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CRONICA DOS TEMPOS – 26-09-2023.
Os anos
passam, a vida muda, os pensamentos mudam, fisicamente também mudamos, mas nos
pensamentos, uns mudam mais outros mudam menos e, nada como ir ao BAU buscar
aquelas fotos que muitos já nem sabem que existe ou até se existiram. Certo é
que, elas existem e perduram nos tempos, para hoje nos podermos confrontar com
elas, ver em que mudámos e no que não mudámos.
Uns/umas,
provavelmente já não se lembrarão destes momentos, por muito interessantes que
tenham sido quando aconteceram, mas a vida dali para a frente também não foi
igual para todos, passaram muitos anos, eramos jovens na flor da juventude, não
sabíamos e nem quereríamos saber o que nos esperava dali para a frente porque o
futuro é sempre uma incerteza e das incertezas muitos têm medo.
O que
queríamos era viver aqueles tempos, com a responsabilidade de uma juventude
responsável.
Hoje,
aqueles que mais nos lembramos desses tempos, ao fazer uma retrospetiva no
tempo, até ficamos um pouco banzados.
Por vezes,
passo fisicamente por esses locais, paro para ver as alterações físicas desses
locais, naturais ou feitas pelo homem, nem parecem os mesmos de outros tempos,
lá capturo uma foto ou um vídeo para fazer comparação, mas não há comparação a
fazer, outras vezes até passo sem parar o carro e esqueço.
Nós pessoas,
passamos pelo ciclo da vida e, os anos não perdoam, mas ao olhar para as fotos
e imagens e o que fomos fisicamente noutros tempos, que se não víssemos as
imagens nem quereríamos acreditar que poderíamos ser nós, isso danos um certo
alento, quem sabe, talvez nos aumente o tempo de vida e a qualidade da mesma.
Mesmo que assim não seja ou aconteça, só vermos a nossa juventude em imagens do
passado já nos dá momentos de alegria.
As últimas
décadas do sec. XX, foram pródigas em apresentar grupos de juventude, embora
das mesmas gerações, mas com pensamentos e visões diferentes. Por muito
contraditório que pareça, os que mais escola entre quatro paredes tinham, foram
os que menos conseguiram acompanhar os tempos, mas foram estes que mais lugares
de governação ocuparam. Por isso, nos dias de hoje há muitos países a caminhar
para o abismo, porque o mundo de hoje não se compadece ser governado por gente
sem conhecimento do passado, do presente e visão do futuro.
Em todo este
tempo desde a nossa juventude até agora, muita coisa alterou, nesses tempos,
todos queríamos era igual, diferenças não era importante, mas na realidade elas
existiam. Iniciava-se a cultura da igualdade, coisa que nunca existiu nem nunca
existirá, há e deve existir sim, respeito de uns para os outros e cada um viva
o melhor com suas capacidades.
Em redor das
sardinhas ou das castanhas até largávamos vernáculos com as queimadelas das
sardinhas ou das castanhas, mas depois de bem comer e bem beber, toda aquela
juventude queria era sacudir o corpo, abanar o capacete, havia que queimar as
gorduras a mais que foram ingeridas, decidimos ir acabar na Discoteca O Forte,
junto ao mar no Estoril, alugamo-la só par nós, eramos cerca de 60, a música
era boa, vontade de nos divertirmos não faltava, mas os amores quentes não
adiam nem querem perder os momentos certos, era a força da juventude, eramos
uma juventude saudável e cheia de vida e imaginação não faltava. Por amor que
não estaria a não ser correspondido, alguém fez gestos de se querer atirar ao
mar, quem estava por perto e se apercebeu deitou-lhe logo a mão, deu nas
vistas, logo uma estudante de psicologia e uma estudante de medicina tomaram
conta dela, solidariedade não faltava.
Quem diria
que pouco tempo antes, aquela que comia sardinhas e pernas de frango assado ali
mesmo naquelas brasas no sopé da serra com o cheiro e aroma agradável das urzes
e plantas diversas, contando umas anedotas em voz alta de partir a rir quem as
ouvia, pouco tempo depois se quereria atirar ao mar, mas não, seria apenas um
gesto para chamar à atenção das suas pretensões, coisas da juventude quando se
tudo se quer de tudo o que se pensa, mas tudo acabou em bem.
Hoje,
recordamos com saudade esses tempos áureos, somos diferentes, alguns já não
estão entre nós, um, faleceu pouco tempo depois ao cair do cimo da parede da
vivenda que andava a construir. A vida é assim, transformámo-nos e ficámos
diferentes, por vezes, para pensarmos que somos nós aqueles que estamos na foto,
aqueles que estávamos lá, até temos de fazer um exercício de pensamento para
acreditarmos em nós próprios.
AmerMart

