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| Carviçais |
| Mogadouro |
Um novo Sol
iluminava a região, todos acreditavam numa nova era de progresso, os
produtos da região passariam a ser valorizados.
O vinho e o
trigo que em alguns anos de produção mais abundante, até aí teriam de ser
consumidos de forma inapropriada, mas avizinhava-se uma nova era e tudo
passaria a ser diferente. O tempo de nos anos de muita uva tinha de se vender
ao desbarato ou até se estragava, esse período teria acabado para sempre.
Era princípios do sec. XX, O Rei de
Portugal mandava inaugurar a Ponte Ferroviária/Rodoviária do Pocinho sobre o
Rio Douro, o progresso subia às montanhas e em breve seriam atravessadas e percorridas
diariamente duas vezes, pelas potentes máquinas que transportariam mercadorias e
pessoas até aos confins do Nordeste Transmontano.
Não tardou o
grande sobressalto do assassinato do Rei e a partir daí tudo iria ser alterado,
o país entrou em contínuas suspensões de obras a construir, o desejado comboio
só haveria de chegar a Carviçais em 1917.
Para o
senhor Manuel (nome fictício) mesmo assim já era uma grande ajuda, da sua
aldeia que ficava ainda a uns bons quilómetros, carregava as suas pipas
de vinho no carro das vacas e com uma dormida pelo caminho conseguia colocar as
pipas de vinho na estação de comboios em Carviçais. Habitou-se a pernoitar
sempre no mesmo sítio, quase que se tornou familiar, quando falava deles era
como se falasse de alguém da família, mas ele não era o único a pernoitar
naquela Ex-Albergaria, pois essa estrada já era muito antiga desde há centenas
de anos quando a travessia do Douro para sul era na Barca D`Alva, e haveria de
se transformara em Estalagem, sempre gerida por gerações contínuas e sucessivas
da mesma família que haveriam de dar continuidade para sempre que
se iam transformando em bons gestores e, com a continuidade a linha ferroviária
se estender até Mogadouro e Duas Igrejas, e de a era do automóvel também em
grande progresso, as populações pela região aumentavam, muitas aldeias da
região passaram a ultrapassar os mil habitantes e outras se aproximavam com o
mesmo numero de habitantes, várias povoações chegaram a ter várias escolas e
vários médicos permanentes e todas as aldeias passaram a ter novas e boas
escolas cheias de crianças que viriam a dar dos melhores técnicos e governantes
ao país.
Do nada,
muitos cidadãos e famílias transformavam-se em possuidores de médias riquezas e
famílias abastadas e alguns até superiores.
Também, em
grande progresso não faltariam clientes com abundância para manter este
estabelecimento sempre a progredir.
O senhor
Manuel, criou cinco filhos, três raparigas e dois rapazes, alguns emigraram,
mas outros ficaram a dar continuidade à exploração das suas propriedades e desses
vieram vários netos, também para dar continuidade às gerações.
Os netos do
senhor Manuel, foram muito utilizadores da Linha do sabor nas décadas de 60, 70
e 80, nas deslocações para escolas, vida militar e trabalho.
Passando a
possuir a bela máquina comoda e rápida o automóvel, passaram também a
frequentar a Casa de Pastos e Estadias que já o seu avô frequentou quando se
deslocava a transportar as suas mercadorias em carros de vacas para a estação
de Carviçais e, onde agora não faltava sempre no balcão à disposição do cliente
a boa garrafa de aguardente de produção própria à discrição do cliente para poder por o cheirinho no bom café
que era servido ao balcão. As pessoas que agora geriam e exploravam este
estabelecimento continuavam a ser os descendentes dos que a geriam no tempo do
avô Manuel e, com o encerramento da linha finais da década de 80, o movimento
automóvel aumentou e os clientes neste estabelecimento à beira da estrada
também aumentou muito.
Os
responsáveis não tinham mãos a medir, nas horas de movimento gritavam pelos
filhos ou filhas, que já na era do telemóvel, descobrir os milagres do
telemóvel para eles era mais importante que tudo, mas a mãe ao ver os clientes parados frente ao balcão à
espera que alguém lhes dissesse bom dia e o que desejavam, foi assim que a mãe
e o pai e seus antepassados criaram a Grande Casa de Pastos e Estadias, eles
filhos/filhas achavam que a vida deles não precisariam daquilo, já tinham
alguns estudos e seriam uns futuros funcionários do estado bem remunerados sem
precisarem de se chatearam muito com a vida.
Os tempos
mudaram rápido, mas não como muita gente pensava, a média das famílias da
região que andava pelos 5 filhos passou em duas ou três décadas a um ou dois
filhos e, sem gente não há criação de riqueza, nem para a produzir nem para a
consumir e, a economia reduz-se para números insignificantes e tudo entra em difault
– economia entra em incumprimento - e muitos cidadãos passam a ser
dependentes do Estado.
Essas casa
que foram durante muitas gerações a criação de muita gente, que formaram
doutores e engenheiros, agora exibem a tabuleta de: vende-se, com alguém
sentado/sentada à frente permanentemente a olhar para o telemóvel… as gerações
desapareceram e, como disse recentemente bum professor catedrático na área da
demografia e economia, disse: quando um povo deixa o seu espaço desocupado,
outros povos o virão ocupar.
O que
aconteceu a esta região que foi das primeiras na Península Ibérica a ser
habitada há centenas de milhares de anos, que deu novos mundos au mundo, quem
viajou por Áfricas e Américas, a grande maioria dos portugueses que
encontrava eram oriundo desta região,
quem foi que que fez muitos dos trabalhos na Europa da 2ª metade do seculo XX.
O QUE
ACONTECEU A ESTA REGIÃO!

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