sexta-feira, 26 de janeiro de 2024

Do Livro do mesmo Autor: Mistérios da Tapada - do Largo Luz - do Espaço Nobre. 2ª Publicação - 26-01-2024

Mistérios da Tapada

Mistérios da Tapada

 





2ª Publicação e Continuação da 1ª publicação.

Gilberto começou a trabalhar na mercearia e como já tinha bom físico, puseram-no a levar os caixotes das encomendas às costas a casa dos clientes e a trabalhar 10 /12 horas por dia, só lhe sobravam algumas horas para ir em alguns dias da semana às aulas e de seguida ia para casa estudar até à 01:00h da manhã, não tinha mais tempo para estudar.

Assim, procurou situação mais conveniente e encontrou numa fabrica trabalho que ainda ganhava mais e só trabalhava 8 horas diárias e era por turnos, por vezes lhe eram bastante convenientes para estudar.

Aplicou-se afincadamente e completou estudos suficientes para entrar na tropa como graduado, só que, entretanto, mudou a lei e quando ele atingiu a idade para ser chamado já era necessário muitas mais habilitações para fazer o serviço militar como graduado.

Gilberto provinha de uma família tradicional e que mantinha a sua cultura desde tempos muito remotos, tinha seis irmãos e 10 tios, 4 da parte do pai e 6 da parte da mãe.

Quando terminou a 4ª classe, Gilberto sendo um dos melhores alunos não pode ir estudar, porque já tinha um irmão e uma irmã a estudar e os pais não eram ricos, assim quiseram traçar-lhe o destino de ficar a trabalhar em casa, agricultura e criação de animais, pensavam os pais  que seria o seu futuro, mas Gilberto mesmo trabalhando no campo, sempre que podia lia tudo o que lhe aparecia à frente para ler, ás vezes encontrava bocados de jornais na rua e levava-os no bolso para, enquanto esperava um pouco pelo almoço, começava a ler, mas a mãe começava logo a dizer-lhe que ler não era a vida dele.

Também, quando já tinha 14 ou 15 anos e fazia algumas críticas de certas conversas que ouvia por ali, uma prima da sua idade chamava-lhe comunista. Essa prima estudava num colégio de freiras e provavelmente era muito influenciada por ensinamentos conservadores excessivamente. Gilberto ao ser apelidado de comunista ficava perplexo, nem sabia bem o que era ser comunista. Quando ouvia as pregações dos missionários que iam lá pela aldeia, depois lá em casa discutia esses assuntos e fazia as suas críticas, sua mãe era partidária das ideias desse padre pregador que consideravam demasiado progressista, mas a prima continuava a chamar-lhe comunista, mas também havia mais pessoas da aldeia que concordavam com as ideias progressistas do padre pregador, a mesma prima também chamava comunista ao padre pregador.

Gilberto, tinha partido da sua terra assim que completou os 17 anos, idade legal para poder trabalhar independente e remunerada, não esperou mais e rumou à cidade.

Como seus pais e irmãos não queriam que partisse, embora só tivesse 17 anos, mas já era o principal trabalhador lá de casa, lavoura e animais, se ele fosse embora deixava de haver produtividade para enviar dinheiro para o irmão e a irmã que estudavam.

Esta família ainda praticava a cultura de sacrificar uns para beneficiar outros.

Gilberto insistiu ir embora, e saiu de casa com muito pouco dinheiro no bolso.

Após começar a ganhar dinheiro, começou logo a enviar dinheiro para os pais.

Ao iniciar o serviço militar, devido às suas provas físicas e dedicação, foi chamado para especialidade, que concluiu com boa classificação porque passava sempre à primeira nos testes e até lhe ficava tempo livre enquanto muitos outros repetiam os testes para conseguir passar.

A ida para o Ultramar seria mais que certo porque Gilberto devido à sua especialidade viu que difícil escaparia a ser mobilizado e para que não acontecesse como alguns seus conhecidos que passaram muito tempo e só depois é que foram mobilizados, Gilberto meteu o requerimento para ser chamado e escolheu para onde ir e foi aceite e partiu para Angola.

Em Angola, foi deslocado de seguida para zona de intervenção onde permaneceu durante um ano.

De regresso á cidade, inicia de imediato os seus estudos, que passado pouco tempo estudava e dava aulas técnicas da sua especialidade e ainda fazia trabalhos para uma companhia aérea que lhe duplicava os eus rendimentos e lhe permitiu fazer algumas viagens aéreas a outros países que de outra forma nunca teria podido fazer.

Findo o serviço militar passou dois meses a Portugal e começa a viajar por outros países e continentes para conhecer melhor. Onde quer que se fixasse e começasse a trabalhar, recomeçava de imediato os estudos, ocupava em média 14 horas por dia, trabalho e estudos, conseguindo ainda tempo para fazer viagens locais a título de conhecer povos e culturas, por vezes era mesmo o organizador das viagens que até atravessavam fronteiras.

De regresso a Portugal e arranjar trabalho, inicia seus estudos de ingresso no ensino superior, mas neste período pós-revolucionário era difícil estudar em Portugal, porque os “estudantes” especialistas em passar com truques não precisavam de estudar para passar nos exames, chegavam a dizer aos professores, ou os passavam ou lhes punham uma bomba debaixo da secretária, mas não deixavam estudar quem queria estudar, por isso, para quem quisesse estudar a sério,  que era quem trabalhava, de dia e estudar à noite era muito difícil.

Gilberto passou para o ensino particular e sempre como estudante noturno concluindo a sua licenciatura., tirando uns cursos de formação e especialização profissional para mais se valorizar.

Foi agora ao ter de ler o Capital de Marx nos seus estudos, que Gilberto ficou a saber o que era um comunista, mas a sua prima quando ambos tinham 17 anos e ela lha chamava comunista, ela não faria a menor ideia do que era um comunista. Esta prima, na revolução do 25 de Abril de 1975, haveria de aderir a um partido político comunista com todas as letras – Marxista-Leninista-Estalinista, mantendo-se sempre militante deste partido.   

Gilberto voltou a procurar o Largo da Luz, que mantinha ainda uma boa parte do movimento dos seus tempos de inicia da juventude, e, aqui reencontrou a mulher que haveria de ser a mulher da sua vida.

Lena, que aí se iniciou como estudante do secundário, mas quando Gilberto de regresso, Lena já frequentava a universidade.

O Largo da Luz, ainda mantinha uma parte do ambiente de tempos antes da revolução, porque seus frequentadores não se deixaram imbuir nos excessos da revolução da abril, mas com a revolução a decorrer em Portugal tudo estava a alterar abruptamente e não raras as vezes que alterava para muito pior. 

VERA, começou a frequentar o Largo Luz quando tinha 18 anos, tinha vindo do interior e estava temporariamente em casa de familiares a tentar a sua sorte, caso não conseguisse voltaria para a terra.

Quando partiu da terra, vinha no sentido de tirar o curso de auxiliar, que por esses tempos se fazia muito e chamava muitas jovens, que não tinham sido bafejadas pela sorte de ter prosseguido os estudos depois da 4º classe, e queriam fugir aos trabalhos pesados do campo.

