quinta-feira, 19 de janeiro de 2023

Livro: Volta ao Portugal de hoje, de ontem e de amanhã:19-01-2023

Nosso antepassado
Ponte romana sobre o Tejo, contruída  por Trajano
por onde passou a Rota da Prata.












 









Continuação da publicação anterior em 14-01-2023-

De ser um país com a independência que a maioria dos cidadãos e cidadãs desejam, porque para alguns e algumas, talvez preferissem uma independenciazinha à maneira deles e delas, porque é assim qua mais lhes convém a eles e a elas.

Mesmo ainda antes de este povo e esta nação se chamar lusa, há centenas de milhares de anos, já era um povo que crescia devido à sua boa organização, resistência e capacidade de luta e, já nesses tempos existiam no seu seio os pequenos grupos que gostavam de viver à custa  dos que com boa organização e trabalho se esforçavam e lutavam para a sua independência como povo soberano.

Os tempos, as mudanças e alterações fora aparecendo e avançando e com as grandes decisões e acontecimentos haveria de se formar a Nação com nome de Lusa.

A península ibérica sempre foi um espaço geográfico apetecível para muitos povos dos seus arredores, desde europeus a sul mediterrânicos, mas mais a parte ocidental da península ibérica terras da futura nação lusa.

Do lado de lá do mar mediterrânico, há mais de 4.000 anos, pensava-se e dizia-se que deste lado as terras eram tão ricas que até as estátuas eram de ouro, principalmente em terras catalãs.

 Por isso, para gentes dessas terras sul mediterrânicas, era muito apetecível e tentador atravessar o mediterrâneo e vir saquear essa riqueza que existia deste lado, mas como a sua navegação eram ainda jangadas que apenas davam para navegar junto à costa, eles viviam do lado onde as distâncias entre margens mediterrânicas eram as maiores, havia que se preparar para poderem atravessar o mediterrâneo.

 Assim, levou-lhes 200 anos a prepararem-se até pensarem que já dispunham de navegações que poderiam atravessar o mediterrâneo.

Conseguiram e há cerca de 4.000 anos esses navegadores chegaram às nossa terras.

Não terão encontrado essas estátuas de ouro como eles imaginavam, mas terão encontrado riqueza suficiente para por estas terras ibéricas permanecerem durante muitos tempos.

A parte ocidental da península ibérica foi por onde eles se fixaram durante mais tempo, explorando boa parte das riquezas até ao interior utilizando os rios como vias de navegação e transporte dos bens encontrados, umas vezes negociados em troca de outros produtos com os povos locais, outras vezes até saqueados à força, quando encontravam pequenos aglomerados de população que não lhes poderia oferecer resistência.

Mas estes, não foram os primeiros orientais a atravessar para este lado, mais a sudoeste no canal mediterrânico, entre Tarifa e o atual Marrocos, com apenas 14 km de distância, em dias claros e apenas a olho nu, de Tarifa em Espanha avistam-se terras de Marrocos, para atravessar o estreito para terras ibéricas, formando a conhecida Rota da Prata, atravessando a península ibérica até ao mar cantábrico, que depois contornava por terra até terras bretãs francesas e alguns atravessavam mesmo para as ilhas britânicas.

Esta Rota da Prata, vinda do medio oriente, transportavam-se e comercializavam-se desde: ouros, pratas, perolas e todo o tipo de pedras preciosas e medicamentos sempre dos valores mais especiais e elevados e de pouco volume, mas também peles de animais das mais caras e ainda tecidos também dos mais caros mas estes eram transportados pelos viajantes de menos dinheiro, atravessando a península ibéria até terras britânicas, teve o seu auge há cerca de 5.000 anos, fazer esta rota poderia levar vários anos, mas negociante que a fizesse e soubesse explorar todos os negócios que esta rota proporcionava, ficaria rico para toda a sua vida, dando para se estabelecer fixamente na sua zona para a toda a sua vida.

Mas também tinha os seus riscos, principalmente os assaltos da pirataria, foi escolhida esta rota por estas terras, porque eram terras onde viviam povos menos ligados à pirataria. e que mais negócios proporcionavam aos viajantes.

Haveria muitos destes viajantes que faziam esta rota, que até por motivos de doença faleceriam durante esta viagem.

Já em terras que hoje são Portugal, Beira Alta e entre Minho e Trás-os-Montes, não raro encontrar sarcófagos embutidos em rochas graníticas e chistosas que datam desses tempos e terão sido desses tempos mandados fazer por gente desse que morria quando já tinha uma riqueza acumulada e assim se queria distinguir dos que eram enterrados normalmente.

Um dos pontos de passagem dessa rota da prata que haveria de ficar mais assinalada na historia, foi a construção da ponte sobre o Rio Tajo/Tejo em São Pedro de Alcântara em Espanha próximo da fronteira de Segura com Portugal, ainda lá existem marcas bem visíveis de trilhos nas rochas graníticas gastos das passagens dos caminhantes e com seus animais para transporte dos valores que transportavam.

