sábado, 10 de abril de 2010

Crónicas do Dia Seguinte

Testemunhos: Nº 10 - Abr 2010.
Júlio concluiu a instrução escolar obrigatória. Não tinha mais nada para fazer. Os companheiros, alguns tinham partido para a continuidade dos estudos. Outros, começado a trabalhar. Ele não, passava o tempo vagueando pelas pequenas ruas da Aldeia. Não gostava de estudar. O sonho dele era ganhar dinheiro e ficar rico rapidamente.
O casal de familiares que vivia na capital, reparou e levou-o para a capital. Parecia um miudo esperto. Atrás do balcão da pastelaria, cedo haveria de dar nas vistas, não paravam de lhe dirigir convites. Ainda não tinha completado 20 anos, aceitou ir dirigir uma Pensão Residencial.
O dinheiro caía em catadupa. Mesmo assim, ainda queria mais. Noutros negócios menos claros se meteu e então, cada vez mais dinheiro. Não resistiu a começar a ir à terra exibindo poderio de dinheiro e sinais exteriores de riqueza com os seus belos carros de topo. Na terra passou a ser visto como o miudo esperto e homem de sucesso.
Inês, jovem da idade de Júlio, não lhe passava despercebido o sucesso do ex-companheiro da primária, embora ela tivesse concluído o secundário e iniciado o superior, mas para ela contava mais os belos carros e a classe como Júlio se vestia. Tornava-o um dos jovens mais falados e atraentes da localidade.. Contra a vontade dos pais, Inês deixa-se enamorar por Júlio. Júlio prometia-lhe que tinha uma bela vivenda à espera dela na capital. Quando os pais de Inês quiseram interferir já era tarde. Inês fez de propósito, quis ficar grávida para assim se poder juntar mais rapidamente a Júlio. No casamento apressado Júlio fez um casamento à rico, numa Quinta com muitos convidados, quase todos pessoas de mais idade, desconhecidos, escondidos atrás de grandes óculos escuros, exibindo grandes carros.
Este ambiente não passou despercebido aos pais e convidados de Inês. Mas Inês tinha pressa de se juntar ao homem com fama na aldeia, de ser um Gestor de sucesso na Industria Hoteleira, para ir para a capital viver na vivenda que estava à sua espera.
Em Lisboa, Inês não foi para a vivenda anunciada. Foi para um pequeno apartamento águas furtadas num dos bairros mais degradados da capital, zona da Pensão que Júlio geria. Inês rápido se apercebe da situação, mas não queria acreditar! Não podia ser verdade o que lhe estava a acontecer!..
O tempo passava e Júlio não levava Inês ao seu trabalho. Quando foi, Inês encontrou uma - Casa de passe-curta permanência. Era esta a unidade hoteleira que Júlio geria.
Inês, viu Júlio permanecer atrás de uma pequena mesa ao cimo das escadas, fingindo que identificava quem entrava (os acompanhantes das meninas) ao mesmo tempo que tinha Lisete ao seu lado e esta passou a ser a atenção de Júlio. Lisete era uma jovem elegante, loira, vinda de gente de bem, que tinha abandonado os estudos e se passou a prostituir por causa da droga. Agora tinha deixado de se prostituir para ser exclusiva de Júlio, vivia no apartamento de muitas e boas assoalhadas na zona socialite da cidade que Júlio lhe tinha oferecido e mobilado do melhor que havia, onde Júlio passava parte do tempo. Aqui, Júlio e Lisete davam a imagem de um casal da classe superior, ostentando carros e telemóveis de topo. Os vizinhos diziam que eles deviam ser gente muito rica. Júlio nadava em dinheiro vindo da casa de passe e dos produtos comprados vindos dos furtos e roubos. Inês, embora não tivesse vivência citadina que lhe permitisse identificar toda aquela situação, não ficou com muitas dúvidas donde vinha o dinheiro a Júlio e a vida que ele fazia. Em breve Júlio foi preso e para durar. Júlio na prisão, ainda deu ordens a Lisete para gerir a Pensão e que desse dinheiro a Inês e à filha que já tinha nascido, mas Lisete gostava de consumir droga da boa e o dinheiro não chegava para Inês. Inês ainda se quis fazer amiga de Lisete, vendo que também tinha sido menina bem e que foi um infortúnio ter ido para ali, mas Lisete já estava noutra.
Como o dinheiro não chegava para a droga e Júlio não viria tão depressa da prisão, Lisete volta a prostituir-se no próprio apartamento que Júlio lhe tinha oferecido, ao mesmo tempo que ia vendendo toda a mobília da casa, liga-se a um cliente asiático com muito dinheiro que lhe prometeu todo o dinheiro que ela quisesse para a droga, mas na condição de casarem, para ele se poder legalizar em Portugal e Europa. Este, vendo ali a possibilidade do seu sonho, ter um filho de uma europeia e loura, promete-lhe tudo. Lisete ficou grávida. O asiático foge com ela para parte incerta para nunca mais serem vistos.
Júlio é julgado novamente e apanha uma pena de muitos anos de prisão.
Inês regressou à terra com uma filha para criar.
Continua»»»
Américo

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