sexta-feira, 27 de maio de 2022

Volta ao Portugal de hoje, de ontem e de amanhã: cronica 220 - continuação da 219


Grupo em Troia 1975- sou o ultimo lado esquerdo. 
    





 

 


                               Eu, em Albufeira em 1975


No verão quente de 1975, eu quis conhecer o país e fiz uma viagem volta a Portugal durante o mês das minhas férias

Nessa viagem que fiz por todo o nosso país nesse verão de 1975, muita coisa vi fora do vulgar e do normal do que seria normal se não estivéssemos nesse período tão conturbado.

Comecei essa viagem partido de Lisboa e seguindo pela costa alentejana, Costa Vicentina. Partimos de Lisboa um grupo que só me haveriam de acompanhar durante alguns dias, pois eles apenas tinham o fim-de-semana prolongado por causa de um feriado.

A primeira paragem foi em Troia, onde estivemos três dias e dormimos duas noites. Troia tinha interrompido o processo de progresso de expansão de turismo para todos, tinha supermercados para abastecimento dos turistas que ficavam nas habitações acessíveis aos menos endinheirados, a par dos hotéis mais caros para os mais endinheirados, mas com o 25 de Abril todo esse processo foi interrompido e no verão quente de 1975 já  estava quase tudo em autogestão.

No restaurante que antes era para os que pagavam caro, agora estava transformado em restaurante comunitário para todos, mas esses que podiam pagar o serviço e qualidade desse restaurante já tinham desaparecido de Troia, até os que não estavam habituados a restaurantes, muitos deles já tinham abandonado Troia, porque também não queriam aceitar aqueles regras comunitárias. Nós (os da foto) aceitávamos tudo porque estávamos de passagem, tanto eu como o meu amigo, que tínhamos terminado a tropa havia pouco tempo, até apreciávamos aquelas coisas divertindo-nos. As nossas companheiras é que se viam algo aflitas. Numa refeição que pedimos para o grupo e nos sentámos todos à mesa, os empregados já transformados em revolucionários, porque os empregados não revolucionários também já tinham partido, ao verem que nós estávamos com modos e maneiras de quem não estava envolvido no processo ideológico- revolucionário, um deles gritou-nos: lá de longe: Ó pá, olha que o 25 de Abril não foi feito para isto!!! Embora ainda houvesse por ali um ou dois empregados que serviam as pessoas respeitando-as.

Terminado esse fim-de-semana prolongado, todos os elementos do grupo, por razões profissionais regressaram a Lisboa e eu continuei a minha viagem.

No Algarve, fui visitar uma amiga minha de Lisboa, mas natural do Algarve e me tinha dado a morada para quando eu fosse por lá a fosse visitar em casa dos pais. Moravam numa Quinta mais para o interior, a filha, minha amiga não estava, também tinha saído de viagem e, nessa altura ainda não havia os telemóveis para nos comunicarmos onde quer que se estivesse, por isso, depois de não conseguir não aceitar almoçar, almocei em casa dessa excelente e simpatiquíssima gente que foi um dos melhores almoços da minha vida.

Um amigo meu, dias antes tinham-me dito que por esses dias estaria em Monte Gordo a passar férias com o seu grupo e tinha-me falado na Hotel que que já tinham reservado a estadia. Fui lá e lá estavam eles, era um grupo quase só mulheres, como eu naquele momento não levava nenhuma mulher comigo, fizeram questão de eu os acompanhar para o grupo ficar mais equilibrado.

À noite fomos para a discoteca, como é próprio do Algarve, eram mais estrangeiros/as que portugueses/as. A pista de dança estava quase sempre cheia de mulheres jovens nortenhas da Europa, envolveram-se no nosso grupo todas atrevidas e quiseram que nós portugueses as ensinássemos a dançar as músicas portuguesas. As jovens portuguesas do nosso grupo, ao verem as norte-europeias todas atrevidas, retiraram-se logo da pista de dança, algumas já eram formadas e outras eram universitárias, mas a juventude portuguesa e principalmente a feminina ainda vivia uma mentalidade de acanhamento, só aqueles que já tínhamos viajado pelo estrangeiro estávamos já mais desprendidos de preconceitos e hábitos de acanhamento.

