quinta-feira, 11 de janeiro de 2024

Do Livro do mesmo autor: Mistérios da Tapada, do Largo da Luz, do Espaço Nobre 1ª Publicação - Cronica 242

Largo da Luz

Espaço Nobre

 

COMEÇAVAM a aparecer os dias radiantes com um sol quente da primavera, uns dias depois da Páscoa, convergiam de todo o país.

Com a Tapada por perto, o Largo da Luz já era conhecido, os grupos de jovens iam chegando e aglomeravam-se frente ao cinema e um dos centros comerciais mais modernos do país e, segundo diziam, o cinema  era também dos mais modernos do país e até da Europa, tinha sido inaugurado havia poucos anos e começava a era dos luxos nas instalações das casas de espetáculos.

Não havia artista famoso que não quisesse atuar nesta casa de espetáculos, não era das maiores mas começava a criar fama, até o nome era igual a um dos mais famosos da Europa, quem fosse convidado a atuar neste nesta casa de espetáculos, era um salto para o futuro.

Todos os dias ao fim da tarde no Largo da Luz frente ao cinema, os grupos de rapazes e de raparigas, apareciam separados, mas logo se começavam a misturar, todo o tempo era para dar atenção aos movimentos de cada um ou de cada uma e, ao mais pequeno sinal, os convites á distancia não tardavam, eles não se faziam rogados e avançavam, sempre com postura de respeito e consideração.

Os mais atrevidos, eram os primeiros a avançar, passado pouco tempo, quase todos os pequenos grupos femininos ou masculinos estavam transformados em maiores grupos mistos, era o que todos eles e elas pretendiam e mais desejavam.

Alguns deles já se conheciam de outras tardes também ali, mas outros era a primeira vez que por ali apareciam vindos do interior do país, por obrigações de missão ou para tentar uma nova vida.

Alguns ainda na menoridade, mas já com físico de adultos, não se deixavam menosprezar pela aparência física e queriam era passar por adultos, tanto os rapazes como as raparigas.

 Todos os nomes aqui utilizados são fictícios, não tendo nada a ver com as figuras que representam.

Durante as tardes dos dias da semana, o movimento não era por demais, mas aos fins-de semana os grupos à distância debaixo dos jacarandás no meio da praça, também junto à ribeira, o som das vozes misturado com o grasnar dos patos bravos chamava à atenção.

A grande avenida, sendo uma das mais compridas de Portugal, com pontes seculares por onde teriam passado figuras importantes nas suas charretes mesmo ainda antes da era do automóvel, figuras que ficaram para história, incluindo figuras nobres.

A construção habitacional na zona estava em franco desenvolvimento, a demografia do país era sustentável e promissora, assim, juventude para aparecer nas regiões do país que estivessem em franco progresso e desenvolvimento, não faltaria.

Muitos destes jovens que frequentavam o Largo da Luz ao fim da tarde, eram os jovens que não tinham tido oportunidade de prosseguir a escola depois do ensino obrigatório que era a 4ª classe.

Assim, estes jovens logo que atingiam os 14 anos, que era a idade que podiam começar a trabalhar legalmente – porque na prática já tinham começado a trabalhar logo que saíram da escola primária, muitos deles partiam rumo aos centros urbanos à procura da nova vida, mas faziam-no não como considerando-se uns poucos bafejados pela sorte, porque a sorte não pode chegar para todos, mas sim cheios de esperança e boa vontade à procura da sua oportunidade para lutarem pela sua vida, pelo seu futuro.

Por isso, eles sabiam gerir tão bem o seu tempo que lhes dava para tudo: para trabalharem 10 horas por dia, para se divertirem e também, parte deles inscreviam-se logo numa escola e começavam a estudar à noite, passavam a ser trabalhadores-estudantes noturnos.

