Foto 2 -Período revolucionário de 1975
Opinião I
Atravessei a primeira fronteira a salto aos
14 anos. Quando estava para ser chamado para o serviço militar quiseram
oferecer-me saída de Portugal para fugir à tropa, recusei, pelos meus
princípios e pelo que ouvia a meu pai, que também cumpriu o serviço militar.
Depois de terminar o serviço militar com ida ao Ultramar, fins da década de
60-principios década 70, quis conhecer o mundo, conhecer outras gentes, outras
culturas, onde trabalhei, estudei e até ensinei. Com algumas vindas a Portugal
pelo meio, achei que devia regressar ao meu país e 06 de Janeiro de 1974
comecei a trabalhar em Portugal. Recomeço os meus estudos e comecei a conhecer
estudantes desde o secundário ao superior, fazia-me pena como aquela gente
pensava, alguns submissos às ideias cheias de bolor, alguns ainda não sabiam
que o mundo já estava em plena mudança, já se jantava a 10.000 km de distância
e tomava-se o pequeno almo do dia seguinte em Lisboa. Dá-se o golpe de Estado e
alguns desses agarradinhos às ideias cheias de bolor, que no dia 24 de abril
ainda foram de fato e gravata para a faculdade, passaram a andar todos desabotoados
e de boina à Che-guê-vara e militar em partidos de ideologias: marxistas,
leninistas, estalinistas, trotskistas e outras. Enquanto nós os trabalhadores
estudantes noturnos estávamos nas aulas, eles iam para junto do edifício às
janelas, gritar das maiores blasfémias e
barbaridades do mundo, sem ter respeito pelas jovens mulheres, algumas já mães,
que estavam dentro da sala de aulas para aprender depois de um dia de trabalho.
Alguns deles chegaram a ministros e hoje vivem em paraísos dourados. Um que é
muito conhecido no mercado político, filho de um dos que teria sido muito
próximo e protegido por Salazar, que terá feito das maiores fortunas, consta-se
que no verão quente de 1975 nos assaltos às propriedades, alguém lhe perguntou:
se és tão rico, porque não vais defender as tuas fortunas em vez de andar na
política! Ele respondeu: é na política que eu defendo as minhas empresas.
Sempre militou e milita em partidos da extrema esquerda. As outras gerações a
seguir, vindas da mesma classe social, pensando que o socialismo já seria para
sempre, quiseram seguir o complexo de esquerda e vai de vivendo burguesmente,
movimentando-se por partidos marxistas-estalinistas e parecidos, tentando criar
uma sociedade de - ismos – machismo, feminismo e outros, que destruísse a
sociedade normal, onde eles têm dificuldade em viver. Já lá vai há duas ou três
décadas que os portugueses se aperceberam que o país não estava a seguir o caminho
normal e vai de deixarem de participar em eleições. A democracia é com muitas
falhas, como eles já admitiram. Mas, agora que portugueses decidiram não
esperar mais e querem mesmo mudar Portugal, essas pessoas que viviam na ilusão
dos “ismos” pensavam que era por aí que continuariam a dominar a sociedade,
especializando-se em ataques verbais imitando feras quase que selvagens. Por
isso, hoje vê-se em algumas TVs, gente pronta para desferir ataques selvagens
em quem apareça a falar numa sociedade sem “ismos” dizendo não à sociedade dos
“ismos” que eles/as andaram estas décadas todas a querer impor aos portugueses.
Por isso, temos uma democracia cheia de falhas.
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