sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Volta ao Portugal de hoje, de ontem e de amanhã


 Viajando pelos Algarves, embora não tivesse dúvidas de que, da forma como o Mundo estava a mudar e evoluir não imaginava que a mudança em 40 anos evoluísse neste sentido.
Em Junho, havia praias que num dia de semana, estavam desertas. Ver foto meio.
A fim de semana, foto do nosso lado esquerdo, as praias ficavam com aspecto de praias de descanso e revitalização dos físicos humanos.
Mas se se entrasse para o interior, viam-se campos de agricultura a produzir bons produtos alimentares em escala familiar, que davam para quem passava férias por aquelas bandas se alimentar com com alimentação mediterranica e biológica.
À noite, as discotecas, tanto nos dias de semana como nos fins de semana, enchiam-se. Mas aos fins de semana as mesmas discotecas ficavam coloridas de pessoas de todas as nacionalidades. Era uma alegria ver toda aquela gente a querer praticar o seu idioma com gente de todos os idiomas.
Mas nas unidades hoteleiras o aspecto mudava.
Carlos, chegou com familiares que depois de terem trabalhado muitos anos sem ter tido férias, quiseram ir para os Algarves recompensar todos aqueles anos passados sem férias.
Carlos foi antecipadamente marcar e reservar os aposentos, Uma unidade hoteleira de 4 estrelas onde as regras de procedimento para os ocupantes, que estavam coladas atrás da porta eram em três idiomas, mas não incluía o português.
Quando chegaram os ocupantes dos apartamentos reservados, dirigiram-se  à recepção para receberem as chaves, mas como falaram português a rececionista hesitava em entregar as chaves. Um dos clientes, como não era de brincadeiras com coisas sérias, exigiu sem demora as chaves e chamou o responsável. Este hesitava em querer entregar as chaves...... entretanto chegou Carlos, viu o que se estava a passar, perguntou porquê aquela situação? O responsável respondeu que aqueles clientes poderiam não se saber informar bem ao não saberem ler as informações que se encontrava atrás da porta do apartamento.
Calos perguntou ao responsável, em que idioma queria discutir o  assunto, mas adevertiu-o de que era obrigado a ter a informação também em português, pois era a língua do país da unidade hoteleira.
Decorridos 30 anos, esses mesmos clientes foram passar as férias na mesma unidade hoteleira, alguns empregados também ainda eram os mesmos, mas os clientes, 50% já eram portugueses e já eram tratados de igual para igual com todos os estrangeiros.
Decorridos mais sete anos, em 2012, esta unidade hoteleira passou o ano com 30% de ocupação e metade desses clientes eram portugueses.
Mas as praias estavam assim: ver foto lado direito.............

 
 

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Volta ao Portugal de hoje, de ontem e de amanhã










 
Alberto, quando caminhando sozinho, agora virado para o sol nascer (foto), aproveitou para arrumar os pensamentos daquilo que havia alguns anos lhe vinha fervilhando no pensamento.
Com mais de 80 anos em cima, sentiu-se traído pela "vida". Quando jovem, viveu uma grande euforia de optimismo, grande fé e esperança num bom futuro.
Concluiu a 4ª classe, era para ir a estudar, mas os seus cinco irmãos mais novos fizeram mudar o seus pais de ideias. Ele acreditou que mesmo sem ir estudar poderia vir a ser um homem de futuro. Trabalhou na agricultura, guardou gado, fez o serviço militar, emigrou, viajou, regressou e ingressou na industria no seu querido e enesquecivel Portugal (foto de agrupamento dinâmico) que proporcionava economia sustentável e futuro, constituiu família, deu estudos secundários  aos seus 4 filhos que depois eles já a trabalhar concluíram alguns superiores.
Cruzava o pais de Norte a Sul e de Leste a Oeste, ficava satisfeito por ter regressado, via o seu país a desenvolver-se com determinação e vontade. Continuou a viajar para o estrangeiro e via que o seu país estava a progredir a um ritmo superior a outros países, ficava contente.
Agradava-lhe ver os campos cultivados e a produzir, os portugueses deslocavam-se e evoluíam. Vaticinou que dentro de algumas décadas os portugueses teriam um nível de vida sustentável dos melhores do mundo.
Com o início do período politico-governamental instável, Alberto começou a sentir-se preocupado, de inicio teve esperanças, mas depois, muito breve, começou a ver o futuro com preocupação mas nunca imaginaria que decorridas quase quatro décadas a imagem fosse a que é.
Quando os netos com a idade que ele tinha quando já trabalhava como um homem, caminhavam sempre com os olhos cravados no telemóvel (foto do lado esquerdo em baixo) e não se apercebiam do que os rodeava, seguiam completamente apáticos ao meio que os envolvia. Para Alberto, aquilo era grave e muito confuso, não anunciava grande futuro, antes pelo contrário, traria um futuro triste.
Hoje, Alberto confirma com muita tristeza, aquilo que já se vinha apercebendo há uma ou duas décadas atrás.
Ele, porque começou a trabalhar aos 12 anos, embora só ajudando os pais, mas aos 16 anos passou a trabalhar como homem, não estava à espera que alguém lhe arranjasse emprego, ele próprio procurava trabalho e não lhe faltava, numa economia sustentável, viajou, emigrou, viveu e trabalhou com outros povos e culturas diferentes enriquecendo-se e ficando de uma mente aberta para saber distinguir e separar o bem do mal, na industria onde trabalhou no seu país dava garantias e futuro económica-financeiramente sustentável para o seu fim de vida.
Agora olha para os netos de vinte e trinta anos, todos com 20 anos de escola, licenciados, mas continuam a passar o tempo mesmo que já la vão muitos anos: a pesquisar no telemóvel à procura de emprego??!!...... ou sentados durante o dia a apanhar banhos de sol, (foto direita em baixo) enquanto houver reforma dos avós...... porque a dos pais já não é garantida.....
Alberto questiona-se agora: quem o traiu foi a vida ou foram as pessoas?..........