domingo, 31 de julho de 2011

Volta ao Portugal de hoje, de ontem e de amanhã

Partia todas as manhãs de mala às costas para a sala de aulas que distava a uns quinhentos metros quase na outra ponta da aldeia e agora dava gosto visitar esse lado da aldeia, pois tinha sido havia pouco temo, inaugurada a estrada nova que agora sim, aquela obra importante que até tinha sido inaugurada por um senhor muito importante ao passar por aquelas terras quando fazia uma volta governamental e de Estado ao país.
Luís, ainda tinha perfeitamente gravado na memória quase todas as palavras que tinha ouvido da boca do padre da aldeia para o estadista e este as escutava com toda a atenção sem interromper o orador, só acenava com a cabeça em sinal de concordar, enquanto o representante da aldeia lhe pedia melhoramentos para esta terra.
Luís tinha nove anos e frequentava a 3ª classe, e, como criança curiosa, furou por entre os adultos e foi ficar mesmo junto às personagens importantes. Assim, bebeu todas as palavras que os ilustres disseram. As que Luís não esqueceu foi o pedido do orador quase de mãos erguidas para o estadista, para que lhe colocasse água e luz eléctrica na aldeia.
À noite, Luís pediu ao pai que lhe explicasse tudo aquilo que tinha ouvido da boca do padre da aldeia e do estadista a dizer que sim com a cabeça, até mandou um dos assessores tomar nota do que tinha ouvido do representante da aldeia.
O pai, que embora não tivesse muita formação académica, mas tinha concluído a 4ª classe, conhecia algo de politica, até tinha sido incomodado por se ter declarado simpatizante de Humberto Delgado quando das eleições anteriores, embora rápido tenha mudado de ideias, pois não gostou de quem representou esse candidato.
Pai de Luís, explicou-lhe que se ele um dia quisesse ser estadista, teria que estudar muito a começar pela escola primária, aprender a ser honesto e cumpridor, para saber respeitar os compromissos de Estado.
Luís, pensou para si próprio que só os filhos de quem era rico teriam possibilidades para conseguir as condições que o pai lhe tinha descrito para se ser politico e estadista. Os filhos dos menos ricos, que era o caso dele, só se estudassem muito e fossem muito inteligentes. Não perdeu tempo e daí para a frente aplicou-se quanto necessário nos seus estudos.
Quando regressou para férias do final do 1º ano do Liceu, já encontrou a sua aldeia com luz eléctrica e água potável em todas as torneiras dos chafarizes construídos por toda a aldeia com água com abundância para quem a quisesse meter em casa. Também ficou agradecidissimo ao Padre e ao Estadista, pois agora já podia estudar durante a noite sem estragar a vista.
Durante a adolescência e já estudante finalista do Liceu, assiste ao derrube do regime do estadista que tanto lhe agradou, mas ficou ainda mais contente, pois ouvia dizer que o novo regime ainda iria ser melhor que o derrubado.
Luís continuou a aplicar-se afincadamente nos estudos - o pai tinha-lhe dito que o primeiro ano que chumbasse o retirava dos estudos e o punha a trabalhar. Alem disso, Luís alimentava a ideia de um dia ser estadista. Também queria ser um homem cumpridor fazendo bem ao país, assim como tinha feito aquele estadista que ele continuava com ele gravado na memória.
Luís formou-se em medicina.
Ainda estudante e com o novo regime, Luís convenceu-se que assim passaria a haver mais hipóteses para todos poderem chegar a estadistas, frequentou vários comícios de todas as correntes politicas e ideologias. Ia gravando também as palavras dos líderes partidários oradores que ouvia nos comícios. Mas à medida que o tempo ia passando, ia-se apercebendo que depois na prática esses líderes políticos não cumpriam com o que diziam nos comícios.
Com o tempo, foi confirmando que os políticos que iam ocupando os cargos de estadistas e governantes do país eram pessoas do seu tempo, alguns conhecia-os do copianço nas escolas e conseguido diplomas de formas menos claras. Não eram nada parecidos com o que ele tinha imaginado para si e com o estadista que tanto o tinha impressionado quando ele era criança e tanto bem tinha feito à sua aldeia.
Verificava agora, que para se ser estadista, as pessoas não precisavam de se aplicarem nas escolas, prepararem-se para ser honestos, respeitarem os compromissos.
Bastava estar em todos os comícios do partido, por vezes até disfarçados, concordar com tudo o que os seus líderes partidários dissessem.
Por isso, agora há pouco tempo, uma obra bastante necessária na sua aldeia foi interrompida, Luís perguntou porque é que essa obra demorava tanto tempo a ser construída, responderam-lhe que enquanto estivesse no poder o partido que não tinha sido o mais votado na aldeia, a obra não seria concluída.
Por isso, Luís também vê agora manifestações nas ruas, gente da sua idade, com vassouras para varrer a classe politica.
As três fotos ilustram as situações: escola primária, comício e manifestação (clicar em cima da foto para ver em tamanho grande.