 Diz a história aprofundada, que foi por essa condição que Trajano, imperador romano, nascido nessas terras, filho de uma mulher ibérica e de um homem romano governador dessas terras, Trajano depois de ser formado em Roma e chegar a imperador, conhecia bem essas terras, sabia a grande vantagem da construção da ponte nesse local.

Qualquer pessoa que chegue ali pela primeira vez e ao olhar para aquela grande e majestosa obra, começada antes da era de cristo  e já acabada na era de cristo, terá levado cerca de 100 anos a construir, fica a pensar o que é que teria levado a construir uma ponte daquelas num local desértico com quilómetros de rochedos em redor e sem povoações que habitassem essas terras nesses tempos, mas era um local onde, devido ao efeito das águas do grande rio ao bater nas rochas que ladeavam o rio, provocavam um efeito que dava segurança às barcaças para transportar os homens e animais com seus produtos que faziam essa rota e lhes cobravam elevadas taxas por serem homens de muito dinheiro.

Teria sido a pensar nas elevadas taxas de portagens a cobrar na passagem pela ponte depois de estar construída, que Trajano terá decidido construir a ponte nesse local, lá tem as duas torres, uma de cada lado com as suas portas e janelas que eram protegidas com gradeamento de varões de ferro quase da grossura de um pulso de homem, onde era recolhido o dinheiro das elevadas tachas cobradas.

Também existem indícios de que essa rota da prata, a partir do estreito de Tarifa, partia um caminho mais pelo centro da Península Ibérica, passando por aglomerados populacionais que viriam mais tarde dar nas grandes cidades do futuro, como Toledo, que iria passar para terras Gaulesas, hoje França, que cruzava os Pirineus, por onde os viajantes comerciantes fariam muitos e bons negócios, mas na zona dos Pirineus eram com frequência vitimas de assaltos dos piratas terrestres. Face a esta situação, os viajantes terão abandonado esta estrada, passando a viajar só pela mais a ocidente, que teria mais ou menos a linha da atual fronteira entre Portugal e Espanha, pensa-se que um dos pontos onde atravessavam o rio Douro, seria onde hoje se chama Barca D`Alva, junto à foz do rio Águeda, do lado que hoje é Portugal.

Há investigadores que dizem que o nome Barca D`Alva (cor branca) vem desse tempo, pois os barqueiros pintavam as barcas brancas para que fossem avistadas mais à distância.

Por essa linha em direção ao mar cantábrico passando por terras que hoje são Portugal, é por onde existem mais sarcófagos graníticos que muitos datam desses tempos.

Tenho bem presente de quando eu em preparação para o exame de admissão à universidade, o professor nos mandou fazer um trabalho, porque é que a fronteira entre Portugal e Espanha de sul para norte é por onde está e não por outros locais.

Depois de apresentarmos os trabalhos, bastante diversificados, mas nenhum chegou a este ponto histórico, dizia o professor: alguns andaram lá perto, mas nenhum chegou à razão mais verdadeira.

Nós eramos trabalhadores-estudantes noturnos, todos já adultos e alguns com experiência de termos viajado desde muito novos, no meu caso, atravessei esta fronteira a salto durante a noite aos 14 anos, o professor quis ouvir o conhecimento de alguma experiencia na pratica e fora dos ensinos e livros convencionais.

Mas mais tarde e até hoje, já cruzei toda esta fronteira dezenas de vezes, desde Vila Real de Sto. Antonino até Miranda do Douro e até Caminha, penso que de todos os locais por onde se pode passar de carro, não deve haver algum que eu não tenha passado e alguns várias vezes.

Continua na próxima publicação


 


terça-feira, 10 de janeiro de 2023

Volta ao Portugal de Hoje, de Ontem e de Amanhã

Portugal de Ontem
 

Portugal de Hoje
Portugal de Amanhã







Início de 2023, o Portugal de hoje, para os 15 milhões de portugueses incluindo emigrantes e lusodescendentes, cada um de nós vê um Portugal à sua/nossa maneira, mas também cada um de nós não vê o Portugal que gostaria de ver.

As últimas gerações, os que estamos vivos, uma grande maioria conhecemos outros países por onde passámos, em viagens de trabalho ou de turismo, no meu caso passei cerca de sete anos fora de Portugal, a primeira vez que atravessei uma fronteira tinha eu 14 anos, mas depois dos 20 anos parti para outras terras e quando regressei definitivamente para trabalhar e viver em Portugal tinha eu 27 anos, embora pelo meio fazia vindas a Portugal por curtos períodos de tempo.

Depois de me fixar definitivamente em Portugal, fiz muitas viagens de turismo e/ou de trabalho a vários países de todos os continentes, onde permanecia por curtos períodos de tempo.

Durante o tempo que passei por vários países, cerca de 20, tive a oportunidade de conviver, trabalhar, estudar e ensinar, muito conversei e convivi com pessoas de outras culturas, de outras religiões, de outras formas muito diferentes de pensar e ver o mundo.

