segunda-feira, 27 de junho de 2011

Volta ao Portugal de hoje, de ontem e da amanhã

José Manuel, tinha acabado de ser eleito presidente da Junta de Freguesia da sua aldeia. Foi proposto pelos vizinhos e os mais próximos de toda a aldeia. Era jovem, dinâmico, sabedor, culto e sério.
Ainda andou uns dias a pensar se deveria de facto aceitar ou não. Não ganhava nada, tinha que perder de vez em quando algum tempo, que por vezes algumas chatices e tudo era feito por amor à camisola!
Mas também era patriota e não gostava de fugir às responsabilidades e alguém teria de fazer aquele serviço para a comunidade. Pensou fazer um mandato e depois logo se veria.
Quis o destino que essas suas funções durassem pouco tempo. O golpe de estado 25 de Abril que depôs o regime, substituiu e ainda o começaram a apelidar de fascista. Não fora o ter acabado de sair do serviço militar, que ainda tinha alguns amigos a cumprir a tropa, recorreu a eles e os perseguidores deixaram-no em paz.
Decorridos 37 anos, discute o assunto com o amigo (foto) a sua freguesia que tinha 380 habitantes, hoje tem 170 habitantes, o Presidente da Junta de Frguseia da sua aldeia gere um orçamento de centenas de milhares de euros, cinco pessoas amigas e familiares do Presidente vivem do Protocolo, se lhe perguntarem a estas pessoas o que fazem, dizem que trabalham no Protocolo e não especificam mais nada. Organizam Festas, vão uma vez por dia buscar alguns cidadãos para irem almoçar ao refeitório e ficar ali a tarde inteira a conversar e é um motorista e uma auxiliar ocupados a ir buscar o cidadão que nunca descontou para tais benefícios.
José Manuel ouve agora dizer que tudo está falido e sem dinheiro, as pessoas que trabalharam um vida inteira e descontaram para os serviços sociais e reforma, ouvem dizer que vão ter uma reforma pequena ou mesmo até ficar sem reforma.
José Manuel, perplexo pergunta como é que foi possível chegar a esta situação?
Diz ele que não é difícil concluir. Já há muito anos que ele dizia aos amigos que esta forma de gerir as coisas mais tarde ou mais cedo ia dar barraca!
Os funcionários da Junta/Protocolo, passavam parte do tempo a organizar festas e fazer discursos para ganhar as próximas eleições.
Tenha-o espantado em tempos, quando soube que uma boa organização estava a fazer uma campanha para as autárquicas, propondo para Presidente uma jovem que ainda nem tinha acabado o secundário e foi mesmo ela que ganhou as eleições.
Tinha pela retaguarda uma máquina bem montada, com pessoas que algumas ninguém as conhecia. Soube depois toda aquela engrenagem e quais eram os objectivos.
Mas Manuel, agora mesmo já com 63 anos, ainda não perdeu esperança de ver a sua aldeia com um Presidente de Junta por amor à camisola e amor à sua terra.



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