terça-feira, 26 de julho de 2011

Volta ao Portugal de hoje, de ontem e de amanhã




Joana acaba de passar a barreira dos 50 anos mas já é bi-avó.
Seus pais quando há 50 anos, era Joana uma bebé, deixaram a aldeia das suas origens e partiram com destino a Lisboa, por na sua aldeia devido à muita população residente, próximo de um milhar de residentes, havia dificuldade de escoamento dos produtos que lhes sobravam da alimentação própria da família.
As várias centenas de quilómetros que tiveram de percorrer utilizando vários tipos de transporte, desde o burro, comboio a carvão à camioneta de cabine avançada que não se deslocava a mais de 40 km/h, levou dia e meio desde que deixaram os aposentos na terra até se instalarem nos aposentos que os esperavam nos arredores da capital.
A localidade que deixaram tinha cerca de seis centenas de residentes ( foto à nossa direita) na zona onde se instalaram viviam cerca de 10.000 pessoas ( foto à nossa esquerda). A localidade que deixaram, hoje não chega às duas centenas de residentes. A zona onde vive hoje com as suas duas filhas e duas netas tem cerca de 150.000 habitantes.
Joana diz que não se sente mais segura para o futuro das suas filhas e netas, do que se sentiam os seus pais na terra que abandonaram quando ela tinha 1 ano. Já pensa que regressar à terra de origem e recomeçar a cultivar as terras dos antepassados poderia ser mais seguro que viver a trabalhar num organismo que foi criado só para absorver subsídios e que assim que os subsídios acabem, a subsistência dela, das filhas e das netas fica vulnerável.
As filhas, já com filhas mas continuam a coleccionar cursos na faculdade que depois não sabem se lhes servirão para governar vida. Apoiadas no bom controlo da mãe em saber captar subsídios, não se preocuparam muito em começar a ter uma actividade remunerada. Sabem que têm direito a subsídios de jovem para além dos 30 anos. Agora que a era dos subsídios está a ser posta em causa, as filhas já com 25 anos ainda não se aperceberam bem do futuro que as espera ( palavras da mãe) mas a mãe já está bem consciente da situação.
Regressarem de novo à terra, agora já não lhes vai levar tanto tempo a fazer a viagem. Em poucas horas podem completar a deslocação por uma confortável e moderna via ( foto do meio).
A terra de origem não se preocupa com estas quebras e subidas de habitantes. Desde os tempos do Paleolítico que por ali se criam habitantes humanos. Sem duvida que já está habituada a ver partir e a ver regressar gentes nascidas por aquelas bandas. Sabe que quem regressa poderá refazer sempre a sua vida. É uma terra hospitaleira, produz de tudo quanto os seus filhos precisam para viver. Sabe que que muitos que partem, regressam de novo à procura de refazer a sua vida.
A Terra para onde trouxeram e se criou Joana, também não tem menos história. Quando bem no Paleolítico Inferior os humanos se começaram a deslocar pela Europa abaixo seguindo o seu Deus adorado que era o Sol, chegaram à mesma Terra para onde trouxeram Joana, onde a Terra acaba e o Mar começa, aqui se começaram a fixar sedentarizando-se e por aqui foram ficando muitos e desde então para cá, também houve altos e baixos de população residente.
Ainda recentemente (em termos históricos) há dois mil e poucos anos quando os romanos aqui chegaram, encontraram um povo que não se governava nem se deixava governar (sic) que os seus descendentes são os portugueses de hoje.
Por isso, Joana mulher culta que é, não se deixará entrar em parafuso para com ela, mas para com as filhas, talvez já não esteja a tempos de evitar alguns desconfortos.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Volta ao Portugal de hoje, de ontem e de amanhã