A urbe que rodeava o LL crescia em ritmo acelerado, as habitações que todos os dias ficavam prontas para serem habitadas, não faltavam casais jovens acabados de formar, e outros casais vindos de todo lado à procura da sua nova vida, regiões do país houve que ficaram reduzidas metade da população, depois das partida da outra metade para os centros urbanos. De ano para ano a população aumentava exponencialmente por estas redondezas, muitos dos jovens que frequentavam o LL, trabalhavam por turnos, começavam muito cedo, mas também terminavam muito cedo, dava-lhes, para nuns dias ir para a diversão, outros teriam de ir para as aulas onde frequentavam os seus estudos.

Agora, os habitantes jovens desses tempos, ao passarem por ali, têm destas exclamações: um casal jovem desses tempos mas que agora é sexagenário disse para quem os acompanhava: Quando nós eramos jovens,  a esta hora aqui neste local, era uma gritaria de crianças e jovens a brincar cheios de alegria e os bancos cheios de adultos a olhar para aquela juventude que se desenvolvia alegremente e saudavelmente, hoje, não vejo ninguém, só o barulho do vento na folhagem das árvores.

Então, pergunta-se: se a população duplicou nesta zona, onde estão as crianças?...

Em 40 ou 50 anos nestas localidades a população duplicou ou mais, o nível de escolaridade é muito superior, quase todos os jovens têm acesso à universidade, só os que desprezam essa oportunidade é que não chegam à universidade, já não precisam de ser trabalhadores-estudantes noturnos.

Então onde está o problema? Que problema existe? Será só nestas localidades ou será em geral por todo o país?

O problema é geral e nacional.

A população em Portugal desde há 40 anos não aumentou muito, simplesmente se deslocou, migrou.

Na década de 70 do sec. xx Portugal tinha cerca de 10.000.000 (milhões) de habitantes. Agora, na terceira década do sec. XXI, Portugal tem cerca de 10.000.000. (milhões) de habitantes.

Então que fenómeno se está a passar?

 O ESPAÇO NOBRE já era conhecido há muito e era recomendado por informação bola de neve, tinha fama, era frequentado pela classe média e média alta. Os da classe media baixa, os mais afoitos e atrevidos também iam por ali à procura de conhecimentos, principalmente por aquilo que ouviam dizer deste espaço.

Em edifício histórico e monumental, zona nobre da cidade, dois amplos pisos e escadaria larga ao meio, alguns a apelidavam de 2ª assembleia da república.

Algumas cátedras ficavam por perto, mas mesmo das que ficavam longe, não faltava quem viesse para este espaço único.

Horas do dia e quase todo o dia aos fins de semana, enchia-se por completo, não só de aspirantes a doutores e engenheiros, como também de outros consumidores de leitura de todos os géneros.

Também um bom número de madames de todas as idades, que se queriam regalar de ter pela frente alguém que nunca se cansavam de manter a vista em cima, sabe-se lá por onde andava o pensamento, quando chegava a hora do lanche, elas chamavam o empregado em voz alta para darem nas vistas, pronunciado demoradamente que queriam o seu chá e bolo acabado de fazer com o respetivo garfo e colher, não deixavam de dar a olhadela por baixo e de lado para as mesas onde vissem só homens jovens.

No Espaço Nobre, de tudo poderia acontecer um pouco, estava-se numa fase da sociedade que a sociedade pulava de dia para dia com situações novas e inimagináveis, desde o homem que colocava na tribuna palco de espetáculos, a gritar por: general vasco Gonçalves e almirante Pinheiro de Azevedo, ao elegante par de figuras cinematográficas que apareciam quase diariamente para se mostrarem aos presentes.

Ele, também ex-aspirante a engenheiro, mas já quase a terminar, algum neurónio deixou de funcionar, ela, vestida de freira, mas jovem elegante de cara rosada com cores provincianas, mas vestida de freira dava uma elegante e rara irmã.