Logo de início, as coisas não estavam a correr tão bem e tão depressa como ela pensava e começou a mudar de ideias porque o problema principal eram os recursos financeiros que se estavam a acabar e não tinha fonte de rendimentos que a pudesse ajudar, então, mudou de ideias e decide procurar atividade que fosse remunerada logo de inicio.

Assim que pode dar início à atividade remunerada não perdeu tempo, mas deslocava-se diariamente 20 km de transportes públicos para trabalhar como empregada têxtil numa pequena fábrica, onde encontrou uma responsável que lhe dava toda a formação laboral e ainda conselhos sociais, vendo que se tratava de uma jovem ainda muito jovem e poderia perder-se no meio urbano e citadino.

Assim que começou a frequentar o Largo da Luz (LL), Vera gostou e continuou, embora não fosse por lá com muita frequência porque o seu trabalho profissional não dava muitas folgas, só um dia por semana poderia ir por ali, mas como gostou do ambiente, achou que era ali que se sentia bem, embora fosse iniciada, mas via que as pessoas que por ali frequentavam, estavam de acordo com o seu pensamento, alegres, não muito exigentes, tolerantes e divertidas.

Nas conversa que ia tendo com as pessoas ia ouvindo coisa que era o que ela pensava há muito tempo, ser uma trabalhadora-estudante. Falou com quem lhe inspirou mais confiança e deu início aos seus estudos pós 4ª classe para o 2º ciclo.

Embora fosse um pouco reservada, mas não tinha dificuldades em ser ouvida pelos novos amigos do LL, era uma jovem, embora ainda provinciana, mas era atenciosa e respeitadora, não criava atritos com ninguém, embora gostasse de selecionar as amizades, são os princípios da cultura que se bebe na criação no interior.

Nos primeiros exames saiu-se bem para o que ela esperava, não se tinha aplicado nos estudos, porque pensava que era a brincar e que mais tarde ou mais cedo iria desistir, no trabalho exigiam-lhe muito, não chegou a criar rotina de estudo e achava que o mais importante era trabalhar para ganhar dinheiro para mais tarde constituir a sua vida familiar, marido e filhos.

Mas como passou à primeira nos exames e segundo disse, ainda ajudou um colega de exames que estava com dificuldades, que nunca o tinha visto, mas ela tinha o princípio de ajudar quem podia.

Achou-lhe gosto e não perdeu tempo a matricular-se para o ano seguinte para o 3º ciclo.

Mas agora já encarou a situação com mais responsabilidade, que já tinha de ser a sério e organizou-se nesse sentido. No trabalho as coisas também não lhe estavam a correr mal, era aplicada, gostava de trabalhar e cedo deu nas vistas em quem a liderava, por isso, a remuneração também ia aumentando.

Agora que já se sentia mais confiante e enquadrada naquela sociedade, já não olhava para os outros que eram quase todos mais velhos, como sendo uns sortudos na vida, tinham trabalho, tinham independência financeira e ainda se estavam a valorizar literariamente, agora também já acontecia com ela própria, até achava que lhe tinha saído a sorte grande, confidenciava a quem com quem tinha criado amizades íntimas e confidentes.

O Largo Luz continuava cada vez mais procurado, estávamos numa época de muita migração do interior para os grandes centros urbanos. Houve localidades do país, que mais de metade da população jovem com menos de 40 anos migrou para os grandes centros urbanos, quase que estavam a criar bairros próprios em que a população era maioritariamente de uma localidade do interior do país. Estas pessoas vinham todas ao mesmo, ter a oportunidade de ganhar dinheiro e valorizarem-se em habilitações literárias.

Embora nem todos tivessem a iniciativa de se iniciarem nos estudos, sobretudo para os que já tinham uma idade mais avançada e assim que se apanhavam com a situação laboral garantida pensavam logo em dar início à sua família própria, casar.

A Vera era de terras distantes, por essa altura as estradas ainda não eram muito boas as deslocações à terra tornavam-se em muitas horas de viagem e maçadoras, por isso, Vera ficava muitos fins de semana sozinha num apartamento que tinham alugado com uma colega que costumava ir passar fins de semana a casa de uns familiares mais próximos.

Vera também era uma jovem alegre e gostava de se divertir, sempre que se lhe proporcionavam programas de diversão não os rejeitava.

Os anos iam passando, num arraial de uma festa no fim de um comício político não resistiu aos encantos e chamamentos de um elemento da Banda musical, para o qual ela já olhava insistentemente havia longo tempo e já estava caidinha por ele.

Ao elemento da Banda, homem já maduro e experiente nestas andanças não lhe foi muito difícil ler nos olhos de Vera o quão ela estava a ficar caidinha por ele e ainda nessa noite passaram um momento íntimo de amor e sexo.

Vera nunca mais viu o primeiro homem da sua vida, que a tinha seduzido aquela noite, mas decorrido o tempo necessário, Vera percebeu que estava grávida.

Foi muito complicado para Vera, pela primeira vez que teve um homem e ficou grávida logo à primeira e nunca mais veria esse homem, ela e uma irmã, secretamente só entre as duas, deram início à procura desse homem, mas desistiram porque não conseguiram quaisquer indícios e rasto desse homem. Na Banda, disseram-lhe que tinham contratado esse músico só nessa noite, e não souberam mais desse homem.

Vera, chegou a viajar com o irmão no carro dele à terra visitar a família, estando grávida sem que o irmão e a família soubessem, só ela e a irmã mais velha a seguir a ela sabiam, o irmão, que era quem a estava a financiar no curso, não podia saber, senão, sem dúvida que seria o fim do mundo, para alem de lhe retirar de imediato o apoio financeiro no curso.

 Vera, de formação católica profunda, a hipótese de aborto estava posta de parte, o nascimento da criança tornar-se-ia também muito complicado, pois ela era a do meio de três irmãs, e o irmão, o único rapaz, que era o mais velho, já com quase trinta anos, tinha uma posição social reconhecida e ao saber que a irmã estava grávida, e ter sido numa festa no fim de um comício politico e por um homem que ela nunca o tinha visto e nunca mais o viu, mesmo tendo em conjunto com a irmã ido à procura dele mas nem sinais nem indícios conseguiram, para o irmão seria um choque muito forte, para alem de gostar de todas as irmãs, a Vera era a preferida dele, tanto que não hesitou em financia-la no curso.

Estes quatro irmãos tinham uns pais, que o pai não se metia muito na vida das filhas, não acompanhava muito a vida pessoal das filhas desde que se tornaram adultas, mas a mãe sim, queria saber tudo ao pormenor da vida das filhas, dizia ao filho que ele tinha a responsabilidade de 2º pai das irmãs fora de casa dos pais, na sua terra natal não deixava as filhas ir para um baile à noite, se não fossem acompanhadas pelo irmão.

Vera, com a irmã por perto, inicia então um período de reflexão e ponderação.

O mal já estava feito, a criança continuava a desenvolver-se no ventre da mãe, mesmo usando cintas, e como ela era uma jovem não muito alta e magra, tornava-se difícil continuar a esconder a gravidez.