Cultura do culto ou culto da cultura, como se queira ver a condição, invadiu fortemente as mentes nos últimos tempos.
Desde os tempos do homem neanderthal que os cultos foram importantes e até necessários para a orientação do ser humano. Mas desde o principio desses tempo, os cultos tinham a ver com as divindades. Hoje, os cultos são na maioria individuais, personificados, egocêntricos e por vezes até um pouco narcisistas.
Mesmo assim, não quer dizer que esta cultura de cultos sejam tão mau como se possa eventualmente pensar. As lutas pela vida com o máximo de qualidade, levam o ser humano a travar lutas individuais e por isso o culto físico não consegue resistir e aí está ele em primeiro plano. Mesmo na memória dos vivos, está presente a grande diferença das ultimas décadas e a preocupação do culto personificado e vivo presentemente. Poderá ser exagero?
A frase já com vários séculos: - mais vale ser rainha um dia do que duquesa a vida inteira -, cada vez se aplica mais à sociedade de hoje sobretudo nas últimas décadas.
As pessoas preferem ter uma hora, um dia ou um ano de suprema qualidade de poder e imagem, mesmo que não seja muito real, mesmo que depois venham a cair a pique.
As imagens que apresento, embora captadas com algum tempo de diferença e em locais bastantes distantes, demonstram bem isso.
A caricatura que revela a esmerada máscara bem trabalhada não importando o custo financeiro e tempo para conceber, mas é imagem que pretendia dar aos transeuntes.
A mulher que saltou de repente com o receio de ser impedida, para o meio do grandioso campo de futebol para poder mostrar o seu corpo seminu a milhões de espectadores/telespectadores, talvez tenha conseguido o máximo de entusiasmo e satisfação.
A rapariga que não perdeu tempo assim que lhe apareceu um bocado de relva para poder expor todo o seu corpo ao sol e para tal baixou os olhos à terra para não poder ver os outros olhos, também provavelmente viveu um dos momentos de satisfação própria consigo mesma. Com os olhos colados à terra vive um ponto alto e importante, supremo e moldado à sua maneira, desejo e fé. Provavelmente está a travar uma luta mas consciente, porque a sua cultura local e de origem não estará muito de acordo com o culto que está praticando naquele momento, mas neanderthal já lá vai há muitas centenas de milhares de anos e a fé hoje é outra. A fé de hoje é num Deus próprio que por por vezes é ele proprio que pratica o acto de fé.
Trabalham-se horas, dias e por vezes até anos para mudarmos o nosso culto físico, por vezes mais do que o mental.
Com frequência, se vêm até grupos de pessoas com comportamentos estranhos e por vezes até contrariados só para dar uma aparência diferente, que na realidade eles próprios se sentiriam muito mais satisfeitos e àvontade se não praticasse esse culto de fé pelo culto físico.
Até na área comercial e financeira é aproveitada esta fé e se vêm atitudes movidas pelos cultos modernos. Vemos por vezes estabelecimentos comerciais com nomes como: o culto de bem vestir, o culto do vinho, o culto dos sabores e por aí fora.
Mas nesta área, ou seja, fora do culto humano físico os sucessos não são grandes. Muitas iniciativas destas não tiveram o sucesso que os seus autores esperavam.
Assim tem mudado nas ultimas décadas a sociedade portuguesa e a sociedade em geral.


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quarta-feira, 13 de julho de 2011

Volta ao Portugal de hoje, de ontem e de amanhã




Tróia, é uma lindíssima língua de terra frente à cidade de Setúbal (como vemos na foto 1ª do nosso lado esquerdo) (clicar nas fotos para ver em tamanho maior) que se estende por cerca de 18 km de comprimento por cerca de 2 km de largura no ponto mais largo.
Como nestas minhas crónicas me preocupa essencialmente as mudanças que Portugal sofreu nos últimos 40 anos, de 1975 a 2015 quando terminará este meu trabalho (como já disse mais vezes) com um livro acompanhado de um DVD com pequenos filmes cirúrgicos de vários pontos do país, vou falar de Tróia desde o dia em que a eu a conheci pessoalmente.
1975, partimos de Lisboa um pequeno grupo de jovens, seis, atraídos pelas facilidades de passar um fim-de-semana numa famosa estância turística, como estávamos desde havia muito tempo habituados a ouvir publicitar. Agora, todas essas condições estavam abertas a todos os cidadãos mesmo pagando pouco.
Deixamos os carros em Setúbal, atravessámos o estuário do Sado no hovercraft onde se notava uma grande afluência de passageiros muito eufóricos para Tróia.
Já na Península e na zona turística por excelência, as boas estruturas lá estavam: bons espaços de restaurantes, de lojas e centros comerciais bem espaçosos mas já não estavam muito bem abastecidos. Os bons hotéis lá estavam mas notava-se que já não tinham o ambiente para o qual foram feitos, estavam em parte vazios.
Depois de termos gozado uma boa manhã de praia, que só nos países tropicais é que era possível saborear uma água daquelas, fomos almoçar e o espaço do restaurante era excelente, empregados para servir já só existiam os mais revolucionários, atendiam-nos a correr e com palavras revolucionárias, pois estávamos no período mais revolucionário do pós-25 de Abril. Muitos dos clientes, se alguma coisa não estava como eles queriam, exigiam severamente gritando alto - então para que foi feito o 25 de Abril?
Passado um ano, o mesmo grupo voltámos lá ao mesmo restaurante e já estava fechado. Toda a zona turística era um deserto. Havia gente nas praias, mas era gente que ia de Lisboa e da região fazer lá praia normalmente.
O nome de Tróia a esta península vem-lhe do tempo dos romanos, porque acharam este espaço de terra parecida com a Tróia grega mítica.
Há vestígios de local privilegiado mesmo de antes dos romanos e os romanos fizeram aqui um grande centro industrial e comercial de conservas de peixe. Acharam que era um dos melhores peixes que encontraram e com abundância, criaram centros de salgamento, conservas e exportação, manteve-se para além da era romana e até fins da idade média. D. Maria I ainda considerou muito esta Península.
A partir do início da 2ª metade do século XX, Tróia voltou à moda e começou de novo o desenvolvimento, mas agora turístico. No início dos anos setenta do mesmo século Tróia era um dos melhores e mais frequentados centros turísticos de Portugal, empregava milhares de pessoas.
Em 1975 quando eu conheci pessoalmente, como já descrevi atrás já estava em queda vertical pelas razões que também descrevi atrás.
Depois, passei por ali algumas vezes durante férias andantes, cheguei a acampar por ali (campismo selvagem) e a partir de 2000 de novo Tróia voltou a ter esperança.
Agora, quem por ali for e tiver conhecido o processo por que passou Tróia nas ultimas décadas nem quer acreditar: Tróia sofreu uma retransformação que só vendo. Agora tem dos melhores Hotéis do mundo, centros de congressos, condições turísticas para todas as carteiras e ali respira-se turismo de qualidade para todas as posses financeiras.
Para além dos espaços de qualidade superior, continua a haver espaços nas praias para turismo popular. Ver as duas ultimas fotos do nosso lado direito.
Assim vai mudando Portugal!...

