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VOLTA AO PORTUGAL DE HOJE, DE ONTEM E DE AMANHÃ
Alberto nasceu numa aldeia no interior do país. Seus pais, comerciantes e agricultores nunca lhe faltaram com nada, mas também não o deixavam passar o tempo de uma forma inútil, assim como a todos os seus irmãos e irmãs, se não houvesse nada para fazer, desde tratar dos animais ou ajudar na loja, podiam ir brincar na rua com os outros, mas desde que houvesse alguma coisa para fazer, primeiro estavam as obrigações e depois a devoções.
Cedo
demonstrou que era bom aluno e o seu objetivo e de seus pais era assim que
terminasse a primária ir para a cidade estudar e assim aconteceu. Nas primeiras
viagens de fim e princípio de férias viajou acompanhado, mas depois teve que se
habituar a viajar sozinho e como o percurso era sempre o mesmo, começou a
conhecer os locais quase de cor e salteados, apercebia-se sempre havia
alterações nas paisagens.
Ultimas
décadas do sec. XX, rompiam-se grandes encostas para construir grandes pontes,
viadutos, vias de comunicação e áreas cobertas de produção industrial e
comercial, à medida que Alberto ia crescendo ia-se apercebendo que o seu país
estava numa grande transformação, começava a sentir orgulho do seu país, mas
também à medida que ia crescendo, estudando mais e tendo mais conhecimentos, ia
também tendo conhecimentos de outros países através dos seus estudos,
engenharia que concluiria a licenciatura e cada vez ambicionava mais ir
conhecer esses países pessoalmente, estava nos seus planos, assim que
concluísse os estudos daria uma volta de um ou dois anos por outros países para
conhecer in-loc o progresso desses países.
Algum tempo
antes de concluir o seu curso, Alberto havia de conhecer a mulher que viria ser
a mulher da sua vida, também estudante universitária, mas de outra área, não
mais pararam de namorar, concluíram os respetivos cursos ao mesmo tempo e
também a sua namorada ambicionava conhecer mundo antes de se fixar no seu país
para constituir família.
Concluídos
os cursos, partiram em aventura dispostos a andar pelo estrangeiro quase sem
destino, Alberto tinha lido que Jean Monnet, pai da preparação da União da
Europa, dizia para os filhos, que quando viajassem, dessem atenção a tudo
quanto se passava em seu redor, porque poderiam ser acontecimentos importantes
que nunca mais teriam oportunidade de presenciar. Alberto e a namorada não eram
filhos de pais ricos que os pudessem abonar nas suas despesas, por isso, uma
das suas principais preocupações assim que partiram foi pensar como poderiam
ganhar dinheiro para fazer face às suas despesas. Não se preocupavam muito em
arranjar trabalhos sempre a condizer com as suas especializações, o que
interessava era ganhar o suficiente para fazerem face às suas despesas do
dia-a-dia vivendo bem e também fazendo alguma especialização da área de cada um
sempre que se lhes deparava a oportunidade, pois sabiam que o mundo e a sociedade
estava a evoluir em passos largos e quem não acompanhasse essa evolução ficaria
para trás irremediavelmente.
Depois de
terem passado por países que mais lhe interessava e terem estado no estrangeiro
mais tempo do que pensavam, regressar ao seu Portugal era o objetivo seguinte,
porque foi este país que lhes tinha dado a oportunidade de se formarem, que
investiu neles e seria então que eles queriam investir no seu país e devolver
os investimentos públicos que o seu país tinha feito neles.
Os 4 anos
que passaram pelo estrangeiro não se ficando só por um continente, mais tempo
do que pensavam quando partiram, a vida
até nem lhes correu mal, claro que souberam investir o tempo e não o
desperdiçando, mas regressaram com algumas especializações que cá não poderiam
ter feito e ainda algum dinheiro para começarem a vida na sua terra.
Sendo jovens
amadurecidos, dedicados e conhecedores, não lhes foi difícil arranjar colocação
a condizer logo de seguida, havia finalista dos seus cursos que ficavam
admirados que Alberto e sua mulher porque, entretanto, tinham casado, tivessem
arranjado boa colocação logo que regressaram do estrangeiro, porque estes não
tinham nada a ver com aqueles que terminavam o curso e ficavam à espera que a
boa colocação lhes fosse bater à porta.
Do casamento
vieram filhos, o casal não tinha dúvidas de que iria dar uma criação e formação
aos seus filhos idêntica à que eles tiveram, incluído assim que terminassem o
curso, partissem algum tempo pelo estrangeiro para conhecer o mundo e adquirir
conhecimentos que no país onde nascemos e somos criados não se adquirem, mas à
medida que os anos iam passando, Alberto e a mulher, viam que o seu país não
estava a seguir os caminhos que eles pensaram anos antes, viam que aquele país
de grande futuro que eles viram quando eram jovens não apareceu.
Para eles,
já não era o mais importante porque eles já tinham uma parte da vida andada e
também alguma riqueza acumulada que lhes daria para fazerem face a um futuro
menos risonho, mas o que os estava a preocupar mais, eram os seus três filhos,
dois rapazes e uma rapariga que já nasceram neste seculo XXI e teriam menos
esperanças e hipóteses de futuro que tiveram eles. Terminar os cursos e ir dar
uma volta pelo estrangeiro já não era ambição, já não era projeto para o
futuro, porque o futuro que se vislumbrava agora já era outro, prepararam os
filhos não para terminar os cursos e ir dar uma volta pelo estrangeiro adquirir
conhecimentos para regressar ao seu país para se fixarem e construírem o seu
país já não era pensar no futuro, mas
sim, terminar o curso a pensar partir par o estrangeiro e se possível
definitivamente, porque o seu país não evoluiu no sentido que tinham imaginado
e, ficarem no seu país que investiu em
universidades para que os seus estudantes pudessem vir a ser dos melhores
técnicos do mundo, mas depois já como técnicos, os rendimentos do seu trabalho,
50 a 60% ou mais, ficava-lhes nos descontos e teriam de andar a trabalhar para
impostos. Assim sendo, Alberto, com muita pena, vê os seus filhos não poderem
fazer o mesmo trajeto que ele e sua mulher fizeram. O peso de consciência de
devolverem ao erário publico o que gastaram nas universidades vindo do imposto
dos cidadãos que trabalham, muitos sem horários de trabalho e/ou de sol a sol e
que depois de 40, 50, anos de trabalho, vão ficando com reformas reduzidíssimas
esperando pela morte, não pode ser um país de futuro. Também isso deixou de pesar na sua
consciência, porque também se sentem enganados, porque, perante o que
aprenderam nos livros e das cátedras, o país que lhe anunciaram e que era
possível, não o encontraram depois de concluir o curso, não teriam de partir
definidamente pelo mundo à procura de se fixarem e de dar cidadãos e cidadãs a
outos países e a outras nações, porque alguma coisa estaria errado. Talvez lá
do lado de fora, depois de conhecer outros mundos, consigam ver onde está o
erro no seu país e talvez o consigam corrigir visto do lado de fora.

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