Em resposta ao pedido das jovens norte-europeias nos terem solicitado que queriam que as ensinássemos dançar músicas portuguesas, o meu amigo que orientava o grupo foi ter com disc jockey  e disse-lhe que a partir daquele momento só podia pôr música portuguesa e que começasse pelo Corridinho do Algarve e a seguir o Malhão (esse amigo mais tarde haveria de ser Procurador da República numa cidade da Região). O disc jockey obedeceu prontamente, pois teria bem em mente o processo revolucionário que estava a decorrer em Portugal.

Passados uns dias, também cada um desse grupo foi para cada lado à sua vida.                                                                                                                                                                                                                   

Eu, segui a minha viagem pelo interior do país, fotografando tudo o que me aprazava fotografar, fazia paragens em qualquer sítio que que me despertava interesse, eu já tinha alguma experiência e prática de viajar e saber procurar os locais com mais interesse, passei pela Junqueira junto ao Guadiana, fotografando a ponte sobre o Guadiana para Olivença e que em tempos de guerras foi destruída. A nova ponte atual ainda não existia, e quis conhecer Olivença e suas gentes e também a Cidade que durante 30 anos foi portuguesa, Badajoz, e ver e fotografar as Portas de entrada, onde no portal D. Afonso Henriques partiu uma perna quando entrava no seu cavalo a alta velocidade, foi prisioneiro e depois teve de devolver a cidade aos castelhanos para ele voltar ao reino de Portugal.

Numa cidade do Alentejo, entrei no restaurante para almoçar, quando viajo, só ou acompanhado, gosto de ser dos primeiros a entrar no restaurante para almoçar, é-se mais bem recebidos e mais bem atendidos enquanto não há muitos clientes para atender. Mas nesse período revolucionário, se o dono do restaurante ocupasse uma mesa só com uma pessoa, corria o risco de ser considerado antirrevolucionário/reacionário e poderia ter alguém do partido que estava a chefiar o processo revolucionário e/ou militares do PREC a visitá-lo. Por isso, à medida que os clientes iam entrando e as mesas iam ficando preenchidas, os funcionários iam mandando sentar nas mesas que ainda não estavam completadas, nem sequer pediam autorização a quem já lá estava sentado.

Como eu fui o primeiro a sentar-me na minha mesa, a seguir coube-me um jovem casal, um pouco mais velhos que eu, mas a princípio pareciam ser pessoas bem formadas, que estavam habituadas a frequentar restaurantes bons, mas de início pessoas de poucas palavras. A mulher, postura de mulher fina e bem formada, não falava nem com o marido nem olhou uma única vez para mim, o marido, também de aparência culta mas olhava de vez em quando para mim demonstrando que teria vontade de meter conversa comigo, meti conversa com ele e a partir daí ele começou a falar e eu pouco mais tive a oportunidade de falar, tinha que esperar pela pausa que ele fazia quando já estava cansado de falar, para continuara a conversa e eu dizer uma palavra ou duas, mas ele cortava-me logo a palavra e recomeçava o seu discurso revolucionário que provavelmente já o teria feito vezes sem conta. Depois de me ter querido justificar o processo revolucionário que estávamos a atravessar e se declarar que deveria ser a URSS a tomar conta de Portugal, quis também mencionar alguns dos seus contributos para que o processo revolucionário chegasse a onde os mentores pretendiam. Quis começar por dizer-me que ele Engenheiro Técnico Agrícola, tinha iniciado a sua atividade como Regente Agrícola numa Herdade importante no Alentejo havia seis anos, e que no dia que estava a falar comigo já tinha entregado essa Herdade aos trabalhadores e, explicou como o tinha feito: Uma das manhãs apareceu na Herdade exibindo uma metralhadora G3, avisando os proprietários que teriam de entregar a Herdade e tudo o que lá estava aos trabalhadores, caso não o quisessem fazer, ele poderia fazer uso da arma que tinha nas mãos.

