sábado, 25 de setembro de 2010

Volta ao Portugal de hoje, de ontem e de amanhã



Há vinte e seis anos, recebeu uma chamada no fixo, ainda não havia a disponibilidade dos telemóveis e marcaram ele ir almoçar a casa dela e depois levava-lhe as batatas e o sfeijões para Lisboa, que muito jeito lhe dava a ela para poupar nas despesas da alimentação, para pagar as propinas da faculdade. Mas da casa dos pais dele à casa dos pais dela distavam 80 km, tinha que atravessar seis vezes a linha do comboio, era o zig-zag da estrada e da linha do comboio a entrecruzarem-se. Coincidência das coincidências, a cada passagem de nível que chegava, lá estava a mulherzinha com o pau da bandeira vermelha enrolada e tinha que estar ali cerca de um quarto de hora à espera que o ronceiro comboio passasse. Chegou uma hora atrasado ao almoço, já o pai dela tinha partido para o campo. Ele chegou, almoçou bom cabrito e bem cozinhado que o esperava, mas depois ela pediu-lhe para ir ajudar o pai que trazia um grupo de mulheres a apanhar amêndoa e feijões. Ele não teve coragem de negar, tinha que pagar o bom almoço com bom vinho e lá foi a tarde inteira apanhar amêndoas e feijões.
De regresso, ela encheulhe a mala do carro bem cheia de produtos para que lhos levasse para Lisboa para poupar dinheiro para os livros e outras despesas, que o dinheiro a ela não abundava lá por Lisboa.
Ele, já ao fim da tarde, meteu-se à estrada, centenas de km de curvas e contra curvas entrecruzando-se com rios. Mas quando chegou à zona da Barragem da Aguieira, por causa das obras perdeu-se nas estradas e seguiu pela velha estrada que acompanhava o Mondego sempre até à Torre do Mondego já próximo de Coimbra. Aí, cansado da viagem, calores fortes de Setembro, com a boca muito seca, não encontrava espaço à beira da estrada para parar o carro sempre que via um Café ou Restaurante. Encontrou numa curva que quase descrevia um círculo de trezentos graus com o piso que sacudia toda a suspensão do carro, mas já era tarde e não lhe quiseram abrir a porta, pois àquela hora, 11:00h da noite já não confiavam no viajante. De facto, ele olhou em redor e os montes altos que rodeavam esse espaço metiam respeito.
Decorridos vinte e seis anos, esse mesmo viajante ao estar presente num seminário/convenção foi encontrar um aprazível local com todas as comodidades para este tipo de modernos eventos precisamente construido no local onde há vinte e seis anos e no mesmo mês, o pequeno restaurante que lá estava não lhe quiseram abrir a porta com medo dele, para ele poder pedir que lhe vendessem uma garrafa de água para amaciar as securas que trazia com quatro horas de condução em estradas dessa época.
A estrada que descravia uma curva com quase trezentos graus, que tinha o pequeno restaurante que não lhe quiseram abrir a porta ainda lá está hoje, mas com bom piso e espaços para poder estacionar os carros com segurança (foto) e no local do antigo e pequeno restaurante está o moderno complexo turistico enquadrado numa bela paisagem altamente convidativa a regalar as vistas de tão belas e exuberantes paisagens. O futuro ali não tem dúvidas mas sim certezas.

sábado, 4 de setembro de 2010

Volta ao Portugal de hoje, de ontem e de amanhã

Antes de visitar a Vila de Barrancos, tendo en conta a forma como os meios de comunicação-audovisual apresentavam esta localidade geograficamente e socialmente, tinha uma ideia bastante diferente da realidade desta Terra e destas gentes.
Cheguei ao fim da tarde, calor forte, próprio desta região nesta época, Agosto. Parei logo à entrada porque depois de ter lido a Placa da localidade, fiquei um pouco baralhado com a entrada desta Terra. Muito mais simpática do que estava à espera. Talvez para compensar a desilusão que sofri com a estrada principal de acesso do lado de Portugal. Nem parecia que estávamos na era das grandes auto-estradas, IPês e ICês. Ainda é a estrada do progresso de Duarte Pacheco com alguns arranjos. A própria Vila em si é extraordinária. Linda, Rica e bem cuidada. Situada no cimo de uma espécie de Serra, fica lindíssima - ver foto ampliada. As suas gentes, quando parei à entrada, entrei ali no bar das Bombas (do gasóleo, a da gasolina está inoperacional - marcava para o litro € 1,3999. Em Espanha logo a seguir alguns km, llenei o depósito - litro € 1,14 - por isso a bomba portuguesa está às moscas). Ao entra no bar, estava cheio de homes (sem uma mulher) a beberem minis e eu pedi logo também uma para mim. Fui olhado de alto abaixo pelo jovem homem que me atendeu. Depois fui dar uma volta pela Vila, tudo limpinho, quase sem espaço para inverter o sentido da marcha, acabei sem querer por dar uma volta quase completa à Vila. Dei mais uma volta para ver onde dormir e face à situação que encontrei, decidi acampar e dormi muito bem. Os mosquitos eram poucos.
Durante a noite fui beber um copo, entrei num bar, novamente só homens e a maior parte das bebidas eram minis. Fez-me lembrar uma localidade onde há uns anos entrei, na Espanha dos Pirinéus, só havia homes nos restaurantes. nós que tinhamos duas mulheres na mesa, todas as outras mesas passaram o tempo a olhar para a nossa mesa. Aqui em Barrancos, também têm as mesmas caracteristicas, fruto do isolamento gepgráfico desde há séculos ou milénios, estes povos teimam em manter os seus hábitos tradicionais, nunca se misturam muito com outros povos. As caracteristicas fisionómicas dos habitantes assim o demonstram. Pessoas de estatura média-alta, porte atlético, cabelo preto-castanho e liso. Bem o típico do povo ibérico.
De manhã parti e percorridos 500 metros de estrada, vi que estava a entrar em terras de noestros ermanos, porque vi a Placa das estrelas circulares a anunciar que acabava de entrar em España.. Mas já me tinha apercebido, pois já estava a circular numa boa carretera - um bom ICê.