Os testes provavam que era uma criança saudável, Vera movimentava-se bem nos meios de enfermagem onde tinha conhecimentos, já não era menor, já tinha 22 anos, alegar que foi por violação e contra a vontade dela para poder justificar o aborto não era fácil provar.

Restavam-lhe duas hipóteses: abortar clandestinamente ou deixar nascer a criança.

Nascer a criança ia por completo alterar toda a sua vida, para além dos tumultos que causaria em toda a família e as consequências que daí adviriam.

O aborto voluntário era proibido e considerado crime, a gravidez de Vera não estava contemplada por nenhuma das condições em que a lei permitia abortar.

Assim, abortar ou deixar nascer a criança, alguma das opções Vera tinha de tomar, mas uma das duas tinha de ser tomada e sem demora.

Vera, como se movimentava nos meios de enfermagem, ganhou coragem e optou pela do aborto, conseguiu abortar sem riscos de saúde e o assunto ficou secreto só entre ela e a irmã que a ajudou na situação.

Fim da 2ª publicação - continua na próxima publicação.

 


quinta-feira, 11 de janeiro de 2024

Do Livro do mesmo autor: Mistérios da Tapada, do Largo da Luz, do Espaço Nobre 1ª Publicação - Cronica 242

Largo da Luz

Espaço Nobre

 

COMEÇAVAM a aparecer os dias radiantes com um sol quente da primavera, uns dias depois da Páscoa, convergiam de todo o país.

Com a Tapada por perto, o Largo da Luz já era conhecido, os grupos de jovens iam chegando e aglomeravam-se frente ao cinema e um dos centros comerciais mais modernos do país e, segundo diziam, o cinema  era também dos mais modernos do país e até da Europa, tinha sido inaugurado havia poucos anos e começava a era dos luxos nas instalações das casas de espetáculos.

Não havia artista famoso que não quisesse atuar nesta casa de espetáculos, não era das maiores mas começava a criar fama, até o nome era igual a um dos mais famosos da Europa, quem fosse convidado a atuar neste nesta casa de espetáculos, era um salto para o futuro.

Todos os dias ao fim da tarde no Largo da Luz frente ao cinema, os grupos de rapazes e de raparigas, apareciam separados, mas logo se começavam a misturar, todo o tempo era para dar atenção aos movimentos de cada um ou de cada uma e, ao mais pequeno sinal, os convites á distancia não tardavam, eles não se faziam rogados e avançavam, sempre com postura de respeito e consideração.

Os mais atrevidos, eram os primeiros a avançar, passado pouco tempo, quase todos os pequenos grupos femininos ou masculinos estavam transformados em maiores grupos mistos, era o que todos eles e elas pretendiam e mais desejavam.

Alguns deles já se conheciam de outras tardes também ali, mas outros era a primeira vez que por ali apareciam vindos do interior do país, por obrigações de missão ou para tentar uma nova vida.

Alguns ainda na menoridade, mas já com físico de adultos, não se deixavam menosprezar pela aparência física e queriam era passar por adultos, tanto os rapazes como as raparigas.

 Todos os nomes aqui utilizados são fictícios, não tendo nada a ver com as figuras que representam.

Durante as tardes dos dias da semana, o movimento não era por demais, mas aos fins-de semana os grupos à distância debaixo dos jacarandás no meio da praça, também junto à ribeira, o som das vozes misturado com o grasnar dos patos bravos chamava à atenção.

A grande avenida, sendo uma das mais compridas de Portugal, com pontes seculares por onde teriam passado figuras importantes nas suas charretes mesmo ainda antes da era do automóvel, figuras que ficaram para história, incluindo figuras nobres.

A construção habitacional na zona estava em franco desenvolvimento, a demografia do país era sustentável e promissora, assim, juventude para aparecer nas regiões do país que estivessem em franco progresso e desenvolvimento, não faltaria.

Muitos destes jovens que frequentavam o Largo da Luz ao fim da tarde, eram os jovens que não tinham tido oportunidade de prosseguir a escola depois do ensino obrigatório que era a 4ª classe.

Assim, estes jovens logo que atingiam os 14 anos, que era a idade que podiam começar a trabalhar legalmente – porque na prática já tinham começado a trabalhar logo que saíram da escola primária, muitos deles partiam rumo aos centros urbanos à procura da nova vida, mas faziam-no não como considerando-se uns poucos bafejados pela sorte, porque a sorte não pode chegar para todos, mas sim cheios de esperança e boa vontade à procura da sua oportunidade para lutarem pela sua vida, pelo seu futuro.

Por isso, eles sabiam gerir tão bem o seu tempo que lhes dava para tudo: para trabalharem 10 horas por dia, para se divertirem e também, parte deles inscreviam-se logo numa escola e começavam a estudar à noite, passavam a ser trabalhadores-estudantes noturnos.

A urbe que rodeava o LL crescia em ritmo acelerado, as habitações que todos os dias ficavam prontas para serem habitadas, não faltavam casais jovens acabados de formar, e outros casais vindos de todo lado à procura da sua nova vida, regiões do país houve que ficaram reduzidas metade da população, depois das partida da outra metade para os centros urbanos. De ano para ano a população aumentava exponencialmente por estas redondezas, muitos dos jovens que frequentavam o LL, trabalhavam por turnos, começavam muito cedo, mas também terminavam muito cedo, dava-lhes, para nuns dias ir para a diversão, outros teriam de ir para as aulas onde frequentavam os seus estudos.

Agora, os habitantes jovens desses tempos, ao passarem por ali, têm destas exclamações: um casal jovem desses tempos mas que agora é sexagenário disse para quem os acompanhava: Quando nós eramos jovens,  a esta hora aqui neste local, era uma gritaria de crianças e jovens a brincar cheios de alegria e os bancos cheios de adultos a olhar para aquela juventude que se desenvolvia alegremente e saudavelmente, hoje, não vejo ninguém, só o barulho do vento na folhagem das árvores.

Então, pergunta-se: se a população duplicou nesta zona, onde estão as crianças?...

Em 40 ou 50 anos nestas localidades a população duplicou ou mais, o nível de escolaridade é muito superior, quase todos os jovens têm acesso à universidade, só os que desprezam essa oportunidade é que não chegam à universidade, já não precisam de ser trabalhadores-estudantes noturnos.

Então onde está o problema? Que problema existe? Será só nestas localidades ou será em geral por todo o país?

O problema é geral e nacional.

A população em Portugal desde há 40 anos não aumentou muito, simplesmente se deslocou, migrou.

Na década de 70 do sec. xx Portugal tinha cerca de 10.000.000 (milhões) de habitantes. Agora, na terceira década do sec. XXI, Portugal tem cerca de 10.000.000. (milhões) de habitantes.

Então que fenómeno se está a passar?

 O ESPAÇO NOBRE já era conhecido há muito e era recomendado por informação bola de neve, tinha fama, era frequentado pela classe média e média alta. Os da classe media baixa, os mais afoitos e atrevidos também iam por ali à procura de conhecimentos, principalmente por aquilo que ouviam dizer deste espaço.

Em edifício histórico e monumental, zona nobre da cidade, dois amplos pisos e escadaria larga ao meio, alguns a apelidavam de 2ª assembleia da república.

