cinquenta, quando Miquelina já tinha 14 anos rumou a Lisboa. A ilusão de uma jovem bonita. O sonho de ser proprietária de uma Pensão apoquentava-a desde que começou a pensar na vida.
Era bonita, alegre e trabalhadeira. Reunia quase todos os predicados para se tornar industrial de hotelaria. Não escolheu nem procurou se não trabalho no ramo de hotelaria.
Na residencial onde trabalhava, dava nas vistas. Ainda adolescente, mas os comensais já lhe ofereciam cartões de visita com promessas de bons lugares de emprego. Para uma jovem acabada de vir da província e sem familiares por perto para a poderem chamar à atenção para algum pé que poderia estar a meter na poça, ela escorregou mesmo. não tardou que estivesse de facto a ser a segunda mulher de um industrial, com casa posta e o dia inteiro em casa à mercê do seu senhor quarentão, para quando lhe apetecesse ir a casa satisfazer os seus apetites sexuais.
Era a década de sessenta e os cuidados preventivos de gravidez ainda eram pouco usados. Mas Miquelina talvez pensasse que tendo um filho do seu amante ( na altura dizia-se assim) teria mais hipóteses de casar com ele. Ele de facto não era casado, mas já tinha uma jovem mais jovem que Miquelina por casa, mas era sobrinha.
O fruto do amor não tardou e Miquelina torna-se mãe aos 16 anos. Passou cada vez a alimentar mais esperanças de se tornar industrial de hotelaria, assim que casasse com o pai da sua filha.
A ilusão continuou, os anos foram passando, atingiu a maioridade e o sonho de se transformar em proprietária de hotelaria, casando com com o seu senhor, findou. Ele abandonou-a a ela e afilha, para elas deixarem de o ver definitivamente.
Miquelina era mulher de têmpera rija, não fosse ela uma mulher do Norte. Decide investigar a vida do pai da sua filha e querer conhecer a mulher que lhe "roubou" o homem das suas esperanças. Desistiu porque foi avisada se continuasse, a filha lhe seria raptada
Soube que quando foi conquistada por esse homem, ela tinha dezasseis anos, mas o conquistador (que hoje teria outro nome) tinha em sua casa a viver com ele, uma sobrinha de 14 anos, com quem já manteria relações sexuais.
O conquistador abandonou a Miquelina, quando a sua sobrinha atingiu a maioridade e passou a fazer desta a sua mulher preferencial, exigido por esta mesma.
Quem viria a descobrir a realidade desta situação, foi a própria filha de Miquelina e do conquistador, que já mulher e bem formada, na década de noventa, soube que seu pai e a sobrinha deste viviam maritalmente, sem filhos.
Ela sobrinha do conquistador, em público deslocava-se sempre bem disfarçada com grandes óculos escuros, demonstrando viver uma vida desgostosa e aparentando muita mais idade do que aquela que na realidade tinha.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Volta ao Portugal de hoje, de ontem e de amanhã