Como eles se conheceram… o José, depois de ter dado por concluída a apirância a engenheiro, o sustento também lhe faltou e recorreu à casa de caridade que era gerida pela responsável freira que também, depois de ter concluído a sua engenharia, concluiu também o seu destino, seria servir e ser útil a quem precisaria pela via da caridade divina.

Assim, ao ver José em tal situação não foi difícil compadecer-se dele e disponibilizar-se para sua companhia em momentos de mais dificuldades, e, José que ainda não tinha todos os neurónios avariados, não perdeu tempo a aproveitar a oportunidade que se lhe deparara.

De imediato passou a convidá-la para que o acompanhasse a passar pelo local onde teria passado anos a derreter os neurónios, mas que quase nos últimos, alguns fundiram e parou.

Agora não dispensava de passar por lá regularmente, que seria o seu equilíbrio fundamental, mas na verdade, ele queria mostrar aos ex-colegas que não tinha ficado passado de todo e, ainda havia quem acreditasse nele.

José e a bela irmã, ao princípio apareciam sempre ao lado um do outro, muito próximos mas sem se tocarem, mais tarde a bela irmã não teria conseguido resistir à insistência de José e cedeu a aparecerem der mãos entrelaçadas, também seria uma obra de caridade, ter compaixão de quem precisa e quer, terá pensado a irmã.

Os frequentadores e utilizadores habituais do Espaço Nobre mais recém-chegados, faziam dele como se fosse espaço de receção dos seus amigos e familiares vindos das suas origens quando os vinham visitar, recebê-los neste espaço, dava-lhes elevação social, seus conterrâneos ao verem-se naquele meio, viam também o caloiro como um futuro doutor garantido e de futuro promissor, seria um futuro conhecedor dos meandros e segredos da vida da capital.

 GILBERTO, foi um dos que conheceu o Largo da Luz, depois de ter vindo do interior do país para essa zona com o objetivo de começar a estudar, porque com mais cinco anos teria de cumprir o serviço militar, a sua intenção era conseguir habilitações literárias para integrar no serviço militar como aspirante a graduado.

Foi-lhe oferecida habitação e estadia em casa de familiares, que também deveriam favores à sua família na terra de origem, mas passado pouco tempo, foi-lhe pedido pagamento da sua permanência na mesma habitação.

Assim, Gilberto ou regressava à terra ou teria de arranjar forma de sustento para pagar a sua residência.

Não quis regressar à terra e optou por conseguir um trabalho que lhe daria rendimentos para se manter a estudar onde já estudava, mas abandonou a residência familiar e foi para outra que lhe era mais em conta.

Com os conhecimentos e amizades que foi obtendo, conheceu o Largo Luz nas redondezas.

Gilberto, depois de conhecer o ambiente do Largo da Luz e lhe ter agradado, não demorou em se integrar, era mesmo este ambiente que lhe interessava, matar saudades do seu provinciano estando no meio citadino.

Gilberto tinha vindo da aldeia para a cidade para estudar, conhecer novos mundos também era uma das suas opções e não perdia uma oportunidade sempre que se lhe deparava, o conhecimento através de viajar chamava por ele, seria uma parte da vida que ele procurava w não desperdiçaria sempre que lhe surgisse oportunidade para isso.

Gilberto nunca tinha visto um filme para adultos, no Largo da Luz, os cartazes anunciavam filmes dos mais evoluídos e, quase sempre só para adultos ou maiores de 18 anos.

No BI, Gilberto ainda não tinha 18 anos, mas já com físico de adulto e acompanhado por quem já era maior de 18 anos, conseguia entrar sem ter de mostrar o BI na bilheteira.

O filme não era dos mais atrevidos, simplesmente mostrava o casal em movimentos de fazer sexo debaixo dos lençóis e apenas se viam os movimentos, mas para a época já era considerado novidade e atrevido.

Fim da 1ª publicação – publicada em 11-01-2024

 

 


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