Os proprietários ainda quiseram oferecer resistência, fecharam-se em casa e ele foi ter com os trabalhadores da Herdade que já não trabalhavam, só pensavam que todos aqueles terrenos, toda aquela maquinaria, todos aqueles animais e o monte (as casas) em breve seriam deles.

O dito Regente Agrícola, que seis anos antes ao terminar o seu curso no Instituto Agrário, se candidatou e foi recebido pelos proprietários da Herdade com toda a dignidade que um formado numa Escola Superior merce, agora estava de ideias revolucionárias e queria mudar o mundo, tinha na sua mente que haveria de ser um dos comandantes da revolução e estava ali ao lado dos trabalhadores.

Depois de ter discursado para os trabalhadores parados e à espera que ele lhes dissesse quando é que passavam a ser definitivamente donos da Herdade, ele voltou de regresso ao monte e para dar o último aviso aos proprietários, mas ao aproximar-se das habitações onde estavam os proprietários, talvez pela cobardia que o dominava e sem saber qual a forma como deveria obrigar os patrões a cederem, disparou umas rajadas de metralhadora G3 para o ar por cima das casas dos patrões. Quando chegou à casas já só viu os patrões abertos e todos os familiares a fugir desesperadamente pelos campos fora e nunca mais voltaram. Foi assim que este revolucionário me quis contar à mesa  que casualmente se sentou à minha mesa, a forma com ele protagonizou um dos seus atos revolucionários. Percebi então, porque é que a sua mulher se manteve sempre calada, sem uma única palavra, provavelmente não nasceu nem foi criada, educada e formada para aquilo que estava a passar.

Quem passou por esse tempo revolucionário e se lembra da frase dita por um dos responsáveis do processo revolucionário que ficou na história (As armas estão em boas mãos) quando foi conhecido publicamente que andavam a  ser distribuídas armas, um dia eu descia a Rua Morais Soares em Lisboa e do lado esquerdo mais ou menos a meio da rua, ao passar, estava alguém entre uma porta e a oferecer armas G3 a quem passava e as quisesse levar. Nessa altura eu dava umas aulas a adultos, uma aluna que se identificava como revolucionária, disse-me que já lhe tinham dado uma G3 e andava em treinos, mas que era muito pesada e se calhar ia desistir!... ela até era filha de um militar de carreira, nunca mais vi essa pessoa, não sei o que lhe aconteceu.

quarta-feira, 18 de maio de 2022

Volta ao Portugal de ontem, de hoje e de amanhã: Cronica nº 219


Construindo pontes e estradas em Angola



Edifícios construídos pelos portugueses em África 


Cronica nº 219, continuação da Cronica nº 218

Também me disseram há alguns anos, que o país estava à espera que determinados elementos falecessem e suas famílias tivessem menos influencia nas decisões do poder, para depois iniciar processos de esclarecimentos de como se formaram determinadas riquezas pessoais e familiares.

Também numa visita turística no interior do país a uns engenhos hidráulicos históricos, alguém que conhecia a localidade, quis levar-nos a visitar uma fundação ao lado e explicou-nos todo o imbróglio da história daquela fundação e dos terrenos onde foi instalada, aquilo não lembrava nem ao diabo, neste caso teve mais a ver com Deus.

O nosso país e a nossa sociedade, desde há 500 anos se virou mais para o mar e menos para a civilização europeia, não foi por acaso que Salazar chegou a dizer, orgulhosamente sós. Os governantes desses tempos, mesmo já na segunda metade seculo XX ainda tinham um pensamento demasiado preso ao ultramarismo, não queriam aceitar que o mundo estava a mudar em passos largos e que Portugal era um país europeu e não podia fugir a essa situação. Depois,  Marcelo Caetano já trouxe outra forma de pensar, mas precisava de tempo para fazer a mudança, o país estava demasiado colado ao ultramar e não era fácil desprendê-lo assim de um momento para o outro.