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Volt ao Portugal de hoje, de ontem e de amanhão



Neste momento, Portugal vive um momento particularmente importante. Há dias um jornal internacional publicava uma frase que não passava despercebida: O mundo neste momento é como um automóvel que acaba de descrever uma curva e não leva condutor ao volante.
De todos os países do mundo, há os que precisam com mais urgência desse condutor ao volante. Portugal é um deles. A população portuguesa, quase sem excepção, todos têm consciência da situação grave que o país se encontra. Também não é desconhecido para os portugueses, quem são os principais responsáveis da situação ao que o país chegou. As causas são várias. Os responsáveis também. Embora eles responsáveis pensem que os portugueses não os sabem identificar e que a situação passara despercebida. Não, essa situação nunca passará despercebida!..
As fotos que ilustram esta crónica, começando pela do nosso lado esquerdo, as crianças para o homem estátua, tentando decifrar este espectáculo de adultos. Será que estas crianças não estão a associar isto ao comportamento dos adultos do dia-à-dia?...
A segunda foto: será que o português actual não terá que ir buscar o exemplo deste homem de há 500 anos?... Porque é que os portugueses de há 500 anos eram os melhores da Europa e agora os portugueses de Portugal são os piores?... Há dias também vi algures uma frase que me despertou atenção: perguntava-se porque é que os portugueses de antigamente eram os melhores e os portugueses de agora são os piores?.. Depois havia outra frase que respondia: é que os portugueses bons de antigamente foram os que saíram de Portugal, e os portugueses que governam e puseram Portugal de hoje assim, são os descendentes dos portugueses que tiveram medo de sair de Portugal!...
O Portugal que hoje temos é governado desde há décadas pelos filhos dos que tiveram medo de ir conhecer o mundo do exterior, que ficaram agarrados à cultura cacique, à cultura das intrigas, das organizações secretas, das seitas e outras organizações dominantes que só olham para o seu bolso, sem escrúpulos para sacar todo quanto podem às pessoas honestas. Depois pegam numas migalhas e vão distribuindo por uma parte da população para que lhes dê apoio quando precisarem ( leia-se votos nos actos eleitorais). Vão tentando iludir com grades discursos académicos (foto ultima da direita) que não chegam a resolução nenhuma. E é assim que eles têm andado a enganar os portugueses desde há várias décadas, fazendo eles fortunas colossais.
Mas embora o o povo português seja apelidado de brandos costumes, também houve outro que gritou: o povo é sereno!
Eu vou mais pelo, o povo é sereno. Mas ser sereno não significa que fique quieto ou parado!...Já lidei com vários povos e já tive várias experiências com outros povos, e não tenho dúvidas de que os portugueses no momento da verdade saberão tomar a decisão e agir.
Por isso, tenho muitas esperanças, que Portugal ainda voltará a ser o país que merece ser, um país de eleição, exemplo do mundo.
Ninguém tenha dúvidas, de que no momento certo, os portugueses necessários para pegar no volante do país que hoje anda à deriva, eles aparecerão e todos quantos necessários e talvez já não demore tanto tempo quanto alguns pensam, e/ou provávelmente já estão alguns a tentar segurar no Volante.