Há 30 anos que desce a mesma rua. Quando ali se fixou exercendo as suas funções profissionais, saía do seu laboratório cansadissima com as suas 10 horas de trabalho, mas fazia-as com muito gosto e satisfação, estava a testar o seu grande esforço que tinha feito durante cinco anos na faculdade para tirar o seu curso e agora havia que ver se esse todo esforço que tinha feito entre quatro paredes tinha valido a pena e condizia com a realidade cá fora.
Ao sair do laboratório, quem lhe aliviava a pesadissima cabeça que trazia eram os gritos das crianças vindos das varandas deste novo bairro que era habitado por uma classe média, enquanto os irmãos mais velhos das crianças que gritavam da varanda e da janela, jogavam à bola e as meninas contemporanias estavam por perto pensando qual deles seria o futuro namorado.
Agora, passando na mesma rua e à mesma hora, o barulho muito diferente, embora vindo precisamente do mesmo sitio, das varandas, das janelas e cá de baixo dos passeios ripostando uns para os outros, já não lhe alivia o stress, mas sim irrita-a, pois os gritos agora são dos canidios, que talvez uns ciumentos dos outros por verem que um está a receber mais beijos que o outro se esganiça todo, pois o mundo dele é naturalmente o mundo cão e quer impor o seu respeito de cão que é, sobre quem o habituou a leva-lo todos os dias ao seu veterinário, passear no melhor jardim do bairro, ver que quando param as conversas são sobre eles, que crise ainda não chegou aos direitos deles, que o seu dono/na almoçar bife com ovo a cavalo, ele também se lamberá depois de comer o seu bife com ovo a cavalo.
Pode fazer as suas necessidades à vontade onde lhe apetecer, pois na civilização cão é mesmo assim e um cão para ser cão, precisa de fazer vida de Cão (com letra grande). É a civilização deles que agora impera. O humano agora é o seu criado/escravo.
Para alguma reacção que os humanos que ainda não se deixaram dominar pela civilização canina tenham, lá tem a seu lado o seu/sua dono/dona que os irá defender com toda a garra expulsando também caninamente esses humanos que se tentam intrometer no progresso da sua civilização/canina.
A ilha dos tristes e adormecidos está presente. (ver fotos) Águas paradas em seu redor à espera que alguém as agite, vai havendo "casais" de namoradoooosaaas fazendo planos para o novo bebé canidio que aí vem.
Agora que passaram 30 anos, essas mesmas crianças de há trinta anos, não se sabe bem por onde param, ou se param pelo mesmo bairro, parecem de outra civilização em que o conceito de vida poderá ser de um intraterrestre.
Caberá à luz divina que alguém já clama, para que venha repor o humanoide no seu primeiro juízo antes de ter passado pelo juízo final.
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