Os tempos passam e mudam, as situações repetem-se, só que, penosamente diferente, mas a natureza das coisas a isso obriga. E sabe-se-lá se é mesmo assim que tem que ser para levar as coisas ao sítio.
Hoje, há pessoas que fazem 300 km e passam um dia e uma noite numa fila para conseguirem alugar um Toldo na praia por 500 €uros para uma semana - foto lado direito.
Ainda nas décadas de 60 e 70 do século passado, cerca de 20 a 30% da população portuguesa também marcava com antecedencia - às vezes com duas ou três semanas de antecedencia - o lugar na Eira para melhor poder colocar a Mêda dos seus cereais, para depois a Malhadeira poder ficar - assentada - de forma a ficar mais acessível à Mêda e assim conseguisse fazer um bom trabalho com menos pessoas. - Foto lado esquerdo.
Por essa altura na década de 70, vi passar citadinos pelas aldeias rurais e ao terem conhecimento destas situações, faziam com pena paternalista comentários de que essas práticas eram ainda usos ancestrais e havia que libertar as pessoas de tais situações.
Mas na década de 70 o PIB do nosso país era muito superior à média europeia, como a foto do meio o confirma: Barra verde Portugal, Barra laranja média europeia. Hoje o PIB de Portugal é muito inferior à média europeia.
Muitos dos que fazem 300 km e estão dia e noite na fila para alugar um toldo para depois passarem uma semana debaixo desse toldo sem saber o que estão a fazer e a pensar, muitos deles serão filhos e/ou netos destes que vemos ali na foto do lado esquerdo a chegar e meter pão na Malhadeira. Treinaram-se e cursaram na escola que aprenderam todas as formas de viver fazendo o menos esforço conseguido dinheiro fácil seria o mais esperto, logo era herói!... mesmo que não tenham muito dinheiro na carteira, também se convenceram que não precisariam dinheiro em mais lado nenhum. Viver o dia de hoje. Amanhã será outro dia e de algum lado háde aparecer dinheiro para esse dia.
Há cerca de dois anos alguém dizia que o curso da deslocação em breve se inverteria. Ou seja, não demoraria em que a migração inverteria o sentido - do litoral para o interior.
Quando já não houver os 500 €uros do subsídio, para alugar o Toldo, também já não farão os 300 km nem precisarão estar dia e noite na fila.
Pois até se vêm presentemente pessoas no interior do país dizer que a crise não existe. Que o movimento na sua loja está a aumentar, que precisam de alguém para trabalhar e não aparece quem queira trabalhar.
Provávelmete num futuro não muito longe, veremos as pessoas nesses locais de economia verdadeira, circularem felizes e confiantes no futuro.

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