Algumas cátedras ficavam por perto, mas mesmo das que ficavam longe, não faltava quem viesse para este espaço único.

Horas do dia e quase todo o dia aos fins de semana, enchia-se por completo, não só de aspirantes a doutores e engenheiros, como também de outros consumidores de leitura de todos os géneros.

Também um bom número de madames de todas as idades, que se queriam regalar de ter pela frente alguém que nunca se cansavam de manter a vista em cima, sabe-se lá por onde andava o pensamento, quando chegava a hora do lanche, elas chamavam o empregado em voz alta para darem nas vistas, pronunciado demoradamente que queriam o seu chá e bolo acabado de fazer com o respetivo garfo e colher, não deixavam de dar a olhadela por baixo e de lado para as mesas onde vissem só homens jovens.

No Espaço Nobre, de tudo poderia acontecer um pouco, estava-se numa fase da sociedade que a sociedade pulava de dia para dia com situações novas e inimagináveis, desde o homem que colocava na tribuna palco de espetáculos, a gritar por: general vasco Gonçalves e almirante Pinheiro de Azevedo, ao elegante par de figuras cinematográficas que apareciam quase diariamente para se mostrarem aos presentes.

Ele, também ex-aspirante a engenheiro, mas já quase a terminar, algum neurónio deixou de funcionar, ela, vestida de freira, mas jovem elegante de cara rosada com cores provincianas, mas vestida de freira dava uma elegante e rara irmã.

Como eles se conheceram… o José, depois de ter dado por concluída a apirância a engenheiro, o sustento também lhe faltou e recorreu à casa de caridade que era gerida pela responsável freira que também, depois de ter concluído a sua engenharia, concluiu também o seu destino, seria servir e ser útil a quem precisaria pela via da caridade divina.

Assim, ao ver José em tal situação não foi difícil compadecer-se dele e disponibilizar-se para sua companhia em momentos de mais dificuldades, e, José que ainda não tinha todos os neurónios avariados, não perdeu tempo a aproveitar a oportunidade que se lhe deparara.

De imediato passou a convidá-la para que o acompanhasse a passar pelo local onde teria passado anos a derreter os neurónios, mas que quase nos últimos, alguns fundiram e parou.

Agora não dispensava de passar por lá regularmente, que seria o seu equilíbrio fundamental, mas na verdade, ele queria mostrar aos ex-colegas que não tinha ficado passado de todo e, ainda havia quem acreditasse nele.

José e a bela irmã, ao princípio apareciam sempre ao lado um do outro, muito próximos mas sem se tocarem, mais tarde a bela irmã não teria conseguido resistir à insistência de José e cedeu a aparecerem der mãos entrelaçadas, também seria uma obra de caridade, ter compaixão de quem precisa e quer, terá pensado a irmã.

Os frequentadores e utilizadores habituais do Espaço Nobre mais recém-chegados, faziam dele como se fosse espaço de receção dos seus amigos e familiares vindos das suas origens quando os vinham visitar, recebê-los neste espaço, dava-lhes elevação social, seus conterrâneos ao verem-se naquele meio, viam também o caloiro como um futuro doutor garantido e de futuro promissor, seria um futuro conhecedor dos meandros e segredos da vida da capital.

 GILBERTO, foi um dos que conheceu o Largo da Luz, depois de ter vindo do interior do país para essa zona com o objetivo de começar a estudar, porque com mais cinco anos teria de cumprir o serviço militar, a sua intenção era conseguir habilitações literárias para integrar no serviço militar como aspirante a graduado.

Foi-lhe oferecida habitação e estadia em casa de familiares, que também deveriam favores à sua família na terra de origem, mas passado pouco tempo, foi-lhe pedido pagamento da sua permanência na mesma habitação.

Assim, Gilberto ou regressava à terra ou teria de arranjar forma de sustento para pagar a sua residência.

Não quis regressar à terra e optou por conseguir um trabalho que lhe daria rendimentos para se manter a estudar onde já estudava, mas abandonou a residência familiar e foi para outra que lhe era mais em conta.

Com os conhecimentos e amizades que foi obtendo, conheceu o Largo Luz nas redondezas.

Gilberto, depois de conhecer o ambiente do Largo da Luz e lhe ter agradado, não demorou em se integrar, era mesmo este ambiente que lhe interessava, matar saudades do seu provinciano estando no meio citadino.

Gilberto tinha vindo da aldeia para a cidade para estudar, conhecer novos mundos também era uma das suas opções e não perdia uma oportunidade sempre que se lhe deparava, o conhecimento através de viajar chamava por ele, seria uma parte da vida que ele procurava w não desperdiçaria sempre que lhe surgisse oportunidade para isso.

Gilberto nunca tinha visto um filme para adultos, no Largo da Luz, os cartazes anunciavam filmes dos mais evoluídos e, quase sempre só para adultos ou maiores de 18 anos.

No BI, Gilberto ainda não tinha 18 anos, mas já com físico de adulto e acompanhado por quem já era maior de 18 anos, conseguia entrar sem ter de mostrar o BI na bilheteira.

O filme não era dos mais atrevidos, simplesmente mostrava o casal em movimentos de fazer sexo debaixo dos lençóis e apenas se viam os movimentos, mas para a época já era considerado novidade e atrevido.

Fim da 1ª publicação – publicada em 11-01-2024

 

 


quarta-feira, 22 de novembro de 2023

Volta ao Portugal de hoje, de ontem e de amanhã -- Crónica especial - o Pedro - 22-11-2023




O PEDRO

Pedro (nome fictício), adolescente de 14 anos, quase todos os dias desde muito pequeno, via terras de Espanha, até de uma pequena janela do seu quarto onde dormia com seus irmãos. Assim que acabou de se levantar e metro a cabeça por essa pequena janela, logo a seguir aos seus terrenos e montanhas mais afastados e os vinhedos de Portugal, lá estavam as encostas de terras de Espanha a perder-se no horizonte, mesmo antes de partir para a escola todas as manhãs, era a primeira paisagem que lhe dava cirurgia pela frente. Ouvia falar de gente de Espanha que lhe deixou curiosidade, até tinha um tio-avô casado em Espanha, que não teria filhos e Pedro ainda poderia vir a herdar parte dos seus bens em Espanha.

Com 14 anos, surge-lhe a oportunidade que tanto desejava, ir a Espanha passar uns dias. Como já tinha físico de adulto, um grupo de amigos já adultos, ofereceu-lhe a possibilidade de os poder acompanhar e a passagem para Espanha seria durante a noite atravessando o Douro a nadar.

