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Início
de 2023, o Portugal de hoje, para os 15 milhões de portugueses incluindo
emigrantes e lusodescendentes, cada um de nós vê um Portugal à sua/nossa
maneira, mas também cada um de nós não vê o Portugal que gostaria de ver.
As últimas
gerações, os que estamos vivos, uma grande maioria conhecemos outros países por
onde passámos, em viagens de trabalho ou de turismo, no meu caso passei cerca
de sete anos fora de Portugal, a primeira vez que atravessei uma fronteira tinha
eu 14 anos, mas depois dos 20 anos parti para outras terras e quando regressei
definitivamente para trabalhar e viver em Portugal tinha eu 27 anos, embora pelo
meio fazia vindas a Portugal por curtos períodos de tempo.
Depois
de me fixar definitivamente em Portugal, fiz muitas viagens de turismo e/ou de
trabalho a vários países de todos os continentes, onde permanecia por curtos períodos
de tempo.
Durante
o tempo que passei por vários países, cerca de 20, tive a oportunidade de
conviver, trabalhar, estudar e ensinar, muito conversei e convivi com pessoas
de outras culturas, de outras religiões, de outras formas muito diferentes de
pensar e ver o mundo.
Todos aqueles que andámos por outros países
conhecendo outros povos, outras culturas e outras formas de pensar, temos mais
algumas bases para podermos analisar o Portugal que temos, o que gostaríamos de
ter mas não temos e o que teria sido possível ter.
Viajava
eu de automóvel próprio noutro continente, alguém por ver que eu era português pediu-me
boleia e durante a viagem em conversa, que a mim me interessava muito porque ele
era um português radicado nessas terras e eu estava interessado em ouvir falar
sobre essas terras, depois de termos falado quase sobre tudo incluindo hábitos culturais
e religiões que se praticavam por essas terras, ele era homem de meia idade e eu
tinha 24 anos, ele disse-me: sendo o senhor homem para metade da minha idade,
foi um prazer ter tido esta conversa consigo, porque eu nunca tinha tido a oportunidade
de ter este tipo de conversa tão abrangente.
Mesmo
os portugueses que nunca saíram de Portugal, que das gerações mais novas não
devem ser muitos, mas das gerações mais antigas ainda havia e há alguns que
fazem questão de não sair de Portugal.
Dizia-me
um sujeito que fazia parte do meu grupo alargado de convivência há cerca de 30 anos,
que nunca tinha ido ao estrangeiro e não precisava nada de lá ir, por coincidência,
a mulher dele tinha nascido fora de Portugal.
As sociedades
atuais movimentam-se o suficiente para os povos se conhecerem uns aos outros,
assim, podemos dizer com uma boa certeza: aquilo que temos e aquilo que não temos,
mas que existiram e existem condições para podermos ter tido e podíamos ter
atualmente.
O
Portugal de ontem, foi e ainda é um Portugal de séculos, o Portugal que se
construiu durante séculos, conforme o Portugal que ia sendo em cada século e
que ia passando para o seculo seguinte, poderíamos ter evoluído para um Portugal
de hoje mais consentâneo, dirão alguns que o Portugal atual é um Portugal bom,
mas quando nos comparamos com outras sociedades, não temos um Portugal que gostaríamos
de ter e que teria sido possível ter!
É a
partir daqui que muitos nos interrogamos, porque é que tantos portugueses estão
descontentes com o seu Portugal. Depois, quando andamos por outros países e
falamos com pessoas desses países que conhecem Portugal, a história de Portugal
e os portugueses, dão-nos a ideia da potencia que o nosso país foi, de quem
foram os portugueses e como olham para nós, dos melhores do Planeta.
Frequentava
eu uma workshop num país a 10.000 km de Portugal, quando o orador soube que eu
era português, veio dar-me um abraço por eu ser português, por ali tinham
andado há seculos portugueses e tinham deixado as suas marcas e agora eramos
vistos com essa imagem.
Então,
porque é que há tantos portugueses que estão descontentes com o país que temos
atualmente!
O Portugal
de amanhã! Temos sol maravilhoso, um território muito diversificado com terras muito
ricas e água com abundância, cabe agora aos portugueses de hoje e de amanhã a
responsabilidade e boa vontade de construir o Portugal de amanhã, para os nossos
vindouros.
Dizia uma estrangeira a residir já algumas décadas em Portugal e onde fez parte da sua formação académica: esta grande nação e este rico país.
Mas também ouvimos dizer a alguns portugueses e colocados em lugares de muita audição: este pequeno país e pobres portugueses.
Não, não são estes portugueses que vão construir o
Portugal do futuro, embora, como já disse, eles estão colocados em lugar de
destaque em responsabilidade e influencia para se poder construir um país de
futuro.
O ANO
de 2023 é um ano de muitas esperanças, sofremos uma guerra na Europa que
persistem muitas dúvidas como vai e quando acabar, duvida mais pequena é que a
Europa não mais voltará a ser como antes desta guerra ter começado.
Os
europeus vão ser obrigados a repensar a Europa e, é quase uma certeza que vamos
ter uma Europa muito diferente, tanto em organização administrativa como em
segurança.
Os
atuais governantes europeus passeiam-se um pouco no escuro para tomar decisões para
uma Europa do amanhã, não é daqui a alguns anos, é já no dia depois do dia em que estamos, o dia de amanhã.
Cada
medida que os governantes europeus tomarem, boa ou má, terá grande impacto no
futuro da Europa e dos europeus. Não é a mesma coisa que quando tomavam medidas
em tempos passados, fossem tomadas más medidas os efeitos nunca seriam
devastadores e tinham sempre a hipótese de corrigir erros e os efeitos nunca
seriam incalculáveis.
Mas
agora, neste Europa do ano 23 do sec. XXI, as medidas a tomar pelos responsáveis
governantes, têm de ser calculadas ao minuto e ao milímetro.
Portugal,
não escapará a esta regra, a este efeito e grande mudança, talvez tenha ainda
de ser mais cauteloso neste sentido, que em muitos outros países por toda a Europa.
Mas
Portugal talvez beneficie de vantagens em relação a outros países europeus
porque talvez terá um povo mais bem preparado para esta grande mudança do
seculo XXI, que será talvez uma das maiores mudanças que a nação portuguesa e
Portugal já fizeram, não tem como escapar a esta grande mudança, porque ou
inicia essa mudança ou poderá deixar de o ser.


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