Alguém lhe chamou o Grande Lago da Europa.
A grande Barragem do Alqueva no Rio Internacional Guadiana em Portugal.
Mas é o maior Lago e Reservatório artificial de água na Europa.
Com muitas dezenas de quilómetros de comprimento por algumas dezenas de quilómetros de largura, perfaz os seus mais de duzentos e cinquenta quilómetros quadrados de Lago.
Serpenteia pelo meio das planícies do Alentejo e vai enchendo e estendendo-se por entre rios, ribeiras, enclaves e baixios de terreno por Portugal e Espanha.
A qualquer hora do dia, mas mais ao amanhecer e entardecer a sua beleza é caso único. Os reflexos e brilho do Sol projectado nas suas águas, pasmam e encantam.
O homem consegue fazer obras destas, que transformam por completo a natureza para melhor de algumas regiões.
Muitas mais fotos e vídeos de beleza natural fora do vulgar tenho para apresentar, mas por uma questão de economia de espaço não as apresento.
Mas estas grandes obras também ficam com muita historia engraçada para serem construídas.
Finais da década de oitenta do século passado, quando houve mesmo a decisão politica para avançar com a construção desta Barragem, foram a um programa de Televisão a ministra do ambiente e um técnico de meteorologia falar sobre o impacto ambiental da construção da Barragem e o tempo que a mesma demoraria a encher.
a ministra explicou os prós e os contras da edificação da Obra, que as vantagens eram de longe superiores às desvantagens, a falta que esta Obra fazia ao país e principalmente às populações locais.
Mas o técnico meteorologista, que era um velho do Restelo, sendo portanto contra a construção da Barragem, disse que aquele Lago demoraria 60 anos a encher.
A ministra sorriu e disse que as previsões dos técnicos da construção da Obra, após começar a encher demoraria seis anos a encher.
Depois o técnico meteorologista ainda se tentou descartar dizendo que ele como meteorologista só fazia contas à pluviosidade, à água da que chovia.
Alguém lhe lembrou que uma Barragem quando é feita é para ser enchida pela água que chove e pela água que vem dos rios.
A Grande Barragem, assim que começou a encher, decorridos quatro anos estava cheia.
Por causa dos velhos do Restelo é que muitas obras demoram tanto tempo para serem construídas e algumas que faziam muita falta às populações locais e ao desenvolvimento do país nunca são feitas.
Quando a ponte sobre o Tejo que teve de inicio o nome de Ponte Salazar e actualmente Ponte 25 de Abril, os primeiros projectos para esta Ponte ser construída, ainda foram feitos no tempo da monarquia.
O ministro das Obras Publicas de sua majestade o Rei, disse que enquanto ele fosse ministro a Ponte não seria construída, porque se Deus quisesse que as pessoas passassem ali de um lado para o outro, não teria colocado ali um rio, que era o rio Tejo.
Mais tarde já na Republica, em novas tentativas para a construção da Ponte, muitos políticos e figuras do poder, disseram que esse dinheiro que se gastaria na construção da Ponte, seria melhor dá-lo aos pobres.
E assim, a Ponte que fazia tanta falta ao desenvolvimento do país e às populações locais, só haveria de ser construída na década de sessenta do século XX.
Hoje já estamos na segunda década de século XXI, ainda vemos os mesmos velhos do Restelo a tentar impedir que se construam obras importantes para o desenvolvimento do país e para bem das populações locais.
O grande espelho de Portugal e da Europa, a Barragem do Alqueva, as suas potencialidades ainda estão a ser aproveitadas ao mínimo.
Mas muitos mais espelhos há para serem construídos neste país que não só é um jardim à beira mar plantado, mas também é um espaço de Planeta Terra pela riqueza natural bafejado.