Durante a noite, já junto ao rio correndo cheio com as águas de algumas Turbinas da Barragem a funcionar, os outros já com experiência de atravessar o rio durante a noite, disseram-lhe muito vagamente como desviar atravessar o rio nessas condições. Despiu toda a sua roupa e atou-a à cabeça, os outros lançaram-se ao rio, mas Pedro um pouco atrapalhado pela primeira vez a atravessar o rio e de noite, segue-os, mas atirou-se de salto para a água e fez muito barulho. Já um pouco atrasado dos outros, já só vejo o foco de uma lanterna em cima dele vindo de Espanha e ouve uma voz dizer: traz cá a escopeta! Era um espanhol que estava a dormir na sua vinha a guardar as uvas, era habitual alguns portugueses irem de noite às uvas a essa vinha. Pedro, ao ver-se nessa situação e já estava para lá da veia d`água, segue os conselhos que os outros lhe tinham dado, caso se visse em apuros, deixe-se levar pela água até estar em águas mais mansas, assim fez e foi parar a centenas de metros de distância de onde se desviou da água. Os outros, não os viram mais, pensaram que Pedro se assustou e voltou para trás. Ao sair da água, Pedro tinha a roupa toda molhada, não dava para o vestir, sonoro com ela nas mãos até o ponto de encontro que tinham combinado caso se perdessem uns dos outros, mas esse trajeto era pelo meio de penedos e arvoredos cheios de espinhos, ficou todo arranhado nas pernas e parte do corpo. Ao chegar lá nem vê-los, pensei que Pedro se teria incomodado e voltado para trás.

Era um cruzeiro no meio de um cruzamento de estradas em cima de uma base redonda com três degraus, seria cerca das duas da manhã, Pedro já um pouco cansado, sentou-se na base do cruzeiro, surgiu uma luz de automóvel e Pedro clamou- se, o automobilista ao reduzir a velocidade junto aos cruzamentos atraídos de contornar o cruzeiro que fazia de rotunda, apercebeu-se que estava ali um jovem, parou e viu que estava só com a roupa amarrada em volta do corpo tapando só as partes íntimas, Disse em espanhol a Pedro o que estava ali a fazer, Pedro como não percebeu nada de espanhol, ficou a olhar calado mas viu que dentro do carro seguia uma senhora ao lado do condutor, mais atrapalhado ficou por estar naquele estado, o condutor ainda pensou que se trataria de alguém perturbado mental, insistiu novamente questionado se era português mas já em português, Pedro disse-lhe que sim, o condutor observa que não se trataria de alguém perturbado mental e disse-lhe que entrasse no carro para o banco de trás . Pedro ainda hesitou com a vergonha de como estava, mas não podia perder aquela oportunidade, porque outra não poderia vir.

Seguiram de carro até a localidade mais próxima, Villarino. Junto a umas vivendas o carro parou e o condutor saiu mais a senhora que o acompanhava e disse para Pedro sair também, disse-lhe para entrar num anexo da vivenda e para esperar, onde estava uma cama, chegou com uns panos para lhe limpar o sangue , umas pomadas e fez-lhe tratamento, disse-lhe se tinha fome, sempre a falar num português perfeitamente compreensível para Pedro, Pedro disse-lhe que não. Então, disse-lhe para dormir descansado até de manhã.

De manhã, apareceu uma jovem mulher (a empregada) com comida para Pedro, de seguida chegou o homem que o tinha socorrido e disse a Pedro para onde queria ir, Pedro disse-lhe que ia para a festa dos touros de Formuselho. O homem disse a Pedro que ia trabalhar no hospital (era médico) mas estava para o lado oposto a Fermuselle. Assim, como Pedro era jovem, em pouco tempo chegaria lá a pé. A esposa do médico, disse com sorriso para Pedro, que quando voltasse por ali lhe levasse um quilo de café português, porque era melhor que o café espanhol. Partiram e não os viram mais.

Pedro inicia uma caminhada em direção a Fermuselle, impunha-se agora a travessia de mais um rio, o Tormes, afluente do Douro do lado de Espanha. A visão que Pedro tinha vista de Portugal de toda aquela paisagem, era quase plana entre as duas localidades, Villarino e Fermuselle, mas no terreno era muito diferente e bem mais acidentada, morros e baixos fundos a contorno, descida e subida das margens quase verticais e fundas do rio Tormes ao fazer todo esse percurso. Por campos e caminhos rurais, Pedro tentava passar o mais desesperado possível, evitando qualquer aproximação e contato com as pessoas que andavam a trabalhar nos campos, para não ter de falar e denunciar-se que era português perdido.

Já em Fermuselle, consegui encontrar portugueses, eram muitos, tinham ido à festa dos touros, cruzou-se com os que o tinham deixado no rio, não quis mais nada com eles. Rápido se integrou num grupo mais ou menos da sua idade. À noite, havia que dormir, mas o dinheiro não abundava pelos bolsos, o seu grupo, soube da informação de que o Alcaide teria posto à disposição um casarão escola para os portugueses poderem dormir lá.

Apareceram muitos portugueses para dormir na escola, não caberiam lá todos, o Alcaide decidiu que ficava exclusivo só para mulheres, uma prima de Pedro, embora afastada, que era professora, ali quis valer-se do parentesco, chamou Pedro e disse à organização que não conseguiria ficar ali toda a noite sem ter alguém conhecido por perto, a organização aceitou que Pedro dormisse também na escola junto da professora, o salão estava lotado, dormiam em cima das mesas carteiras e dos bancos onde os alunos se sentavam.

No dia seguinte, havia mais um dia de festa. À noite partiram para Portugal, todos tinham passado para Espanha a salto, de regresso continuaram de passar também a salto. O grupo era grande, não era fácil iludir as autoridades fronteiriças, espanholas e portuguesas, tiveram sorte porque foram informados que por volta das 04:00h da manhã, as turbinas da barragem parariam de trabalhar, o rio ficaria com pouca corrente e seria possível atravessá -lo a pé em qualquer site.

Assim aconteceu, era um grupo grande, sabiam muito e o silêncio seria fundamental para fazerem a travessia do rio para Portugal, mas faziam muito barulho, alguns já vinham tossindo por terem estado várias horas parados deitados dos muros e fragas de papo para o ar a apanhar orvalheira, Pedro foi um deles e de regresso a Portugal, precisou de várias semanas para se ver livre da grande constipação que apanhou.

Pedro não esqueceu o que a mulher do médico que o salvou disse. Mais uma vez teria de ir para Espanha clandestinamente em relação à família e às autoridades fronteiriças. Aproveitou novamente uma festa em Espanha, mas desta vez já bem organizada e lá foi com o quilo de café para a senhora. A senhora quando o viu, disse-lhe que ela lhe tinha dito aquilo a brincar, mas em todo o caso agradeceu-lhe muito e disse-lhe que sempre que fosse a Espanha os fosse visitar.

Alguns anos depois, Pedro, mas agora já de automóvel e o falar espanhol suficiente, foi visitar o homem que o tinha socorrido da maior aflição que já tinha apanhado na sua vida. Já não estavam lá, tinham sido transferidos e ninguém lhe soube dizer ao certo para onde tinha ido o médico que o tinha socorrido da primeira grande aflição da sua vida, mesmo que fosse em Madrid, Pedro teria ido visitá-los.

Américo Martins

quinta-feira, 26 de outubro de 2023

Volta ao Portugal de hoje, de ontem e de amanhã - Crónica dos Tempos - 26-10-2023

 









CRONICA DOS TEMPOS – 26-09-2023.

Os anos passam, a vida muda, os pensamentos mudam, fisicamente também mudamos, mas nos pensamentos, uns mudam mais outros mudam menos e, nada como ir ao BAU buscar aquelas fotos que muitos já nem sabem que existe ou até se existiram. Certo é que, elas existem e perduram nos tempos, para hoje nos podermos confrontar com elas, ver em que mudámos e no que não mudámos.

