sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Volta ao Portugal de hoje, de ontem e de amanhã




A ilusão do Sol antes de nascer, da aurora boreal e o salto no escuro até à ilusão citadina, foi completa.
João e Maria, enamoraram-se ao cruzarem-se na apanha dos frutos. Ele já tinha alguns anos de cidade. Tinha ingressado nos que partiram à procura de vestir uma farda para ter o futuro garantido sem sobressaltos. Não era preciso saber-se muito, era preciso viver descansado sem sobressaltos. Ela nunca tinha visto uma cidade. Era tradição da família as mulheres preservarem a sua honra, e para isso, não podia haver viagens à civilização avançada antes do casamento.
Após casamento, não conseguiram evitar a partida para a cidade, pois era ali que estava o seu sustento. Na aldeia deixaram as alfaias da lavoura e os animais que seus familiares viveriam destes.
A inveja dos que ficaram não resistiu à tentação de atirar-lhes com piadas de partida para a cidade, que na cidade até os feijões haveriam de contar!..
Eles, levaram isto a peito e não perderam tempo em procurar formas de aumentar o parco ordenado único que lhes vinha no fim do mês.
Procuravam todas e qualquer forma de ganhar dinheiro para mostrar a quem lhes disse que até haveriam de contar os feijões, que afinal até viviam abastadamente. Quando iam à terra não se escusavam de mostrar sinais exteriores de riqueza e seus conterrâneos também não se deixariam enganar com o proverbio - nem tudo o que reluz é ouro!..
Cada vez encontravam mais formas de aumentar os proventos familiares, fosse lá de que forma fosse e os sinais exteriores de riqueza não paravam de aumentar, mas a ilusão quando começa a ser grande fica cega e aconteceu e mais uma vez o proverbio popular se aplicou - tantas vezes vai o cântaro à fonte até que um dia lá fica a asa.
As fotos ilustram a passagem deste casal: abandonaram as alfaias agriculas, não resistiram aos encantos-ilusão da aurora boreal e partiram para o meio citadino, em vez de se prepararem para viver no meio citadino e depois progredirem de acordo com as suas possibilidades com os pés bem assentes no terreno que podiam pisar, não, deixaram-se iludir com os brilhantismo sem fim, passando pelo vazio isolamento.
Não foi só um casal, foram muitos.
Regressam pensativos, revoltados e querendo-se iludir, agora já voluntariamente iludindo-se que a culpa foi sempre dos outros, querendo continuar a iludir os seus conterrâneos que eles estão inocentes, que fizeram isso para fazer bem aos outros, mas os seus conterrâneos mais uma vez não se deixam enganar, embora só pensando e não falando. O fim foi o regresso ao isolamento impensável.
 

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