quarta-feira, 16 de março de 2011

Volta ao Portugal de hoje, de ontem e de amanhã




No início da década de 90 do século passado, quando o ministro falava para os estudantes e lhes dizia que os resultados das universidades portuguesas não estavam a ser os melhores, estes viraram-lhe as costas, baixaram as calças e mostraram-lhe o rabo.
Essa geração de estudantes ficou conhecida por: Geração Rasca. Estudantes teriam entre 20 e 30 anos, estarão agora portanto, entre os 37 e os 47 anos, que muitos deles estarão agora em lugares decisivos da politica: deputados, assessores, directores de Repartições Publicas e por aí fora. Serão portanto eles muito influentes agora na legislação e decisões actuais.
Seguiram-se as Gerações quinhentoseuristas e a actual geração oitocentoseurista.
Ora verificamos que as gerações actuais estão a ser vitimas da geração Rasca que está hoje no poder.
Verdade verdadinha é a letra e musica dos Deolinda: Geração casinha dos pais, se já temos tudo, para quê querer mais!...
Mas o mal já vem muito mais de trás. Qualquer pessoa que passou pela Universidade nas décadas de 70 e 80, apercebeu-se que o futuro e termos de liderança seria sombrio.
Mas a culpa também não é so das escola. Há um proverbio popular que diz: cada pai tem o filho que quer!...
Muitos pais criaram os filhos destas gerações, com a cultura do novo-riquismo, convencidos que por terem só um unico filho ou dois, habituados a só pedir para terem tudo o que queriam, viveriam assim a vida toda.
Os tempos mudam e agora os que só exigem já são um número muito superior aos que trabalham. Para quem estava atento, já havia muito que previa isto.
Se repara-mos bem nas fotos que junto e foram adquiridas na manifestação de 12-03-2011, não restam duvidas de como vai o pensamento das gerações mais jovens de agora.
O respeito pela classe politica e governante é zero. O respeito pels Institições de respeito do paíes é zero. E isto não é normal!... Melhor, é impensável.
Nã temos dúvida que ainda há muita gente neste país, incluindo muitos jovens, que têm respeito pelas institições de respeito e acreditam que há gente responsável e capáz de governar este país.
Mas quais continuarão a ser as atitudes das pessoas que escreveram esses dizeres na manifestação? O futuro é incerto, duvidoso e muito sério. Não restam mitas dúvidas de que a muito curto prázo a nossa sociedade fará uma volta de 180º (graus).
Isto é o resultado destas décadas, em que se desprezou a verdade, preferriu-se a mentira.
Desprezou-se o trabalho sério e profissional, para dar lugar aos numeros falsos e empolados.
Ensinou-se a esperteza, desprezando o saber e a inteligência.
Agora estamos e vamos todos sofrer as consequencias. Claro que alguns irão sofrer mais que outros.
Mas a saída é repensar, dar lugar ao trabalho sólido e profissional, à honestidade e à verdade.
Ensinar sem demora a quem estiver a tempos de aprender e quiser aparender a ouvir a verdade. Diz o povo com o seu saber milenário que: a verdade e a razão são como o azeite.... acabarão por vir sempre ao de cima.
Agora estamos metidos num túnel muito apertado que temos que começar a escavar e esgaravatar sem demora para sairmos o mais depressa possivel desta situação.
A receita é muito simples mas talvez não seja fácil para muitas pessoas:
Trabalhar muito mais, gastar muito menos e poupara muito mais.


quinta-feira, 10 de março de 2011

Volta ao Portugal de hoje, de ontem e de amanhã

Ponte actual e Ponte caída
Há dez anos, no dia 04 de Março de 2001, esta ponte ruiu e tirou a vida a 59 pessoas.
No verão anterior, em Agosto, passei eu de Norte para Sul nesta Ponte.
Eu e as pessoas que me
