terça-feira, 6 de junho de 2023

Do livro: Volta ao Portugal de hoje, de ontem e de amanhã: 06-06-2023

Carviçais
Mogadouro


 

 




 O QUE ACONTECEU A ESTA REGIÃO! Em 50 anos perdeu 2/3 (dois terços da população)

 

Um novo Sol iluminava a região, todos acreditavam numa nova era de progresso, os produtos da região passariam a ser valorizados.

O vinho e o trigo que em alguns anos de produção mais abundante, até aí teriam de ser consumidos de forma inapropriada, mas avizinhava-se uma nova era e tudo passaria a ser diferente. O tempo de nos anos de muita uva tinha de se vender ao desbarato ou até se estragava, esse período teria acabado para sempre.

 Era princípios do sec. XX, O Rei de Portugal mandava inaugurar a Ponte Ferroviária/Rodoviária do Pocinho sobre o Rio Douro, o progresso subia às montanhas e em breve seriam atravessadas e percorridas diariamente duas vezes, pelas potentes máquinas que transportariam mercadorias e pessoas até aos confins do Nordeste Transmontano.

Não tardou o grande sobressalto do assassinato do Rei e a partir daí tudo iria ser alterado, o país entrou em contínuas suspensões de obras a construir, o desejado comboio só haveria de chegar a Carviçais em 1917.

Para o senhor Manuel (nome fictício) mesmo assim já era uma grande ajuda, da sua aldeia que ficava ainda a uns bons quilómetros, carregava as suas pipas de vinho no carro das vacas e com uma dormida pelo caminho conseguia colocar as pipas de vinho na estação de comboios em Carviçais. Habitou-se a pernoitar sempre no mesmo sítio, quase que se tornou familiar, quando falava deles era como se falasse de alguém da família, mas ele não era o único a pernoitar naquela Ex-Albergaria, pois essa estrada já era muito antiga desde há centenas de anos quando a travessia do Douro para sul era na Barca D`Alva, e haveria de se transformara em Estalagem, sempre gerida por gerações contínuas e sucessivas da mesma família que haveriam de dar continuidade para sempre  que se iam transformando em bons gestores e, com a continuidade a linha ferroviária se estender até Mogadouro e Duas Igrejas, e de a era do automóvel também em grande progresso, as populações pela região aumentavam, muitas aldeias da região passaram a ultrapassar os mil habitantes e outras se aproximavam com o mesmo numero de habitantes, várias povoações chegaram a ter várias escolas e vários médicos permanentes e todas as aldeias passaram a ter novas e boas escolas cheias de crianças que viriam a dar dos melhores técnicos e governantes ao país.

Do nada, muitos cidadãos e famílias transformavam-se em possuidores de médias riquezas e famílias abastadas e alguns até superiores.

Também, em grande progresso não faltariam clientes com abundância para manter este estabelecimento sempre a progredir.

O senhor Manuel, criou cinco filhos, três raparigas e dois rapazes, alguns emigraram, mas outros ficaram a dar continuidade à exploração das suas propriedades e desses vieram vários netos, também para dar continuidade às gerações.

Os netos do senhor Manuel, foram muito utilizadores da Linha do sabor nas décadas de 60, 70 e 80, nas deslocações para escolas, vida militar e trabalho.

Passando a possuir a bela máquina comoda e rápida o automóvel, passaram também a frequentar a Casa de Pastos e Estadias que já o seu avô frequentou quando se deslocava a transportar as suas mercadorias em carros de vacas para a estação de Carviçais e, onde agora não faltava sempre no balcão à disposição do cliente a boa garrafa de aguardente de produção própria à discrição do cliente para poder por o cheirinho no bom café que era servido ao balcão. As pessoas que agora geriam e exploravam este estabelecimento continuavam a ser os descendentes dos que a geriam no tempo do avô Manuel e, com o encerramento da linha finais da década de 80, o movimento automóvel aumentou e os clientes neste estabelecimento à beira da estrada também aumentou muito.

Os responsáveis não tinham mãos a medir, nas horas de movimento gritavam pelos filhos ou filhas, que já na era do telemóvel, descobrir os milagres do telemóvel para eles era mais importante que tudo, mas a mãe  ao ver os clientes parados frente ao balcão à espera que alguém lhes dissesse bom dia e o que desejavam, foi assim que a mãe e o pai e seus antepassados criaram a Grande Casa de Pastos e Estadias, eles filhos/filhas achavam que a vida deles não precisariam daquilo, já tinham alguns estudos e seriam uns futuros funcionários do estado bem remunerados sem precisarem de se chatearam muito com a vida.

Os tempos mudaram rápido, mas não como muita gente pensava, a média das famílias da região que andava pelos 5 filhos passou em duas ou três décadas a um ou dois filhos e, sem gente não há criação de riqueza, nem para a produzir nem para a consumir e, a economia reduz-se para números insignificantes e tudo entra em difault – economia entra em incumprimento - e muitos cidadãos passam a ser dependentes do Estado.

Essas casa que foram durante muitas gerações a criação de muita gente, que formaram doutores e engenheiros, agora exibem a tabuleta de: vende-se, com alguém sentado/sentada à frente permanentemente a olhar para o telemóvel… as gerações desapareceram e, como disse recentemente bum professor catedrático na área da demografia e economia, disse: quando um povo deixa o seu espaço desocupado, outros povos o virão ocupar.

O que aconteceu a esta região que foi das primeiras na Península Ibérica a ser habitada há centenas de milhares de anos, que deu novos mundos au mundo, quem viajou por Áfricas e Américas, a grande maioria dos portugueses que encontrava  eram oriundo desta região, quem foi que que fez muitos dos trabalhos na Europa da 2ª metade do seculo XX.

O QUE ACONTECEU A ESTA REGIÃO!

 

Sem comentários:

Enviar um comentário