A expressão: ocupar os tempos livres, tédio por não ter nada para fazer, matar o tempo, tem os dias contados.
Não precisamos de recuar muito na história para confirmar que uma das maiores preocupações do dia à dia era a falta de tempo.
As novas tecnologias, vieram fazer com que o ser humano pudesse ter tempo para fazer muito mais do que fazia antes de dispor dessas vantagens, mas não para que sobrasse tempo sem saber o que dele fazer.
Aconteceram essas situações de tempos livres, porque as pessoas deixaram de saber gerir bem o tempo de que dispunham. O único tempo que pode ser considerado livre, é o tempo que precisamos para nos sentarmos: quando ficamos um pouco baralhados com tanto para fazer e não sabemos por qual dos trabalhos devemos começar. Aí, sim, devemos sentar-nos e pensarmos qual desses trabalhos tem prioridade. De resto, não há tempos livres.
Muitas pessoas que dizem, que não têm nada para fazer, nem quarenta por cento do que deveriam e precisavam de fazer, fazem. Talvez tenham sido vitimas de uma cultura do desleixo.
Uma jovem, que acabava a sua licenciatura de três anos, lamentava-se e culpava toda a gente, porque ela não tinha ali à sua espera o emprego que "merecia" e a culpa era dos governantes e da sociedade, continuava a protestar, ora em manifestações, ora em protestos de Praça, continuando por tempo sem fim na mesma situação.
Outra jovem, que terminava uma licenciatura de cinco anos, enquanto aguardava pela resposta que lhe tinha sido prometida, aproveitou e foi fazer as vindimas da sua Região, ganhando dinheiro pra reforçar as suas poupanças.
Esta jovem, teve que interromper as vindimas, para ir preencher o lugar para o qual tinha concorrido.
Mas a jovem que só protestava e dizia que não tinha andado a tirar uma "licenciatura = a bacharelato" para ir fazer outra coisa, continua a protestar e a ocupar praças.
As três fotos que escolhi para ilustrar esta crónica, foram todas tiradas na mesma Região e na mesma época do ano.
Enquanto uns aproveitam estiraçados o Sol extasiando-se (matando o tempo) outros trabalham noite e dia, pois a época assim o exige. Enquanto os produtos alimentares que ainda estão na produção, correm o risco de se estragar por falta de quem os vá apanhar.
Pois não demorará muito tempo, em que essas mesmas pessoas que agora estiraçados "matam o tempo" porque alguém os está a alimentar, num futuro muito próximo, terão de aprender a gerir bem o tempo para que lhes chegue para fazerem tudo o precisam de fazer.

Sem comentários:
Enviar um comentário