acompanhavam no meu automóvel, apanhámos um grande susto quando ao circular no Tabuleiro da Ponte, verificámos que toda a chapa da estrutura de ferro estava corroída, a ponto de de aquelas placas de chapa tipo martelada haver buracos feitos pela ferrugem e caber por lá uma mão.
Todas as chapas do tabuleiro saltitavam com o passar das rodas do carro, devido aos parafusos soltos.
Assim que nos encontrámos fora da Ponte, respirámos fundo com o susto que nos pregou aquela situação em que se encontrava a Ponte.
Desviei o carro para o Largo junto à Ponte e tirei fotografias com a chaparia e estrutura da Ponte toda corroída pela ferrugem. No Inverno seguinte, com as enchentes a Ponte ruiu.
Há dias ouvi o Presidente da Câmara desse Concelho dizer que foram levados a Tribunal as pessoas não responsáveis por essa situação e ficaram por julgar os verdadeiros responsáveis.
Ou seja: Os técnicos tinham apresentado havia muito tempo o relatório do estado da Ponte aos Governantes e estes estiveram-se nas tintas para o assunto. A ponte não foi reparada e o acidente deu-se.
Nos últimos 40 anos em Portugal muita coisa e obra se fez, mas muita mais se poderia e deveria ter feito.
Em redor da Capital e de mais duas ou três cidades foram construídos edifícios sem fim para dar a muita gente que teria muitas mais condições de comprar a sua própria casa mais do que muitos que pagam os impostos para construir essas casas e depois esses se querem ter casa têm que a comprar com o seu dinheiro e andar a vida toda a pagá-la.
Se olharmos um pouco à história do país, verificamos que se repetem épocas doutros tempos, em que quando as gentes trabalhadoras do interior do país começava a progredir e evoluir, lá vinha a nobrezazinha da Capital eliminá-los, com o medo que estes tentassem evoluir o país e fossem tocados os privilégios dos lambe-botas da capital.
Vemos ainda hoje, sempre que se anuncia a construção de obras no interior do país, o alarido e mobilizações que se fazem de grupos a tentar travar essas obras e conseguem travar algumas. Só quando lhes aparece pela frente alguém determinado é que algumas dessas obras acabam por ser feitas.
Por vezes, esses grupos deslocam-se para esses locais, falam para as pessoas locais como que se essas pessoas fossem analfabetas, cegas e estúpidas. Quando a maioria das pessoas que habitam os locais onde essas obras precisam de ser feitas, são muito mais cultas, mais sabidas e muito mais inteligentes que os grupelhos de citadinos que não sabem nada mais do que alguma coisa que decoraram com muito esforço em meia dúzia de livros que passaram a vida a decorar.
Claro que essas obras que naturalmente precisam de ser feitas e já´há muito tempo que deveriam ter sido feitas, acabarão por ser feitas. Mas o não serem feitas na devida altura, trazem consequências para as populações locais e para o país, assim como trouxe a Ponte Hintze Ribeiro de Entre-os-Rios não ter sido reparada na devida altura.
Há 40 anos, os grupelhos que andam por aí a tentar impedir que se façam obras por todo o país, não tinham tanto poder de impedir a construção de obras como têm hoje. Vejamos as Grandes Barragens Eclusas que se construíram em todo o Rio Douro!... Há dias dizia um responsável pelo turismo nessa Região elogiando a grande coragem que houve ao construírem nessa época, todas essas Barragens Eclusas.
Portugal precisa de retomar politicas de coragem. Que haja governantes que governem para gerações e não governantes como os de hoje que governam para eleições.
Assim que tiver-mos esses governantes, o nosso país retomará o caminho do progresso e não o país que cada meia dúzia de anos lá nos prega mais um susto do apertar do cinto.
Como ainda há pouco tempo um sociólogo português dizia: Portugal tem que sair desta situação de cada quatro ou cinco anos, tem que recomeçar do zero.


