sexta-feira, 1 de abril de 2011

Volta ao Portugal de hoje, de ontem e de amanhã



Nas minhas viagens - vá para fora cá dentro - início da década de noventa, passava eu junto a uma exploração agrícola, igual a muitas outras por este Portugal a dentro. Era Maio e meio da manhã num sábado, dia dos mais úteis para a agricultura, eu que o diga, vi à frente de uma exploração agrícola familiar típico do interior do país, um pai e dois filhos já adultos, quis parar o carro e eu e as pessoas que me acompanhavam dirigimo-nos a eles na intenção de comprar produtos alimentares de qualidade.

Meteram conversa connosco, disseram que tinham as máquinas agrícolas paradas, estavam à espera dos técnicos que vinham contar os animais e pagar-lhes para não trabalharem (palavras deles) iriam receber um subsídio que equivaleria ao que eles produziam, mas para não produzirem.

Dissemos-lhes se não seria um bocado desonesto isso. Eles responderam que havia quem fizesse pior. Nas redondezas havia alguns que deslocavam os animais de uns para os outros pela calada, para depois os técnicos contarem mais animais (estes animais eram contados várias vezes) e assim ficariam a receber mais subsídios.

Perguntámos-lhes se um dia não se viriam a arrepender, porque isto não podia durar sempre, eles concordaram, mas disseram que naquele momento não tinham outra saída senão aceitar o que lhes era proposto.

Decorridos 20 anos aí temos a resposta e o resultado. Um país a importar 70 a 80% do que consome, as pessoas que sabiam produzir ficaram velhas, os novos viciaram-se nos subsídios e o resultado de tudo isto está às vistas.

Por essa altura ouvi dizer a um conhecido professor de economia numa das universidades mais conceituadas em Portugal que o país com os subsídios começaria a cair e que só começaria a crescer quando acabassem os subsídios.

Mas não era preciso ter-se passado por uma universidade para se aperceber que aquela politica dos subsídios para as pessoas não produzir iria levar o país e a sociedade à ruína, à desgraça.

Nos meios urbanos aconteceu a mesma situação. Passaram a dar subsídios a quem não queria trabalhar, criaram-se exércitos de subsídio/dependentes, criando-se portanto o barril de pólvora social.

Qualquer cidadão bem pensante sabia que aquela politica de subsídios levaria o país e a sociedade à ruína.

O dinheiro para pagar esses subsídios saía dos impostos dos que trabalhavam e haveria de chegar o dia em que a coisa rebentava.

Quando alguém chamava à atenção dessa desgraça que se estava a generalizar, "os progressistas" ripostavam logo por vezes até com insultos, porque eram esses progressistas os que mais beneficiavam dessa politica.

Essas politicas aconteceram porque as fileiras da governação (agora aqui já é abrangente a muitos países europeus, embora mais em Portugal) foram preenchidas com indivíduos que não tinham preparação para tal responsabilidade.

Eram pessoas que se tinham formado entre quatro paredes e à pressa para ocuparem esses lugares porque o que era preciso era ir para lá e ocupar o lugar.

Depois mais tarde, muitos dos que iam ocupando esses lugares eram criaturas que tinham adquirido os seus diplomas de uma forma obscura, não tendo nem sequer preparação escolar, quanto mais a preparação prática e cientifica.

Qualquer pessoa que pisou o chão de uma faculdade por essas alturas, sabe como é que muitos conseguiam os canudos e eram muitos desses que depois iam ocupar esses lugares que deram aso ao que se passou, que nos levou a perder duas ou três décadas e agora temos uma sociedade super endividada, sem práticas e cultura de trabalho, viciados nos truques e números falsos, manipulação e empolamento de resultados.

Isto hoje em dia acontece já tanto nas empresas publicas como nas privadas, embora haja excepções. Ainda há algumas empresas privadas que se esforçam por trabalhar com números verdadeiros. Provavelmente também haverá empresas publicas que se esforçarão por trabalhar com números verdadeiros.

Mas calcula-se que só cerca de 30% das empresas em Portugal se esforçam por trabalhar com números verdadeiros, que são as que estão a aguentar o país.

Também se diz que cerca de 30% das pessoas não se deixaram corromper pela falsificação de tudo. A começar desde a família, passando pela escola e chegando à vida profissional. Também são estas pessoas que estão a aguentar a sociedade e destas partirá o futuro da sociedade.





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