 Angola, inícios da década de 70, já se vivia o clima de mudança iniciado por Marcelo Caetano, nas repartições publicas já era uma boa maioria de funcionários nativos locais, mas também havia alguns angolanos brancos que tinham dificuldade em aceitar isso, assim como também já havia escolas em todos os locais para as crianças mesmo nos locais recônditos do interior, também as populações locais se preparavam para a autonomia e a seguir a Independência. Disse-me um funcionário administrativo superior, negro e natural dessas terras, que queriam uma autonomia com o devido tempo para se prepararem para a Independência e que nunca aceitariam um padrasto em troca de um pai. Mas, embora contra a vontade de muitos africanos, aceitaram mesmo esse padrasto.

Mas os europeus, nascidos em Angola tinham um pensamento muito próprio, por vezes até um pouco discriminativo dos europeus não nascidos em Angola, por vezes não se sabia bem o que eles queriam para Angola, embora não todos, mas muitos chegavam a considerar-se uma sociedade à parte dos outros europeus não nascidos em Angola mesmo que já vivessem em Angola há muitos anos.

Os europeus residentes em Angola, mas não nascidos em Angola, também tinham a sua maneira de pensar e gostavam de ter a sua sociedade, depois de muitos anos a residir em Angola, gostavam de se fazer passar por naturais de Angola, alguns até deixavam de falar nas suas terras de origem Portugal ou noutro país europeus.

Por tudo isto, porque havia governantes portugueses que sabiam bem estas situações, queriam muito mais tempo para prepararem a mudança.

Fui mobilizado para Angola e cumpri o meu serviço militar centro e norte de Angola.  Na guerra de guerrilhas que se desenrolava e mantinha por algumas partes do território de Angola ia diminuindo de intensidade, meados de 1972 cruzei-me  em Luanda com um oficial das forças armadas portuguesas, que tínhamos pertencido ao mesmo batalhão onde eu cumpri o meu serviço militar, e ele disse-me que naquele momento já só havia focos de guerrilha em alguns pontos do território. Não foi por acaso que passados alguns anos depois da independência, um general das forças armadas de Angola disse numa entrevista a um canal de televisão, que se não tem sido a informação que oficiais das forças armadas portuguesas passavam aos movimentos de guerrilha, esses mesmos movimentos teriam enfraquecido muito mais cedo e até desistido.

Mas também havia muitos civis mesmo europeus e até nascidos em Portugal que já estavam havia muitos anos em Angola, que se manifestavam com hostilidade aos militares portugueses em Angola. Ouvi eu dizer numa cidade capital de distrito, a um dos maiores proprietários dessa região em Angola, que os militares só iam para lá para ir passar férias. Ora os militares que ele via por ali, eram militares que já tinham passado um ano a construir pontes e estradas em zona de combate, (junto foto eu junto às máquinas na hora de descanso e comer a ração de combate, mesmo aí, tínhamos que ter a G3 ao lado porque o perigo do inimigo estava à espreita) passando muito mal, por vezes tinham que beber a água dos charcos onde as pacaças (vacas bravas) bebiam, pisavam e defecavam, depois de encher o cantil, o médico obrigava a colocar os comprimidos dentro do cantil e era obrigatório deixar passar um determinado tempo para o comprimido fazer efeito, mas a sede por vezes era tão desesperada que não havia paciência para esperar e bebia-se mesmo assim, tinham que fazer operações de combate durante dias e noites a atravessar pântanos com a água a dar pela cinta, descer e subir serras e morros com a roupa a secar no corpo e até com crianças nativas às cavalitas, que foi o meu caso, em resgate e salvamento de populações nativas, porque para muitos angolanos, estas coisas já não existiam ou pensavam que já não existiam.