quinta-feira, 3 de março de 2011

Volta ao Portugal de hoje, de ontem e de amanhã

Finais da década de setenta, Luísa, concluiu o secundário ainda muito nova. Mas a sua ambição era ir de seguida para a Faculdade e para uma cidade grande, de preferência para a Capital.
Os pais, modestos empregados de comercio numa Vila bem no interior do país, tinham plena consciência de que a sua filha querida, ainda não tinha a preparação necessária para ir viver para uma grande cidade. Por isso, aconselharam-na a esperar mais algum tempo e depois sim, iria para a Universidade. Desejavam de todo vê-la Doutora.
Luísa já tinha passado alguns dias na capital, mas daí a fazer uma ideia como era a vida da juventude nesta cidade, faltava-lhe muito.
Considerando-se corajosa, Luísa decide por sua conta e risco, avançar para a grande cidade.
Tenta as Residências Universitárias, mas depressa conclui que estas eram só para quem tinha cunhas e conhecimentos.
Alugar um quarto e dos mais económicos foi o seu pensamento. Tenta um emprego e com um bocadinho de sorte, consegue na Função Publica. Facilitava-lhe ainda mais os horários para as aulas e estudar.
Os pais não perderam tempo a apoiá-la, mentalmente e financeiramente. Já sonhavam com uma filha doutora e depois um belo casamento a preceito na Terra com costumes e honrarias.
Nas lides académicas, Luisa, rápido se encontrou com Tiago. Tinham sido colegas no secundário embora ele já estivesse na faculdade havia dois anos.
Tinham iniciado um namoro quando adolescentes, mas os pais dos dois, tornaram-lhe-o impossível.
Os dele, por Luísa ser duma classe social muito inferior. Os dela, por os pais dele ser de uma classe, academicamente e materialmente muito superior e Tiago só quereria gozar com a sua filha.
Mas agora, os dois na capital, os dois universitários, ninguém notaria a diferença social entre os dois e andariam completamente à vontade.
Luísa era uma jovem que dava nas vistas pela sua beleza e elegância, sobressaía entre as suas colegas.
Tiago sentia-se feliz e exibia fazendo crer a sua sorte e conquistador perante os colegas. Mas Tiago não estava mais do que a dar seguimento ao amor proibido e adiado.
Não perderam tempo a passar à intimidade e satisfazer os desejos carnais.
A Luísa, começa-lhe a faltar tempo para o trabalho, para as aulas e estudar. Travava uma luta entre dedicar-se ao que a trouxe para Lisboa e satisfazer os seus desejos amorosos com o homem que sempre adorou e por quem se apaixonou loucamente, desde a ilusão da adolescencia ao fervor da juventude, mas agora vivia em pleno o amor da sua vida. Estava na idade.
Na ida à Terra, sendo vizinhos, era um desperdício não irem os dois no belo desportivo do Tiago, mas se chegassem juntos no carro do Tiago, teriam discurso lá em casa os dois. Por isso optaram por não ir juntos à Terra.
Na terra, ao cruzarem-se não podiam se não cumprimentarem-se com um disfarçado olhar. Até o beijinho na face poderia trazer discussões em casa dos pais.
De regresso a Lisboa, iludiram os pais e alguns quilómetros à frente, rápido se juntaram no cómodo desportivo de Tiago.
Luísa começa a ter dificuldades na gestão do tempo, para trabalhar, para as aulas e estudar. Já passava quase todas as noites no apartamento do Tiago.
O quarto de Luísa era distante do trabalho e da faculdade, por isso era mais económico. Enquanto que o apartamento de Tiago era bem no centro da cidade e perto da faculdade. Luísa aceita a proposta de Tiago, passar definitivamente a tempo inteiro para o seu apartamento. Aqui Luísa, já ficava também perto da faculdade, do trabalho e deixava de pagar quarto.
Passavam momentos de loucura e satisfação amorosa. Luísa estava a viver nas nuvens. Tiago estava a viver a sua vingança do amor proibido e adiado. Os pais dos dois, ainda não sabiam da situação.
Esta lua-de-mel durou uns bons meses, mas após os pais dos dois saberem, não tardaram as imposições de cada um deles.
Os pais de Luísa só tinha a força das palavras e do convencimento. Os pais de Tiago, a força das palavras e do convencimento não era tão forte, mas tinham a força na manutenção da conta bancária e ameaçaram-no que retirariam grande parte das regalias, caso não deixasse aquela rapariga que seria uma desonra para a família lá na terra, com tão grande desnível social.
Isto teve efeito para os dois e a coisa começou a esmorecer entre eles.
Para Luísa, agora já bem gozada por Tiago, uma nova vida teria para enfrentar, social, familiar, académica e financeira. Para Tiago, já tinha gozado quase tudo e experimentado quase tudo.
Faltava-lhe agora experimentar um hobby, o jogo.
Quatro da manhã, o colega da faculdade, estudante trabalhador, acabado de fazer um turno no seu trabalho, de regresso, ao estacionar o carro à porta, vê o Tiago encostado à parede bêbado que nem o cacho. Tiago chegava das machines do Estoril onde deixou mais do que o amigo gastava num mês para os estudos e se sustentar.
Luísa reorganiza a sua viva, conhece novas pessoas, nova sociedade, novos amores, conclui o seu curso de economia, embrenha-se pela grande cidade profunda e desconhecida, por tendência, por destino e/ou vingança, opta pelos amores mistos e do mesmo sexo, travando uma luta consigo própria sem rumo certo, sumindo-se para quase todas as pessoas que a conheciam.
Tiago, manteve-se vagabundeando pela cidade, raras visitas à faculdade, não conclui o curso de Direito onde tanto os pais investiram, queimando os anos, transformando-se em barbudo e boina Che-gue-vara, indo fazer barulho para a frente da faculdade tentando impedir que os outros estudassem, os estudantes noturnos - estudantes trabalhadores - até os os seus ricos pais o levaram para a terra, arranjando-lhe peseudo-emprego só para o ocupar, casando-o com uma mulher obesa e que quando os amigos de Tiago o cumprimentavam ela se afastava e baixava os olhos ao chão, não conseguindo olhar de frente para as pessoas.