Depois de ter nascido, criado e completar o secundário nestes campos e nesta Região, apanhou esta comboio com destino à cidade para iniciar o curso superior.
Era inicio da década de 70 e com as habilitações literárias que possuía, não lhe era difícil encontrar um posto de trabalho para assim conquistar a sua independência financeira e não depender das parcas posses financeiras dos pais que continuavam a criar uma prole de filhos todos mais novos que a Nela.
Nela era uma jovem espevitada e divertida, elegante, alegre e sempre que tinha oportunidade de testar algum jovem que lhe agradaria para futuro namorado que reunisse as condições idealizadas, para o apresentar aos pais para futuro marido. Era um sonho que alimentava, arranjar um bom namorado para o apresentar aos pais como futuro bom genro.
Coube-lhe a sorte de se apaixonar por um homem casado com quem teve as primeiras experiências sexuais.
Não sabendo que o homem por quem se apaixonou era casado, Nela depois de ter evitado as primeiras gravidezes, por sua própria vontade quis engravidar. O seu namorado/amante assim que soube da gravidez, tentou convence-la a praticar o aborto. Nela nem pensar nisso. Primeiro porque ela queria mesmo ter um filho deste homem a quem lhe entregou com todo o prazer a sua virgindade e também como já estava nos seus 25 anos e o curso universitário estava a correr bem, já lhe apetecia ter um filho, porque tinha idealizado casar com este homem. Segundo, era de todo contra o aborto e mesmo por questões religiosas (era católica praticante) de forma alguma aceitaria fazer um aborto.
O namorado/amante, optou por lhe revelar que era casado e já tinha filhos da outra mulher.
Nela ficou perdida. Após segredar com algumas amigas confidentes, perante a catástrofe perante a família, em ter um filho de um homem casado e fazer um aborto, optou pelo aborto, mas foi feito no segredo dos deuses, porque se a família soubesse desse seu aborto seria uma catástrofe entre ela e a família.
Nela afastou-se do seu namorado casado, recompôs-se com os amigos, mas numa das viagens à terra, não deixou de uma vizinha dizer à sua mãe que parece que a Nela teve pano na cara, (indícios de cara de mulher que pariu recentemente)
À mãe de Nela também não lhe teria passado despercebido este sinal, mas não lhe convinha falar, antes pelo contrario, teria mesmo que silenciar ao máximo. No entanto, questionou a filha. Nela, jurou- lhe por todos quantos santos havia e em nome da padroeira da terra. Disse à mãe que se um dia ficasse gravida antes do casamento do homem que viria a ser o futuro marido, preferiria ir de barriga à Igreja, mas nunca faria um aborto, jurando à mãe com juras religiosas. Pensando que assim a mãe acreditaria mais. Venceu a mãe mas não a convenceu. Nela tinha aprendido muito na universidade e na vida social em Lisboa, mas não tinha conseguido chegar à saberia popular e não soube disfarçar o pano na cara.
Nela continuava a sua vida universitária e profissional e agora ela divertia-se mesmo, mas já seria muito difícil deixar-se engravidar.
Não fugia às responsabilidades de ajudar os irmãos mais novos, pois sabia que estes também foram privados de algumas coisas, para os pais terem dado os estudos secundários completos a ela própria.
Dos seus cinco irmãos, a mais nova que era uma rapariga já tinha dez anos. A mãe já tinha passado os 45 anos e a família estaria completa.
Passado algum tempo, a mãe de Nela quando esta a foi visitar à terra, deu-lhe a noticia de que ela própria estava gravida.
Nela ficou descontrolada, insultava o pai, chamava todos os nomes feios ao pai.
Mas o pai de Nela tinha 55 anos, a mãe 47, estavam numa idade em que o apetite e desejo sexual continua e em alguns casos vigorosamente. Como eles não teriam todos os cuidados contraceptivos, as probabilidades de engravidar eram elevadas, e assim aconteceu naturalmente.
´Nela, pergunta à mãe quantas pessoas já sabiam da gravidez. A mãe confirma-lhe que ainda só sabia ela e o pai.
Nela não estava disposta a ter mais um irmão. Fala com o pai e este diz-lhe que não vinha mal ao mundo se nascesse mais uma criança. e até estava a gostar de ter mais um filho para que os acompanhasse mais até à idade mais avançada.
Nela provoca o confronto com o pai. O pai proíbia de se meter na vida intima dos pais. Nela vira-se para a mãe e provoca o confronto entre os pais. A mãe entra em confronto com o marido e diz-lhe que ia passar uns tempos com a filha a Lisboa.
Não lhe teria sido fácil, mas Nela conseguiu dar a volta à mente da mãe e leva-a a fazer o aborto clandestino.
Informa o pai que a mãe foi acometida de uma doença/gripe perigosa/contagiosa e precisaria de ficar uns tempos por Lisboa para não haver o perigo de levar o contágio da gripe para casa. Depois informou o pai, que o médico teria dito que para salvar a vida da mãe teria de ser sacrificada a criança no ventre da mãe.
O pai não sendo um homem letrado, que passava o tempo a escavar vinhas e tratar dos animais, não engoliu esta peta que a filha lhe quis impingir, mas não teve outro remédio se não aceitar a situação. Pois viu que já tinha sido ultrapassado.
Reconhecendo depois, que toda aquela artimanha da filha de provocar confrontos entre os três, não era mais do que o inicio da preparação para conseguir a interrupção da gravidez da mulher e de uma criança que ele e a mulher já esperavam para ter um filho ou filha a acompanhar os pais até mais tarde.
O pai de Nela entra numa depressão de tristeza, acabou por mais tarde arrastar a própria mulher para essa depressão, a mulher ainda acabou por ficar pior, pois não conseguia deixar de pensar no castigo divino que teria de sofrer enquanto vida e depois de morrer, por ter interrompido a geração de uma criança.
Este casal com a idade que tinham e com a cultura, religião e forma de pensar, terem sido levados a fazer um aborto e de um filho que embora de uma gravidez inesperada mas que depois já era aceite e desejada, para eles foi a tortura até aos últimos dias da sua vida.
Passaram os últimos anos da sua vida, sozinhos e provavelmente a pensar na criança que foram obrigados a interromper a sua criação e que teriam razão quando pensavam nessa criança mais nova que os iria acompanhar até mais tarde. Pois os outros filhos, na sua velhice pouca assistência lhes prestaram.
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