Uns/umas, provavelmente já não se lembrarão destes momentos, por muito interessantes que tenham sido quando aconteceram, mas a vida dali para a frente também não foi igual para todos, passaram muitos anos, eramos jovens na flor da juventude, não sabíamos e nem quereríamos saber o que nos esperava dali para a frente porque o futuro é sempre uma incerteza e das incertezas muitos têm medo.

O que queríamos era viver aqueles tempos, com a responsabilidade de uma juventude responsável.

Hoje, aqueles que mais nos lembramos desses tempos, ao fazer uma retrospetiva no tempo, até ficamos um pouco banzados.

Por vezes, passo fisicamente por esses locais, paro para ver as alterações físicas desses locais, naturais ou feitas pelo homem, nem parecem os mesmos de outros tempos, lá capturo uma foto ou um vídeo para fazer comparação, mas não há comparação a fazer, outras vezes até passo sem parar o carro e esqueço.

Nós pessoas, passamos pelo ciclo da vida e, os anos não perdoam, mas ao olhar para as fotos e imagens e o que fomos fisicamente noutros tempos, que se não víssemos as imagens nem quereríamos acreditar que poderíamos ser nós, isso danos um certo alento, quem sabe, talvez nos aumente o tempo de vida e a qualidade da mesma. Mesmo que assim não seja ou aconteça, só vermos a nossa juventude em imagens do passado já nos dá momentos de alegria.

As últimas décadas do sec. XX, foram pródigas em apresentar grupos de juventude, embora das mesmas gerações, mas com pensamentos e visões diferentes. Por muito contraditório que pareça, os que mais escola entre quatro paredes tinham, foram os que menos conseguiram acompanhar os tempos, mas foram estes que mais lugares de governação ocuparam. Por isso, nos dias de hoje há muitos países a caminhar para o abismo, porque o mundo de hoje não se compadece ser governado por gente sem conhecimento do passado, do presente e visão do futuro. 

Em todo este tempo desde a nossa juventude até agora, muita coisa alterou, nesses tempos, todos queríamos era igual, diferenças não era importante, mas na realidade elas existiam. Iniciava-se a cultura da igualdade, coisa que nunca existiu nem nunca existirá, há e deve existir sim, respeito de uns para os outros e cada um viva o melhor com suas capacidades.

Em redor das sardinhas ou das castanhas até largávamos vernáculos com as queimadelas das sardinhas ou das castanhas, mas depois de bem comer e bem beber, toda aquela juventude queria era sacudir o corpo, abanar o capacete, havia que queimar as gorduras a mais que foram ingeridas, decidimos ir acabar na Discoteca O Forte, junto ao mar no Estoril, alugamo-la só par nós, eramos cerca de 60, a música era boa, vontade de nos divertirmos não faltava, mas os amores quentes não adiam nem querem perder os momentos certos, era a força da juventude, eramos uma juventude saudável e cheia de vida e imaginação não faltava. Por amor que não estaria a não ser correspondido, alguém fez gestos de se querer atirar ao mar, quem estava por perto e se apercebeu deitou-lhe logo a mão, deu nas vistas, logo uma estudante de psicologia e uma estudante de medicina tomaram conta dela, solidariedade não faltava.

Quem diria que pouco tempo antes, aquela que comia sardinhas e pernas de frango assado ali mesmo naquelas brasas no sopé da serra com o cheiro e aroma agradável das urzes e plantas diversas, contando umas anedotas em voz alta de partir a rir quem as ouvia, pouco tempo depois se quereria atirar ao mar, mas não, seria apenas um gesto para chamar à atenção das suas pretensões, coisas da juventude quando se tudo se quer de tudo o que se pensa, mas tudo acabou em bem.

Hoje, recordamos com saudade esses tempos áureos, somos diferentes, alguns já não estão entre nós, um, faleceu pouco tempo depois ao cair do cimo da parede da vivenda que andava a construir. A vida é assim, transformámo-nos e ficámos diferentes, por vezes, para pensarmos que somos nós aqueles que estamos na foto, aqueles que estávamos lá, até temos de fazer um exercício de pensamento para acreditarmos em nós próprios.

 AmerMart



quinta-feira, 21 de setembro de 2023

Volta ao Portugal de hoje, de ontem e de amanhã - Crónica 240 - 21-09-2023

Foto dos Tempos

Foto dos Tempos






Assistimos a uma transformação do país bastante acelerada que muitos não querem ver, talvez porque não lhes interessa.

Mas o tempo não perdoa, os efeitos para a transformação acelerada que está a acontecer já foram lançados há muito tempo.

Com uma mudança precipitada de regime em Portugal, o país começou a transformar-se noutro país, as pessoas já constituídas, muitos deles transformaram-se rapidamente também em outras pessoas, os já nascidos e ainda não constituídos já se formaram pessoas diferentes, os que nasceram a seguir já resultantes de geração em geração serão muito diferentes.

Mas porque é que este processo social de transformação é tão estranho e fora do comum! As pessoas em 1974 já esperavam e queriam uma mudança, a que já estava em andamento com o fim de Salazar e o começo de Marcelo Caetano, transição da ditadura para uma democracia controlada, embora lenta e alguns desejosos de que uma mudança fosse mais rápida, mas estava a ser aceito e já estava a produzir os seus efeitos. 

Meados de 1973 estava eu ​​fora de Portugal, chegou um amigo que tinha vindo passar férias em Portugal, disse que em Portugal já se vivia melhor que em alguns países, quase todos já tinham automóvel, alguns já iam de automóvel regar à horta. 

Marcelo Caetano, já tinha começado a mudança, mas bem calculada, ele sabia e conhecia-os bem, quem estava à espera do momento para o assalto. Já tinha dado a oportunidade a Mário Soares de ir discursar aos territórios ultramarinos expor as suas ideias e opiniões para a mudança e, lá foi bem recebido e protegido fazendo os seus discursos das varandas dos palácios dos Governos Civis, os militares a cumprir missão militar por lá, ouviam-no com atenção.

Para muitos dos que estavam à espera da oportunidade para o assalto, não lhes interessava a mudança suave e progressiva do país e com a independência dos territórios ultramarinos a seu devido tempo, passando por uma fase de autonomia para a preparação estrutural e depois a independência total .

Não lhes interessava assim, porque assim eles não tinham a oportunidade de assalto ao poder em Portugal e de entregar os territórios ultramarinos aos seus camaradas das grandes potências que os sustentavam havia algum tempo para que eles fizessem esse favor. Assim, havia que manipular a situação e fazer o golpe militar com armas em Portugal, gerando a confusão para melhor eles poderem tomar o poder.

