Todos nos lembramos dos tempos em que algumas organizações, sempre que viam uma folha de jornal no chão de uma rua, iam logo gritar aos quatro ventos que se estava a destruir o ambiente, porque estar esse bocado de papel ali no chão, significava que se tinha deitado abaixo mais uma árvore. Tinham razão!.. Chamar à atenção do desperdício.Mas depois, há alguns anos para cá, desde que nos grandes centros urbanos e arredores, passaram a ser distribuidos jornais gratuitos, causa dor e revolta a muita gente, ver tanto jornal desperdiçado, amontoado, pisado, quer pelas ruas quer pelo chão dos próprios transportes.
Nas estações do metropolitano e dos comboios suburbanos era ver grandes quantidades de jornais desperdiçados que ninguém os leu nem os lia.
Agora essas pessoas já deixaram de aparecer, mas houve tempos em que nas saídas das estações, nem deixavam circulara as pessoas à vontade, metendo-se na frente, querendo obrigá-las a aceitar o jornal que lhe tentavam meter nas mãos, por vezes tentavam meter-lhe nas mãos dois ou três jornais iguais mesmo que vissem que a pessoa já trazia esse jornal consigo.
Depois, essas pessoas da distribuição, depois de verem que que já se tinham desfeito do número de jornais suficientes para eles receberem a quantia que lhes interessava por terem entregado um determinado número de jornais, iam-se embora e deixavam em paz as pessoas que entravam ou saíam dos transportes.
Chegava-se a ver empregadas domésticas irem a esses locais buscar braçados de jornais para porem no chão para secarem o chão, era o que elas diziam.
Mas esses jornais estavam a ser pagos com o dinheiro dos contribuintes de todo o país e só alguns dos que viviam nos grandes centros urbanos é que beneficiavam dessa situação. Digo só alguns, porque as pessoas que habitualmente lêem jornais, só leram esses jornais duas ou três vezes. Esses jornais traziam uma informação avulso-empacotada, descuidada que era só para entreter o pagode.
Uma grande parte das pessoas que liam esses jornais nos transportes, eram pessoas que nem estavam habituadas a ler jornais. Não raro causarem desconforto a quem na realidade queria ler efectivamente o jornal enquanto se deslocava nesse transporte. Havia pessoas que abriam o jornal completamente de braços abertos, obrigando os outros passageiros do lado a ir desconfortados. Não raro esse passageiro do lado levantar-se ou desviar-se por causa do desconforto provocado pelo passageiro que não sabia ler o jornal num transporte publico. Por vezes, parecia que alguns desses leitores faziam de propósito para incomodar o passageiro do lado, ou no mínimo não se preocupava nada em não incomodar o passageiro do lado. « um bem que não é soado não é estimado».
As ditas organizações ambientalistas tinham-se calado porque, directamente ou indirectamente tinham passado a beneficiar desse esquema de jornais gratuitos. Não se importaram mais com as árvores que eram deitadas abaixo para produzir jornais que nunca chegavam a ser lidos.
Por sua vez, os jornais que faziam sair uma informação cuidada, passaram a sentir-se prejudicados por esse tipo de concorrência.
Claro que qualquer cidadão bem pensante, hoje não tem dúvidas de que a situação em que o país se encontra, é consequência de todas essas situações de má gestão dos recursos do país.
Estas coisas, já estão a ficar caro e vão ficar ainda muito mais carao a todos os cidadãos e ao país com consequências imprevisíveis para o futuro.

