sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Volta ao Portugal de hoje, de ontem e de amanhã nos últimos 40 anos




Dizia há dias uma entrevistada por um canal Televisivo que ali naquela Terra não havia nada para as pessoas se fixarem. As populações nascidas localmente, tinham que partir à procura da vida por outras terras, inclusive pelo estrangeiro.
Fazer uma viagem, duas ou três pelo estrangeiro e ficar por lá algum tempo a trabalhar para conhecer a vida de outros povos e suas culturas, nunca fez mal a ninguém, antes pelo contrário só faz é bem, e a minha opinião é de que todos deviam fazer isso. Pois eu também fiz e acho que é das melhores coisas que uma pessoa deve fazer para conhecer melhor a vida.
Mas partir à procura de outras terras para conhecer é uma coisa. Partir da sua terra desanimado/a com a sua própria terra é outra.
E é assim que gente de muitas terras portuguesas continua a partir.
As últimas décadas do século XX, permitiram a Portugal que todas as suas Regiões se desenvolvessem a ponto de segurar os seus naturais cidadãos, evitando a debandada que houve em meados do mesmo século. Algumas regiões assim o fizeram. Por razões óbvias, as populações deslocaram-se do interior para o litoral. Mas houve regiões do interior que foram segurando a sangria dos seus habitantes.
E como fizeram? Tentando desenvolver infra-estruturas e incentivando a cada cidadão procurar desenvolver a sua própria vida profissional de uma forma empresarial. Não os colando ao aparelho estatal. Chamando e admitindo o indispensável. Até porque quanto menos Estado, melhor Estado.
Mas houve regiões que por interesses politico/partidários, os seus representantes tentaram colar as populações ao aparelho do Estado.
Assim, as pessoas foram encostando-se e habituando-se a que alguém pensasse e decidisse por elas. E assim não se aperceberam que um dia haveriam de ser traídas. Essa traição chegou já nos nossos dias actuais.
Nas minhas voltas por Portugal há alguns anos, passei, parei, estive, filmei e fotografei, dormi e passei por ali alguns dias. Via as pessoas nos dias normais de trabalho encostadas às suas portas e sentados nos bancos à frente das casas como que se nenhuma preocupação tivessem. Fiquei admirado e disse que aquelas populações teriam um futuro pouco promissor. Vi andarem a construir uma excelente e grande Rotunda que dava a ideia que era uma preparação e infra-estrutura para uma nova cidade. Passados 10 anos voltei a passar nessa mesma Rotunda, estava bem acabada, bem decorada, mas todas as estradas que dela saíam, a mais de 100 metros ainda eram as mesmas de os 10 anos anteriores, com pequenos arranjos. As pessoas continuavam sentadas à porta das casas só que com escalões etários mais idosos e a localidade continuava para no tempo. Era precisamente a localidade onde agora a cidadã dava essa entrevista à Televisão.
Também visitei outras Regiões do país no mesmo período e em dez anos algumas localidades quase ficaram irreconhecíveis com tamanho progresso. E todas estas regiões do interior do país.
A grande diferença, estava em que a região que não desenvolveu, tinha oito vezes mais as suas populações ligada aos serviços autárquicos. As regiões que mais desenvolveram e fixavam as populações jovens, tinham oito vezes menos pessoas dependentes dos serviços autárquicos.
As fotos: a primeira do nosso lado esquerdo é a Rotunda, a do nosso lado direito é a estrada fronteiriça por onde partem as populações locais à procura de outras terras. A foto do meio é a de um antepassado ilustre natural dessas regiões, que os actuais representantes por interesse ideológicos e materiais prenderam as populações ao aparelho do Estado/Partido, não houve o mínimo desenvolvimento regional e agora as gentes novas não têm outra solução se não partir. Mas se tivessem seguido os passos e pensamento do ilustre antepassado seu conterrâneo que deu mundos ao mundo e que tentou desenvolver a sua região, tivessem os actuais seguido esse pensamento, essa região em vez de ter caído no marasmo, estaria hoje transformada numa Região próspera.

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