Depois de fortes convulsões com algumas mortes pelo meio e perseguições em massa a ponto de terem de fugir para o estrangeiro, calcula-se que cerca de 60.000 quadros e empresários, o país ficou com muitos lugares vagos, mas estes lugares seriam rapidamente ocupados por quem não tinha formação nem preparação para os ocupar. Dizia um que acabou de ocupar um desses lugares de responsabilidade numa empresas de maior marca em Portugal e ainda hoje é a empresa pública mais falada em Portugal mas que tem sido um sorvedouro de dinheiros públicos, que foi questionado, porque ele só tinha a 4ª classe e o que teve de fugir deixando o lugar vago tinha formação académica curso profissional completo a nível de bacharelato, o novo ocupante que todos os dias saía às 15:00h para ir preparar a manifestação de rua, dizia que a 4ª classe chagava muito bem, ele só tinha que fazer e mandar fazer o que o partido lhe dizia a ele para ele dizer aos seus subordinados.

Também um pequeno/médio empresário de uma gráfica com 45 trabalhadores, disse que a sorte dele e do sindicalista, foi ele não ter uma arma na mão, quando o sindicalista entrou pela porta dentro gritando: camaradas isto agora é vosso. O proprietário teve de fugir pelas traseiras, mas passado meio ano a gráfica faliu, fechou as portas e todos os trabalhadores foram para o desemprego. Nesses tempos, aconteceu isso a milhares de empresas em Portugal.

Portugal, um país que estava a atrair investimentos estrangeiros a um bom ritmo, inverteu esse sentido e, investimentos estrangeiros passaram a fugir de Portugal e o mesmo passou a acontecer com muitos dos investidores portugueses, foram investir no estrangeiro.

As poucas empresas que não tiveram de passar por este processo, algumas multinacionais e, mesmo assim, quando um administrador de uma multinacional que já estava em Portugal há mais de cem anos e uma grande parte do capital já era portuguesa, ao não querer deixar que a sua empresa fosse assaltada para ser destruída, porque era assim que os que tinham tomado o poder queriam destruir a produção para assim melhor poderem instalar o comunismo soviético em Portugal, alguns trabalhadores da empresa disseram ao administrador que ficasse calado porque se não punham-no na fronteira. Aconteceu que ele não deixou assaltar a empresa, não o colocouam na fronteira e ainda hoje 2023 é uma das empresas mais prósperas da economia portuguesa sustentando o Estado português e muitos funcionários portugueses.

A partir daí,  em quase todas as empresas, públicas e privadas de dimensão superior, os lugares eram ocupados por pessoas que pouco ou nada tinham preparação para o fazer. Houve uma pressão na entrega de diplomas, médios e superiores quase fictícios que foram dados sem a preparação necessária, para iludir técnicos superiores. Atualmente passeiam-se ainda nos corredores do poder figuras que vivem reformas douradas, com níveis e condições de vida que indiciam viver em mansões e com boas fortunas, de cargos de poder que vieram ocupando ao longo dos quase 50 anos, que começaram como moços de recados do partido, obtiveram o canudo de doutor sem quase porem os pés numa faculdade.  Também muitos desses novos formados foram os que viriam a ocupar muitos dos cargos responsáveis ​​nas empresas, mas a cunha e a influência partidária viriam a desempenhar um papel muito importante na colocação de novos responsáveis ​​nos lugares de responsabilidade. As influências de saias e calças, também viriam a ser das primeiras para essa gente chegar aos bons lugares e, tudo isto se manteve até aos dias de hoje com poucas exceções.

Assim, os efeitos destes tempos permaneceram e, não tardaram muito tempo em que as empresas se desmoronaram e desapareceram e, os efeitos sociais vieram a ficar à vista. Os políticos emergidos desses tempos, nunca poderiam ser muito bons e, seus filhos e netos sempre foram os preferidos dos partidos para pôr nos lugares bem remunerados, porque eram os que mais cartazes foram colocados nas paredes para conquistar votos eleitorais para o partido. Depois de permanecerem no poder, a principal preocupação destes é governar para as eleições.

A sociedade subsídio-dependente não tardou em começar a aparecer no nosso país, porque é uma das principais armas para o socialismo se instalar num país, porque é a partir daí que o partido tem mais participantes garantidos. Basta ver que, desde que começou a era dos subsídios, o político que ganha as eleições é sempre aquele que promete mais subsídios.

 

sábado, 2 de setembro de 2023

Volta ao Portugal de hoje, de ontem e de amanhã - Crónica 239 -02-09-2023 - Sociedade em mudanças aceleradas.

Há publico para este comércio
Pessoas diferentes








 

CRÓNICA 239 – Volta a Portugal de hoje, de ontem e de amanhã- Sociedade em mudanças aceleradas.

Numa livraria a mais de 10.000 km de Portugal, inícios da década de 70 seg. XX, vi um livro que o título me chamou à atenção, autor desconhecido mas comprei-o, já não o tenho porque ia numa mala que se extraviou num aeroporto, esse livro tinha sido escrito 10 anos antes e o autor dizia que, dentro de alguns centenas de anos muitas das pessoas fisicamente não se distinguiram entre sexos, ou seja, sexo masculino e sexo feminino fisicamente seriam muito parecidos.

Não precisou de centenas de anos, bastou passarem algumas décadas, resta é saber se se caminha para o bem ou para o mal da humanidade, os porquês são muitos e já quase todas as pessoas sabem muitos deles.

Atualmente já sabemos que as sociedades nas últimas décadas adotaram formas de viver e de estar na vida que contribuíram muito para a diminuição de nascimentos em determinadas regiões do globo terrestre. Não fora as grandes movimentações em massa, que uns lhe chamam migrantes os globalistas, emigrantes segundo a literatura, ficaram-me bem na memória quando dos meus exames admissão à universidade, nos textos de português vinha lá o significado de: migrante aquele que se desloca de dentro da região do seu próprio país; imigrante aquele que entra num país vindo de outro país; e emigrante aquele que se desloca do seu país para outro país. Mas atualmente há muitas pessoas que fazem e entendem conforme a convenção a ele e ao seu grupo social, leis e regras para esses pouco valem.

Para essas regiões que por vezes englobam vários países, é o caso da Europa, para começarem a receber pessoas em força para colmatar a grande queda demográfica gerada por leis também fabricadas na Europa pela nova sociedade europeia, tiveram de ser gerados conflitos do outro lado do mediterrâneo, que era para depois as pessoas fugidas às guerras poderem entrar em massa na Europa de uma forma abrupta procurando o estatuto de refugiados, não tendo leis e disposições que impedissem essas entradas em massa, porque a Europa já estava com problemas muito sérios com a sustentabilidade demográfica e de uma forma legal já não conseguiu resolver o problema. Finais da década de noventa, em Paris ouvi uma conversa enquanto eu esperava numa fila num Banco para ser atendido, as pessoas que diziam que se os magrebinos queriam paralisar Paris de um momento para o outro era só quererem, quase os serviços primários em todos os edifícios de Paris estavam a ser desempenhados pelos magrebinos. Mas por esta via, a Europa resolveu parte da demografia laboral, mas a sustentabilidade continua por resolver, a resolução é ilusória, mas aumentou a instabilidade social descontroladamente e, os problemas para a Europa não diminuíram, aumentaram e passaram a ser outros, talvez em maior quantidade e ainda mais difícil de resolver.

Do lado sul do mediterrâneo, já há muito que preparavam como atravessar o mediterrâneo para a Europa em massa e sem controlo.

