quarta-feira, 26 de maio de 2010

Volta ao Portugal de hoje, de ontem e de amanhão


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Uma Vila cheia de história, onde nasceram Reis - D. Manuel I - e hoje se vende o m2 de terreno mais caro do país. Fruto de grandes obras públicas e de grandes investimentos privados na Região, que fizeram correr muita tinta nos corredores politicos e sociais e que tudo indica que se virão a fazer muitas mais.
Mas o visitante ao ver a beleza desta Vila, fica encantado e pergunta-se: porque é que esta Terra ainda continua tão pacata? Os bancos dos jardins por muitos que fossem não chegavam para todos aqueles que procuram lugar para se sentarem. Lá vai havendo uns entretenimentos promovidos pela Autarquia que ajudam a matar o tempo aos já sonolentos.
Quando o visitante tira a pequena máquina do bolso, aqueles grupos e filas de homens de meia-idade que procuram os palanquins embutidos nas paredes quase rentes ao chão das casas baixinhas muito antigas e algumas não escondem as alterações que em tempos sofreram de influencia árabe para se sentarem, que já se renderam à sobrevivência, viram-se e escondem de imediato a cara com vergonha para não serem fotografados, fazendo lembrar as mulheres árabes nos países árabes, que assim que vêm o turista mexer na máquina fotográfica viram-se de imediato de costas e puxam o Shambar(veu que cobre a cara e a cabeça). Tmbém alguns homens árabes puxam o Ghutra ( pano que cobre a cara e a cabeça).
Mas estes homens desta Vila portuguesa e das mais antigas do país - indicios da idade do ferro ou talvez do bronze, provávelmente quando os fenicios ali aportaram já ali havia população sedentária. Há historiadores que defendem que foi ali que começou a expressão politica e social - Direita e Esquerda - mas estes são descendentes directos de homens e mulheres que trabalhavam de sol a sol e a história desta Terra o demonstra. Mas eles agora, que lhes foi dada uma vida de graça, nunca tiveram tantas dúvidas do seu futuro....

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Volta ao Portugal de hoje, de ontem e de amanhã


Aqui neste Local.
Os visitantes aproximavam-se da entrada principal. De repente são surpreendidos por uma viatura que se aproximava a uma velocidade que não seria a adequada para o local e para as circunstâncias, deixando alguma poeira, imobilizou-se mesmo junto ao Portão principal, já no espaço limpo e cuidado que de forma alguma havia vestigios de ali ser hábito pararem viaturas. Mas mesmo a seguir a alguns metros, havia espaço suficiente e destinado à paragem de viaturas. Mesmo que viessem deficientes nessa viatura nunca precisaria de parar onde parou. De dentro da viatura saíram duas jovens, uma loura e outra morena africana, seguindo-se de duas crianças morenas africanas.
Enquanto os visitantes que se tinham assustado da paragem brusca e inadequada da viatura e se tinham retirado para junto do muro para terreno desigual com cuidado não fossem torcer algum pé, mesmo com o calçado todo-o-terreno que usavam.
A condutora da viatura, meio olhando para os visitantes que ela se apercebeu um pouco que se teriam assustado, arrancou com a viatura em aceleração novamente despropositada ao local e à via.
Já dentro do local a visitar, o grupo de visitantes prosseguia com toda a atenção ao local a visitar, pois foram ali com todo o gosto e interesse, tendo-se monido de informação, que hoje felizmente é fácil conseguir através das tecnologias.
As jovens monitoras e suas pupilas divertiam-se com se estivessem no local da sua proveniência, que provavelmente seria um local idêntico e com a mesma história que aquele que estavam a visitando.
Ogrupo de visitantes chegou ao espaço mais digno de se apreciar, começando a recolher algumas fotos e videos, apreciando e discutindo a história do local. Tratava-se de uma visita de enriquecimento cultural.
Mas o grupo das jovens e suas pupilas chegou também e sentaram-se no chão viradas umas para as outras, dizendo que iriam adivinhar o que iriam fazer hoje e ali ficaram fazendo riscos no chão adivinhando o que fariam nesse dia. Enquanto o grupo de visitantes reparava nos vestigios de vandalismo nas obras de arte religiosa que faziam transportar ao tempo em que todo aquele espaço foi construido há tempos longínquos por pessoas com muito suor e dedicação que depois haveriam de ser assassinados selvaticamente só porque alguém se lembrou de que aquelas pessoas deveriam ter fim.
Mas agora recuperado com o dinheiro do esforço de alguns, há os exemplos de quem para além de não se preocuparem em construir para o futuro, usufruem despreocupadamente e sem gosto!...

