sábado, 5 de fevereiro de 2022

Volta ao Portugal de hoje, de ontem e de amanhã - Opinião 1

 

Foto 1 -Outros tempos




                                                         Foto 2 -Período revolucionário de 1975    

Opinião I

Atravessei a primeira fronteira a salto aos 14 anos. Quando estava para ser chamado para o serviço militar quiseram oferecer-me saída de Portugal para fugir à tropa, recusei, pelos meus princípios e pelo que ouvia a meu pai, que também cumpriu o serviço militar. Depois de terminar o serviço militar com ida ao Ultramar, fins da década de 60-principios década 70, quis conhecer o mundo, conhecer outras gentes, outras culturas, onde trabalhei, estudei e até ensinei. Com algumas vindas a Portugal pelo meio, achei que devia regressar ao meu país e 06 de Janeiro de 1974 comecei a trabalhar em Portugal. Recomeço os meus estudos e comecei a conhecer estudantes desde o secundário ao superior, fazia-me pena como aquela gente pensava, alguns submissos às ideias cheias de bolor, alguns ainda não sabiam que o mundo já estava em plena mudança, já se jantava a 10.000 km de distância e tomava-se o pequeno almo do dia seguinte em Lisboa. Dá-se o golpe de Estado e alguns desses agarradinhos às ideias cheias de bolor, que no dia 24 de abril ainda foram de fato e gravata para a faculdade, passaram a andar todos desabotoados e de boina à Che-guê-vara e militar em partidos de ideologias: marxistas, leninistas, estalinistas, trotskistas e outras. Enquanto nós os trabalhadores estudantes noturnos estávamos nas aulas, eles iam para junto do edifício às janelas,  gritar das maiores blasfémias e barbaridades do mundo, sem ter respeito pelas jovens mulheres, algumas já mães, que estavam dentro da sala de aulas para aprender depois de um dia de trabalho. Alguns deles chegaram a ministros e hoje vivem em paraísos dourados. Um que é muito conhecido no mercado político, filho de um dos que teria sido muito próximo e protegido por Salazar, que terá feito das maiores fortunas, consta-se que no verão quente de 1975 nos assaltos às propriedades, alguém lhe perguntou: se és tão rico, porque não vais defender as tuas fortunas em vez de andar na política! Ele respondeu: é na política que eu defendo as minhas empresas. Sempre militou e milita em partidos da extrema esquerda. As outras gerações a seguir, vindas da mesma classe social, pensando que o socialismo já seria para sempre, quiseram seguir o complexo de esquerda e vai de vivendo burguesmente, movimentando-se por partidos marxistas-estalinistas e parecidos, tentando criar uma sociedade de - ismos – machismo, feminismo e outros, que destruísse a sociedade normal, onde eles têm dificuldade em viver. Já lá vai há duas ou três décadas que os portugueses se aperceberam que o país não estava a seguir o caminho normal e vai de deixarem de participar em eleições. A democracia é com muitas falhas, como eles já admitiram. Mas, agora que portugueses decidiram não esperar mais e querem mesmo mudar Portugal, essas pessoas que viviam na ilusão dos “ismos” pensavam que era por aí que continuariam a dominar a sociedade, especializando-se em ataques verbais imitando feras quase que selvagens. Por isso, hoje vê-se em algumas TVs, gente pronta para desferir ataques selvagens em quem apareça a falar numa sociedade sem “ismos” dizendo não à sociedade dos “ismos” que eles/as andaram estas décadas todas a querer impor aos portugueses. Por isso, temos uma democracia cheia de falhas.

 

 


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