Dois ou três anos antes de rebentar a que lhe quiseram chamar primavera árabe, num país árabe mediterrânico, falava eu com um cidadão que se dizia bastante culto, dizia que até tinha aprendido a distinguir os europeus de nacionalidade de cada país pelo passar a sua mão pela pele da cara de quem quisessem identificar, deixei-lhe passar a mão pela minha cara, mas enganou-se, disse-me que eu era italiano, quando na realidade sou português de origem e antepassados longincos nascido e criado em Portugal. Com sorriso na cara, dizia ele: entrar na Europa é só atravessar o mediterrâneo e apontava mesmo com o dedo para o lado do mediterrâneo em direção à Europa e dizia: em francês, porque só admitia no país dele falar em: árabe ou francês, as língua oficiais dos países árabes e dizia: qualquer dia começamos a atravessar o mediterrâneo e estamos na Europa. Mas essa primavera chamada árabe transformou-se mais num inferno, coisa que os árabes não souberam prever, ou souberam e mesmo assim preferiram a travessia de forma tão desastrosa a continuar no continente africano.

Voltando à semelhança física entre as pessoas dos dois sexos, acontece-nos com frequência, ver pessoas bem perto de nós e estarmos com muitas dúvidas se é homem ou mulher, provavelmente muitas dessas pessoas serão bissexuais, mas alguns deles até serão heterossexuais.

Viajava eu com duas colegas, entrámos numa fábrica querendo falar com a responsável e a interessada na reunião dirigiu-se ao guichê da receção e disse: bom dia, meu senhor, e continuou a falar com ele/ela como se fosse um homem, tinha aparência física e voz se homem, mas eu desconfiei logo que poderia não ser homem. Curiosamente, a pessoa que se dirigiu ao guichê, depois, em tom de brincadeira sentiu-se defraudada, pois era uma pessoa formada com 5 anos de universidade incluindo a área da sociologia, mas confundiu a pessoa fisicamente pelo bom disfarce aparente, porque depois foi chamada pelo nome de mulher e socialmente era mulher.

Estamos numa sociedade em transformação acelerada: culturalmente, mentalmente e fisicamente. Dirão alguns: é dos tempos modernos e não há senão aceitar e adaptarmo-nos. Mas também dirão outros. Não, da forma como as mudanças estão a ser impostas forçadamente, não tem nada com os tempos modernos, tem sim a ver com a sociedade mundial, tem-se estado a dividir em dois blocos: os globalistas que querem impor um tipo de sociedade que é a que a eles lhes convém, e, os não globalistas que não querem aceitar a sociedade que os globalistas querem impor, porque acham que será um desastre para a humanidade e por isso a querem travar.

 

 

 

terça-feira, 4 de julho de 2023

Volta ao Portugal de hoje, de ontem e de amanhã: Europa - 04-07-2023

 
Decréscimo de economias europeias nos últimos 50 anos








                                                                          EUROPA

Vivemos tempos incertos, a Europa está a passar por situações das mais aflitivas que já terão passado desde que existe como Europa, desde a sociedade à economia e à segurança.

Começando pela segurança, andaram adormecidos em reuniões famosas queimando tempo a decidindo quantas cores deviam ter bandeiras de grupos de todos os vegetarianos, impedindo que muitos nascessem e como se desviassem marcassem a data para morrer, até que uma guerra lhes/nos batesse à porta. Agora, enquanto vão sofrendo e fazendo esforço penalizando os cidadãos para ver como hão-de suster essa guerra, mas a guerra interna cada vez se agudiza mais e é mais real.

Na economia, os números que vão sendo apresentados são de pouca confiança. Quem os apresenta, acredita mais neles do que os a quem são dirigidos. Quem os apresenta, aprendeu a trabalhar com números de convenção, desde a primeira escola que frequentou até à última escola que frequentou. Depois, também essas pessoas vêm de quem já lidou com esses números fantasiosos, mas voltando aos que agora estão a lidar com esses números, eles, ao entrarem pelos caminhos que entraram, entraram por caminhos com muros muito altos, sem hipóteses de saltarem fora desses caminhos emparedados, assim, só tinham um caminho a seguir, era segui-lo, e seguiram-no, voltar para trás não lhes era possível. Assim, eles próprios se foram autoconvencendo que se calhar estavam a seguir o caminho certo até, porque nunca tive a hipótese ou oportunidade de trilhar outro caminho. E, assim vão vivendo, apresentando números em que só eles próprios acreditam. É esta economia que temos numa Europa que cada vez são mais os que já não acreditam. Mas, os que ainda acreditam, também já não acreditam, mas fazem que acreditam, vão tomando decisões de imposição, conforme a pressão que vão sentido de cada lado, sempre à espera que dê certo, que alguém aprove.

Socialmente, a situação é muito mais satisfatória, porque a falta de recursos ainda se vai controlar, mas a falta de ideias é muito mais difícil de controlar, ou melhor dizendo, ideias erradas causam situações muito mais perigosas, porque a economia e finanças só falharam e faltou para alguns, que são os que na realidade funcionam e fazem funcionar essa economia e essas finanças.

Os europeus que sempre tomaram conta da Europa e tornaram-se no continente mais próspero do planeta, tempos que também foram vítimas da sua própria vulnerabilidade. Depois de terem construído uma Europa com esforço e trabalho de acordo com as possibilidades de cada um, e assim os resultados apareceram também a corresponder a esse esforço, acharam que poderiam dar um ar de graça de beneméritos e, foi aí que quem sempre esperou por essa oportunidade não perdeu tempo e avançou de imediato. Logo, os beneméritos não tiveram mais oportunidade de controlar o seu mundo que construíram. Os aproveitadores não mais recuaram, o avanço foi-lhes mais fácil do que eles pensavam. Assim, tomaram conta da riqueza criada, retiraram-se a sua parte para passarem a viver como Lordes e, foram entregando todas as outras partes a quem os iriam ajudar a pôr fim ao mundo criado por outros. Esse mundo está quase a acabar. Diziam muitos desses ajudados, que a Europa em breve se chamaria Eurábia, outros que ainda se encontravam do lado de lá, que havia um mundo novo que os esperava do lado de cá, era fácil, era só atravessar o mediterrâneo.

Agora, já quase todos juntos deste lado do mediterrâneo, vão lançar os golpes de ataque e de experimentar forças, para ver com que as armas devem iniciar a batalha final.

Mas há uma terceira força, que é muito confusa, são intelectuais europeus especialistas e difusores de assuntos europeus que seguem caminho aos zig-zags.  São eles que difundem as notícias, falsas ou verdadeiras, mas mais falsas do que verdadeiras. Custa a creditar, que eles não sabiam, que se os que planeiam chamar Eurábia à Europa, se um dia sofreram algum poder, os primeiros a ser vítimas eram, esses que agora difundem notícias, mais falsas que verdadeiras  .

Mas há uma esperança nos europeus, esses que aprenderam a tratar os números com verdade, porque sentiram e sente se erram, o erro lhes cai no corpo, por isso ouvem os que apresentam números falsos, como se fossem gente passageira, deixá-los cair por si próprio. Quando caírem, alguém os levantará e lhes dirá: segue por este caminho e vem connosco porque é este caminho que nos leva à Europa.