sábado, 1 de maio de 2010

Crónicas do Dia Seguinte

Vale de Loires
A Europa iniciava uma fase que viria trazer mudanças profundas.
Ele, partira com a mochila às costas. Nessa data, mochilas só os militares, porque se um civil pensasse usar uma mochila, seria dado como maluco.
Quando o barco avistou terras de Aquitaine, José dançaricou de um lado para o outro. Haveria de aportar em La Rochelle.
Seus familiares, ali para os lados da Beira Alta, ter se iam despedido dela talvez para sempre. Dos muitos que iam ficando pelas planicies da Normandie, o que contava era o Dia Seguinte. José foi dos que se safou. A dureza das terras que tinha deixado na sua aldeia não lhe tinham deixado grandes saudades. Após cumprtida a sua missão, pensou rumar em direcção a Paris, mas optou por ficar por Pays de La Loire.
José - agora Josef - quando partiu da sua terra não sabia uma palavra de francês.Mas bem à maneira portuguesa, não tardou em se adaptar às palavras rudes do Agricultor Patrão francês. Le baeuf, no seu pensamento continuava a ser vaca, igual à que tinha deixado pelas terras beirãs.
As únicas palavras em estrangeiro que ele conhecia antes de ter partido, foi quando pelos seus 18 anos, numa arrojada aventura se deslocou a Vilar Formoso e correndo sérios riscos tentou entre pinheiros, atravessar a fronteira e percorrer algumas centenas de metros paralelo à Raia Seca - Linha de Fronteira - e penetrar em Fuentes de Oñoro para comprar uma caixa de pitilhos - cigarros.
Agora, no Payis de La Loire a tratar dos animais e de volta das alfaias agriculas bastante mais sofisticadas que as que tinha deixado na sua terra, falava dois idiomas. Um, quando obedecia ao velho lavrador e o outro quando falava directamente com os animais. Fazia-lhe lembrar a passagem por Fuentes de Oñoro quando teve que balbuciar palavras misturadas em duas linguas.
Continuava a descubrir um novo mundo. A sua terra não lhe saía da mente. Talvez um dia voltasse a vê-la.
Dias, meses e anos passavam. Já se ia entendendo com a linguagem desconhecida. Nas saídas oa marché, autorizado pelo patrão, já cumprimentava em bonjour e despedia-se da jovem empregada com um merci!..
Não conseguia resistir a olhar para trás, depois de percorrer alguns metros. Anne agradava-lhe.
Continuava a alimentar o seu ambicionado e legítimo desejo de ir buscar uma cara-metade à sua terra natal para formar familia. Mas as dificuldades eram enormes, quer impostas pelo seu patrão, quer pelas borocracias fronteiriças. Continuava a gozar dos ares neblinais e sol do meio dia de Loire passando por entre as torres dos Châteaus que ele admirava bastante, mesmo naqueles dias que estavam todo o dia cobertos pelo nevoeiro, fazia-lhe lembrar as encostas das serras da sua terra cobertas pela neblina matinal.
A garçonne du marché, não era muito bem tratada pelo patrão.Rapariga para os vinte e poucos, algo mais nova que ele, perdeu o complexo do estrangeiro deixado pela guerra e talvez sem familia na sua terra desconhecida que ninguém saberia onde seria e passou a responder ao seu bonjour!
Para Josef, casamento só com mulher pura e virgem e essa garantia, só as da sua terra.. Porque com saias de burel e quase até aos pés, todas iriam à igreja com ramo de laranjeira. Salvo alguma que guardava ovelhas nas encostas da Serra da Estrela e se enamorava de um pastor e a fecundação se antecipava ao casamento.
Anne du marché, já tinha tido mais namorados. Mas para Josef, entre enfrentar as dificuldades de ir buscar uma de saia de burel ou casar com Anne, optou por dar o laço com esta. (continua)

Châteaus de Loire