 Todos aqueles que andámos por outros países conhecendo outros povos, outras culturas e outras formas de pensar, temos mais algumas bases para podermos analisar o Portugal que temos, o que gostaríamos de ter mas não temos e o que teria sido possível ter.

Viajava eu de automóvel próprio noutro continente, alguém por ver que eu era português pediu-me boleia e durante a viagem em conversa, que a mim me interessava muito porque ele era um português radicado nessas terras e eu estava interessado em ouvir falar sobre essas terras, depois de termos falado quase sobre tudo incluindo hábitos culturais e religiões que se praticavam por essas terras, ele era homem de meia idade e eu tinha 24 anos, ele disse-me: sendo o senhor homem para metade da minha idade, foi um prazer ter tido esta conversa consigo, porque eu nunca tinha tido a oportunidade de ter este tipo de conversa tão abrangente.

Mesmo os portugueses que nunca saíram de Portugal, que das gerações mais novas não devem ser muitos, mas das gerações mais antigas ainda havia e há alguns que fazem questão de não sair de Portugal.

Dizia-me um sujeito que fazia parte do meu grupo alargado de convivência há cerca de 30 anos, que nunca tinha ido ao estrangeiro e não precisava nada de lá ir, por coincidência, a mulher dele tinha nascido fora de Portugal.

As sociedades atuais movimentam-se o suficiente para os povos se conhecerem uns aos outros, assim, podemos dizer com uma boa certeza: aquilo que temos e aquilo que não temos, mas que existiram e existem condições para podermos ter tido e podíamos ter atualmente.

O Portugal de ontem, foi e ainda é um Portugal de séculos, o Portugal que se construiu durante séculos, conforme o Portugal que ia sendo em cada século e que ia passando para o seculo seguinte, poderíamos ter evoluído para um Portugal de hoje mais consentâneo, dirão alguns que o Portugal atual é um Portugal bom, mas quando nos comparamos com outras sociedades, não temos um Portugal que gostaríamos de ter e que teria sido possível ter!

É a partir daqui que muitos nos interrogamos, porque é que tantos portugueses estão descontentes com o seu Portugal. Depois, quando andamos por outros países e falamos com pessoas desses países que conhecem Portugal, a história de Portugal e os portugueses, dão-nos a ideia da potencia que o nosso país foi, de quem foram os portugueses e como olham para nós, dos melhores do Planeta.

Frequentava eu uma workshop num país a 10.000 km de Portugal, quando o orador soube que eu era português, veio dar-me um abraço por eu ser português, por ali tinham andado há seculos portugueses e tinham deixado as suas marcas e agora eramos vistos com essa imagem.

Então, porque é que há tantos portugueses que estão descontentes com o país que temos atualmente!

O Portugal de amanhã! Temos sol maravilhoso, um território muito diversificado com terras muito ricas e água com abundância, cabe agora aos portugueses de hoje e de amanhã a responsabilidade e boa vontade de construir o Portugal de amanhã, para os nossos vindouros.

Dizia uma estrangeira a residir já algumas décadas em Portugal e onde fez parte da sua formação académica: esta grande nação e este rico país.

Mas também ouvimos dizer a alguns portugueses e colocados em lugares de muita audição: este pequeno país e pobres portugueses.

 Não, não são estes portugueses que vão construir o Portugal do futuro, embora, como já disse, eles estão colocados em lugar de destaque em responsabilidade e influencia para se poder construir um país de futuro.

O ANO de 2023 é um ano de muitas esperanças, sofremos uma guerra na Europa que persistem muitas dúvidas como vai e quando acabar, duvida mais pequena é que a Europa não mais voltará a ser como antes desta guerra ter começado.

Os europeus vão ser obrigados a repensar a Europa e, é quase uma certeza que vamos ter uma Europa muito diferente, tanto em organização administrativa como em segurança.

Os atuais governantes europeus passeiam-se um pouco no escuro para tomar decisões para uma Europa do amanhã, não é daqui a alguns anos, é já no dia depois do dia em que estamos, o dia de amanhã.

Cada medida que os governantes europeus tomarem, boa ou má, terá grande impacto no futuro da Europa e dos europeus. Não é a mesma coisa que quando tomavam medidas em tempos passados, fossem tomadas más medidas os efeitos nunca seriam devastadores e tinham sempre a hipótese de corrigir erros e os efeitos nunca seriam incalculáveis.

Mas agora, neste Europa do ano 23 do sec. XXI, as medidas a tomar pelos responsáveis governantes, têm de ser calculadas ao minuto e ao milímetro.

Portugal, não escapará a esta regra, a este efeito e grande mudança, talvez tenha ainda de ser mais cauteloso neste sentido, que em muitos outros países por toda a Europa.

Mas Portugal talvez beneficie de vantagens em relação a outros países europeus porque talvez terá um povo mais bem preparado para esta grande mudança do seculo XXI, que será talvez uma das maiores mudanças que a nação portuguesa e Portugal já fizeram, não tem como escapar a esta grande mudança, porque ou inicia essa mudança ou poderá deixar de o ser.