Concluiu o curso universitário. Júlia (nome fictício), era meados da década de 90 do século XX.
Era ambiciosa e desejosa do futuro, mas queria jogar pelo seguro, eram conversas correntes pelos finalistas da sua faculdade. Telefonou ao amigo para irem tomar um café ao Forum Saldanha. Perguntou ao amigo qual seria o partido que lhe daria mais garantias de futuro, para se ir inscrever para ter um futuro mais garantido. Júlia já tinha pensado nos dois partidos. O amigo, que não era partidário, disse-lhe que o domínio dos partidos sobre a sociedade não seria eterno!.. e deu-lhe a entender que poderia não durar por muito mais tempo.
Mas Júlia não quis seguir as palavras do seu amigo e detro de pouco tempo estava colocada em bom lugar.
A partir daí, a maior preocupação de Júlia era defender a boa situação que tinha conseguido com as cunhas que conseguiu arranjar. Um bom ordenado mensal, décimo 4º mês, horários flexíveis e curtos, podia vir fumar para a rua quando lhe apetecesse, pois estava bem claro na Constituição (lei do trabalho) que o trabalhador tinha direito a todas essas regalias.
Início do século XXI, Júlia sentia-se de facto segura e garantida para o futuro. Podia continuar a viver a vida confiantemente com tudo aquilo que já tinha conquistado até ali.
A nova classe social moderna superior, descobre um novo habitat, a cidade dos sonhos e é para aí que toda essa classe pensa e quer ir. (ver fotos)
1ª foto do nosso lado esquerdo, não conseguiam resistir a esta paisagem.
Foto do meio, estas moradias encantadoras custavam o couro e o cabelo, mas o desejo pessoal e de querer mostrar à sociedade o seu statu-quo, era tão forte que conseguia vencer alguma dúvida sobre o futuro, que lá no fundo, Júlia nunca chegou a confiar totalmente no lugar de ouro que já estava feito e lhe foi oferecido de uma forma milagrosa e inesperada.
Ir viver para aquele paraíso era um sonho que nunca antes tinha imaginado, mas foi. O empréstimo bancário também foi facílimo.
Depois, era só agendar os programas fantásticos que tinha à sua espera. - Foto da direita.
Alguns anos passaram e toda aquela segurança começou a tremer. As bolhas de 2008 rebentaram. O lugar de ouro foi pôsto em causa. Júlia participou em algumas manifestações de rua para tentar defender os seus direitos. Não adiantou muito porque o destino do seu lugar de ouro já estava traçado há muito tempo, acabaria por desaparecer. Mesmo assim, Júlia ainda continuou a movimentar-se pelos seus direitos, mas eram muitos na situação dela, e Júlia rendeu-se à realidade.
Algum tempo passou e Júlia ainda uma mulher de 35 anos, repensou a sua vida achou que teria de ir por outro lado para levar a sua vida para a frente.
Decide iniciar a sua actividade profissional por conta própria, empresária individual, achou que em quem poderia confiar melhor o seu futuro era ela própria.
Agora Júlia, trabalha 14 horas por dia, sente-se uma mulher no centro da vida, diz que é uma mulher feliz, que finalmente está a construir o seu futuro e que este país e o mundo está cheio de oportunidades.
Sem comentários:
Enviar um comentário