segunda-feira, 9 de maio de 2022

Volta ao Portugal de hoje, de ontem e de amanhã: Realidade e Factos - Nº 2

Uma imagem de Portugal
 

Tentando avistar o imenso Portugal







Continuação da nº 1

Nas obras aconteceu a mesma situação. Os que receberam os subsídios e depois de comprarem carro novo e renovar a casa, assim que acabaram os subsídios e não se podiam candidatar a outros até um determinado prazo, muitos deles emigraram e não voltaram, foi aqui que começou a fuga dos formados nas universidades portuguesas e ir para o estrangeiro trabalhar. Mas os que receberam somas elevadas de subsídios, faziam grandes anúncios publicitários através de órgãos de informação até dos mais conhecidos a anunciar grandes empreendimentos com planos bem detalhados e o numero de postos de trabalhos previstos, sempre surpreendente, começavam as obras fazendo o que seria preciso até receber boa parte dos subsídios ou a totalidade e depois arranjavam um motivo, já bem pensado anteriormente, paravam a obra e nunca mais recomeçou, todos nós conhecemos  casos destes.

Assim foi acontecendo até princípios deste seculo, e a partir de 2004/2005 já era visível e claro que uma queda brutal na economia iria acontecer a curto prazo, mas em Fóruns e Congressos, ainda havia representantes de instituições financeiras a dizer de boca cheia e sorriso largo, oferecer juros o dobro daqueles que se praticavam no mercado  por instituições solidas e bem geridas e administradas.

Passados três ou quatro anos, aconteceu a hecatombe financeira que já era prevista pelos mais reesposáveis e cuidadosos e as instituições geridas e administrados por aqueles que em 2004/2005 ofereciam os juros o dobros dos do mercado foram à falência e deixaram na pobreza milhares ou milhões de cidadãos que lhes tinham entregado as suas poupanças que eram o esforço do trabalho de uma vida inteira.

Muitos cidadãos se têm vindo a interrogar, então onde estavam as autoridades financeiras responsáveis quando desses que andavam a oferecer juros o dobro dos do mercado! Esses, quando o faziam, sabiam como o estavam a fazer e quais poderiam ser as consequências a sofrer.

Inicio da década de oitenta do seculo passado, tínhamos um professor que insistia muito connosco para que estudássemos a constituição a comparássemos com a constituição antes de 1976 e víssemos os direitos que tínhamos na nova constituição. Este professor, tinha-se-nos apresentado com a referência de que era marxista, Nós, que eramos todos adultos, trabalhadores estudantes noturnos, já conhecíamos um pouco da vida real e dissemos-lhe: Não adianta estar escrito na constituição, se depois o país não tem condições para poder cumprir o que está escrito! Por isso ,é que um ex-Chefe de Estado disse recentemente: O 25 Abril deu liberdade, mas não criou riqueza para a poder sustentar! Coisas mais sérias e responsáveis perguntámos a outro professor, porque havia alterações e manutenção de leis da constituição cessante para a nova constituição? Este professor, com bons anos de ensino respondeu: Os novos políticos retiraram da constituição cessante o que não lhes convinha a eles e mantiveram para a nova constituição o que lhes convinha a eles.

Assim, ao longo dos tempos, aqueles que queriam singrar através da malandrice, começavam por desmontar bem as leis deste país cheias de fugas, para verem quais seriam as fugas por onde poderiam escapar nas suas malandrices. E, é vermos o que lhes aconteceu a milhares de saqueadores do produto deste país e dos portugueses que trabalham para viverem melhor.

No início deste seculo, estava eu de viajem num país estrangeiro, e um cidadão desse país apontou para um enorme edifício em hotel e disse-me: sebe de quem é aquele edifício? Disse-lhe, não! Ele disse-me: é da pessoa tal, família tal, fiquei admirado como é que ele sabia a família e vida desse cidadão português. Esse cidadão português, pertence ao grupo daqueles que ele e seus familiares entraram para a política com uma mão atrás e outra à frente, esse já faleceu, mas seus familiares já foram apanhados surpreendidos por lhes dizerem que são proprietários de determinados bens e rendimentos sem que eles soubessem.


terça-feira, 3 de maio de 2022

Volta ao Portugal de hoje, de ontem e de amanhã: Nova Realidade 03-05-2022

Paisagens do país



Nova realidade

Estamos numa viragem de sociedades, que muitos de nós já nos vínhamos apercebendo desde há muito tempo. Sendo eu muito jovem, volta dos 20 anos de idade, década de 70 do sec. XX, comprei um livro numa livraria a quase 10.000 km de Portugal e ao lê-lo fiquei pensando infindavelmente, porque o que eu li nesse livro deixou-me bastante pensativo. O autor dizia que dentro de algumas décadas o mundo das sociedades, começaria a entrar em profundas mudanças, talvez que na idade da história moderna nunca teriam acontecido.

