sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Volta ao Portugal de hoje, de ontem e de amanhã










 
Alberto, quando caminhando sozinho, agora virado para o sol nascer (foto), aproveitou para arrumar os pensamentos daquilo que havia alguns anos lhe vinha fervilhando no pensamento.
Com mais de 80 anos em cima, sentiu-se traído pela "vida". Quando jovem, viveu uma grande euforia de optimismo, grande fé e esperança num bom futuro.
Concluiu a 4ª classe, era para ir a estudar, mas os seus cinco irmãos mais novos fizeram mudar o seus pais de ideias. Ele acreditou que mesmo sem ir estudar poderia vir a ser um homem de futuro. Trabalhou na agricultura, guardou gado, fez o serviço militar, emigrou, viajou, regressou e ingressou na industria no seu querido e enesquecivel Portugal (foto de agrupamento dinâmico) que proporcionava economia sustentável e futuro, constituiu família, deu estudos secundários  aos seus 4 filhos que depois eles já a trabalhar concluíram alguns superiores.
Cruzava o pais de Norte a Sul e de Leste a Oeste, ficava satisfeito por ter regressado, via o seu país a desenvolver-se com determinação e vontade. Continuou a viajar para o estrangeiro e via que o seu país estava a progredir a um ritmo superior a outros países, ficava contente.
Agradava-lhe ver os campos cultivados e a produzir, os portugueses deslocavam-se e evoluíam. Vaticinou que dentro de algumas décadas os portugueses teriam um nível de vida sustentável dos melhores do mundo.
Com o início do período politico-governamental instável, Alberto começou a sentir-se preocupado, de inicio teve esperanças, mas depois, muito breve, começou a ver o futuro com preocupação mas nunca imaginaria que decorridas quase quatro décadas a imagem fosse a que é.
Quando os netos com a idade que ele tinha quando já trabalhava como um homem, caminhavam sempre com os olhos cravados no telemóvel (foto do lado esquerdo em baixo) e não se apercebiam do que os rodeava, seguiam completamente apáticos ao meio que os envolvia. Para Alberto, aquilo era grave e muito confuso, não anunciava grande futuro, antes pelo contrário, traria um futuro triste.
Hoje, Alberto confirma com muita tristeza, aquilo que já se vinha apercebendo há uma ou duas décadas atrás.
Ele, porque começou a trabalhar aos 12 anos, embora só ajudando os pais, mas aos 16 anos passou a trabalhar como homem, não estava à espera que alguém lhe arranjasse emprego, ele próprio procurava trabalho e não lhe faltava, numa economia sustentável, viajou, emigrou, viveu e trabalhou com outros povos e culturas diferentes enriquecendo-se e ficando de uma mente aberta para saber distinguir e separar o bem do mal, na industria onde trabalhou no seu país dava garantias e futuro económica-financeiramente sustentável para o seu fim de vida.
Agora olha para os netos de vinte e trinta anos, todos com 20 anos de escola, licenciados, mas continuam a passar o tempo mesmo que já la vão muitos anos: a pesquisar no telemóvel à procura de emprego??!!...... ou sentados durante o dia a apanhar banhos de sol, (foto direita em baixo) enquanto houver reforma dos avós...... porque a dos pais já não é garantida.....
Alberto questiona-se agora: quem o traiu foi a vida ou foram as pessoas?..........
 

 
 
 
 









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