quinta-feira, 26 de outubro de 2023

Volta ao Portugal de hoje, de ontem e de amanhã - Crónica dos Tempos - 26-10-2023

 









CRONICA DOS TEMPOS – 26-09-2023.

Os anos passam, a vida muda, os pensamentos mudam, fisicamente também mudamos, mas nos pensamentos, uns mudam mais outros mudam menos e, nada como ir ao BAU buscar aquelas fotos que muitos já nem sabem que existe ou até se existiram. Certo é que, elas existem e perduram nos tempos, para hoje nos podermos confrontar com elas, ver em que mudámos e no que não mudámos.

Uns/umas, provavelmente já não se lembrarão destes momentos, por muito interessantes que tenham sido quando aconteceram, mas a vida dali para a frente também não foi igual para todos, passaram muitos anos, eramos jovens na flor da juventude, não sabíamos e nem quereríamos saber o que nos esperava dali para a frente porque o futuro é sempre uma incerteza e das incertezas muitos têm medo.

O que queríamos era viver aqueles tempos, com a responsabilidade de uma juventude responsável.

Hoje, aqueles que mais nos lembramos desses tempos, ao fazer uma retrospetiva no tempo, até ficamos um pouco banzados.

Por vezes, passo fisicamente por esses locais, paro para ver as alterações físicas desses locais, naturais ou feitas pelo homem, nem parecem os mesmos de outros tempos, lá capturo uma foto ou um vídeo para fazer comparação, mas não há comparação a fazer, outras vezes até passo sem parar o carro e esqueço.

Nós pessoas, passamos pelo ciclo da vida e, os anos não perdoam, mas ao olhar para as fotos e imagens e o que fomos fisicamente noutros tempos, que se não víssemos as imagens nem quereríamos acreditar que poderíamos ser nós, isso danos um certo alento, quem sabe, talvez nos aumente o tempo de vida e a qualidade da mesma. Mesmo que assim não seja ou aconteça, só vermos a nossa juventude em imagens do passado já nos dá momentos de alegria.

As últimas décadas do sec. XX, foram pródigas em apresentar grupos de juventude, embora das mesmas gerações, mas com pensamentos e visões diferentes. Por muito contraditório que pareça, os que mais escola entre quatro paredes tinham, foram os que menos conseguiram acompanhar os tempos, mas foram estes que mais lugares de governação ocuparam. Por isso, nos dias de hoje há muitos países a caminhar para o abismo, porque o mundo de hoje não se compadece ser governado por gente sem conhecimento do passado, do presente e visão do futuro. 

Em todo este tempo desde a nossa juventude até agora, muita coisa alterou, nesses tempos, todos queríamos era igual, diferenças não era importante, mas na realidade elas existiam. Iniciava-se a cultura da igualdade, coisa que nunca existiu nem nunca existirá, há e deve existir sim, respeito de uns para os outros e cada um viva o melhor com suas capacidades.

Em redor das sardinhas ou das castanhas até largávamos vernáculos com as queimadelas das sardinhas ou das castanhas, mas depois de bem comer e bem beber, toda aquela juventude queria era sacudir o corpo, abanar o capacete, havia que queimar as gorduras a mais que foram ingeridas, decidimos ir acabar na Discoteca O Forte, junto ao mar no Estoril, alugamo-la só par nós, eramos cerca de 60, a música era boa, vontade de nos divertirmos não faltava, mas os amores quentes não adiam nem querem perder os momentos certos, era a força da juventude, eramos uma juventude saudável e cheia de vida e imaginação não faltava. Por amor que não estaria a não ser correspondido, alguém fez gestos de se querer atirar ao mar, quem estava por perto e se apercebeu deitou-lhe logo a mão, deu nas vistas, logo uma estudante de psicologia e uma estudante de medicina tomaram conta dela, solidariedade não faltava.

Quem diria que pouco tempo antes, aquela que comia sardinhas e pernas de frango assado ali mesmo naquelas brasas no sopé da serra com o cheiro e aroma agradável das urzes e plantas diversas, contando umas anedotas em voz alta de partir a rir quem as ouvia, pouco tempo depois se quereria atirar ao mar, mas não, seria apenas um gesto para chamar à atenção das suas pretensões, coisas da juventude quando se tudo se quer de tudo o que se pensa, mas tudo acabou em bem.

Hoje, recordamos com saudade esses tempos áureos, somos diferentes, alguns já não estão entre nós, um, faleceu pouco tempo depois ao cair do cimo da parede da vivenda que andava a construir. A vida é assim, transformámo-nos e ficámos diferentes, por vezes, para pensarmos que somos nós aqueles que estamos na foto, aqueles que estávamos lá, até temos de fazer um exercício de pensamento para acreditarmos em nós próprios.

 AmerMart



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