Eu, que desde pequeno me habituei a analisar as coisas, as pessoas e suas atitudes e comportamentos, não foi de todo estranho e surpreso, eu próprio já teria pensado e dito que estaríamos a caminho de uma grande mudança nas sociedades, notava-se uma grande diferença entre as pessoas, teríamos entrado numa pré-era de grandes mudanças. O autor do livro dizia que uma grande parte da responsabilidade das grandes mudanças, ele até falava em catastróficas, seriam os modos de civilização que se tinham estado a seguir desde o início do seculo XX.

Assim aconteceu, nos finais do sec. XX já começavam a aparecer fortes sinais e comportamentos que eram mais que evidentes, que este modelo de sociedade já não seria sustentável por muito mais tempo, no metropolitano da cidade, pequenos grupos de jovens que vinham das faculdades, agarrados ao varão da carruagem, diziam uns para os outros, qual seria a melhor forma de conseguir um subsídio, teriam acabado o curso e teriam de se lançar na vida do trabalho. Eu, que também tinha pisado o chão de uma faculdade mas como trabalhador estudante noturno, achava muito estranho a forma de pensar daqueles jovens.

O pensamento natural e quase como obrigatória desses jovens, seria como devolver à sociedade todo ou parte daquele capital que durante vários anos andaram a gastar à custa dos impostos que quem trabalhava pagava para o Estado para sustentar as universidades. É sabido quanto gasta ao erário publico um estudante universitário durante todo o seu curso, mas eles, pensavam em ir buscar mais capital que os cidadãos contribuintes tinham pagado de outra forma para esses fundos que sustentam os subsídios.

Por esses tempos, faziam-se estudos a nível mundial, como os jovens acabados de concluir o seu curso universitário, pensavam iniciar a sua vida de trabalho.

Estudo feito em cerca de 50 países por todo o mundo: nos E.U.A. 80% desses jovens pensavam iniciar a sua vida de trabalho a trabalhar em empresas privadas ou por conta própria e 20% preferiam ir trabalhar para o Estado. Em países asiáticos, as percentagens eram próximas, rondavam os 70%/30%. Na Europa, a nível de CEE/EU, variava de país para país, mas a média andava por 50% na iniciativa privado e o Estado, mas em Portugal só 20% pensavam na iniciativa privada e 80% preferiam o Estado ou com os subsídios.

Como se viu, os que se iniciaram nos subsídios, a grande maioria, como era corrente dizer-se na altura, ao receber o subsídio, depois de comprar carro novo e renovar a casa pouco ficava. Muitos de nós vimos com os nossos olhos situações de quem recebeu centenas de milhares de contos, chamavam umas máquinas abriam umas valas plantavam umas fileiras de árvores, iam por ali fazendo uns regos durante o tempo em que, caso desistissem teriam de devolver parte dos subsídios, mas assim que terminasse esse tempo abandonavam definitivamente a imaginária plantação. Por esses tempos eu percorria o país e com algumas idas a alguns países europeus e via o que muitas pessoas me diziam, que ainda havíamos de pagar bem pago essas situações. Uma amiga minha na área da ciência alimentar e produtores de produtos alimentares, disse-me que no Alentejo muitos foram esses casos, mas ainda houve alguns que ficaram e continuaram para continuarem a receber os subsídios, mas não tiveram muito sucesso porque eles vinham de situações que nada tinham a ver com a agricultura, alguns vinham de funcionários bancários, claramente o objetivo eram os subsídios.  O progresso e crescimento que houve na produção agrícola foi de quem tinha formação e experiência nesta área e se organizou  com planos a médio e longo prazo. (continua na próxima publicação)