
Puseram-na a servir numa casa senhorial numa quinta. Mas os senhores bem à maneira antiga fizeram dela pau para toda a colher. Com os seus nove anos tornou-se em polivalente. Serviço de casa, tratar dos animais e ir tratar das vinha e da horta.
Década de cinquenta, quando Miquelina já tinha 14 anos rumou a Lisboa. A ilusão de uma jovem bonita. O sonho de ser proprietária de uma Pensão apoquentava-a desde que começou a pensar na vida.
Era bonita, alegre e trabalhadeira. Reunia quase todos os predicados para se tornar industrial de hotelaria. Não escolheu nem procurou se não trabalho no ramo de hotelaria.
Na residencial onde trabalhava, dava nas vistas. Ainda adolescente, mas os comensais já lhe ofereciam cartões de visita com promessas de bons lugares de emprego. Para uma jovem acabada de vir da província e sem familiares por perto para a poderem chamar à atenção para algum pé que poderia estar a meter na poça, ela escorregou mesmo. não tardou que estivesse de facto a ser a segunda mulher de um industrial, com casa posta e o dia inteiro em casa à mercê do seu senhor quarentão, para quando lhe apetecesse ir a casa satisfazer os seus apetites sexuais.
Era a década de sessenta e os cuidados preventivos de gravidez ainda eram pouco usados. Mas Miquelina talvez pensasse que tendo um filho do seu amante ( na altura dizia-se assim) teria mais hipóteses de casar com ele. Ele de facto não era casado, mas já tinha uma jovem mais jovem que Miquelina por casa, mas era sobrinha.
O fruto do amor não tardou e Miquelina torna-se mãe aos 16 anos. Passou cada vez a alimentar mais esperanças de se tornar industrial de hotelaria, assim que casasse com o pai da sua filha.
A ilusão continuou, os anos foram passando, atingiu a maioridade e o sonho de se transformar em proprietária de hotelaria, casando com com o seu senhor, findou. Ele abandonou-a a ela e afilha, para elas deixarem de o ver definitivamente.
Miquelina era mulher de têmpera rija, não fosse ela uma mulher do Norte. Decide investigar a vida do pai da sua filha e querer conhecer a mulher que lhe "roubou" o homem das suas esperanças. Desistiu porque foi avisada se continuasse, a filha lhe seria raptada
Soube que quando foi conquistada por esse homem, ela tinha dezasseis anos, mas o conquistador (que hoje teria outro nome) tinha em sua casa a viver com ele, uma sobrinha de 14 anos, com quem já manteria relações sexuais.
O conquistador abandonou a Miquelina, quando a sua sobrinha atingiu a maioridade e passou a fazer desta a sua mulher preferencial, exigido por esta mesma.
Quem viria a descobrir a realidade desta situação, foi a própria filha de Miquelina e do conquistador, que já mulher e bem formada, na década de noventa, soube que seu pai e a sobrinha deste viviam maritalmente, sem filhos.
Ela sobrinha do conquistador, em público deslocava-se sempre bem disfarçada com grandes óculos escuros, demonstrando viver uma vida desgostosa e aparentando muita mais idade do que aquela que na realidade tinha.

