O fim do serviço militar aproximava-se. Estava prestes a passar à disponibilidade. Pedro, começava agora a pensar como iria recomeçar a sua vida pessoal.
As habilitações literárias era o secundário incompleto. Seus colegas na mesma situação e alguns que já tinham passado à disponibilidade, só pensavam em ser funcionários públicos, mas Pedro ambicionava um dia na sua vida ser empresário.
O país vivia a efervescência da revolução dos cravos e as greves gerais assolavam o país. As ocupações selvagens de habitações e propriedades rurais eram mostradas todos os dias na televisão. O presidente da Republica, embora interino, dizia que o destino de Portugal era o caminho do socialismo.
Pedro, ainda pensou em emigrar, mas já tinha começado a andar pelo estrangeiro aos 14 anos e ele mesmo dizia que valiam mais 100$00 (escudos) no seu país do que 200$00 no estrangeiro.
Os seu colegas e amigos, todos os dias traziam novidades de novos conhecimentos (cunhas) para entrar para o Estado. Alguns conseguiam completar o secundário com passagens administrativas, em cadeiras que nunca tinham ido às aulas, sem fazer exames, para assim através do Partido serem colocados em lugares chave das Repartições Publicas, para depois defenderem os interesses do Partido.
Pedro sentia que para muita gente, quem não pensasse em ir para o Estado era anti-patriótico. O seu próprio irmão mais velho que já tinha entrado para a PSP, insistia com ele que só o Estado era seguro e até olhava com cara de mau para Pedro só por não o ver entusiasmado para ir para o Estado.
Dois dias antes de sair da tropa, em conversa pessoal com um Oficial-médico, este perguntou-lhe se já tinha emprego garantido, Pedro disse que não. Então o coronel-médico passou-lhe uma credencial como bom militar que tinha sido e mandou-o a falar com o arquitecto da Câmara Municipal e até lhe passou o atestado médico de que precisava para entrar para funcionário publico.
Só foi preciso tratar das burocracias e Pedro ficou logo com o lugar garantido na função publica.
Passados nove meses, Pedro pede a demissão, dizia ele que não tinha nascido para estar um dia inteiro atrás de uma secretária.
Pregou-lhe um desgosto ao pai, porque este tinha-lhe oferecido uma máquina de escrever, como futuro de Pedro e agora passou a deixa-lo de ver na repartição publica da sua terra. Mas a máquina não serviria para nada, porque em breve seria deitada para o lixo, já vinha aí a era dos computadores.
O objectivo de vida de Pedro, era ser trabalhador por conta-própria. Continuava a estudar à noite, já tinha acabado o secundário e já estava na universidade.
Os amigos, passaram a olhar para Pedro como se este se tivesse vendido ao capitalismo. Chegavam mesmo a apelidado de direita no sentido pejoraivo.
Mas Pedro era filho de pais pequenos proprietários que faziam a sua vida honestamente do seu próprio trabalho. E os amigos que o apelidavam de direita eram filhos de pais que tinham vivido e alguns feito fortuna à custa do antigo regime, mas agora tinham virado à esquerda e tinham ido rapidamente inscrever-se no Partido.
Pedro era um homem culto mas não se deixava seduzir pelos partidos políticos.
Pedro ingressou alguns anos numa multinacional, que lhe deu bagagem e preparação para se lançar como empresário. Não concluiu o curso de Direito, porque no inicio da década de 80 as escolas eram uma balducha e só formavam doutores cábulas. Ele achou que assim não, e dedicou-se exclusivamente à actividade profissional.
Chegou o dia em que achou que se devia lançar como empresário e deu inicio à sua empresa. Passados 30 anos, emprega 80 pessoas, todos ganham acima da média nacional e 30% têm licenciatura.
Os seus amigos do pós serviço militar que foram para funcionários públicos, tinham-se especializado em lutar por direitos. Alguns conseguiram a pré-reforma aos 45 anos e passaram a passar o tempo nos cafés sentados o dia inteiro.
Agora que o alarme da insegurança suou, alguns já foram ter com ele Pedro para ver se lhes arranjava qualquer coisa para colmatar a precária reforma que o Estado lhes irá garantir. Pedro perguntou a um o que é que sabia fazer e ele não soube dizer o que sabia fazer. Então Pedro disse-lhe que tinha muita vontade de o ajudar, mas que nas empresas dele não havia lugares para quem não sabia dizer o que é que sabia fazer.
As três fotos que ilustram esta crónica, a primeira do nosso lado esquerdo representa as manifestações da década de oitenta em que os amigos de Pedro do pós serviço militar se tinham especializado em organizar.
A foto do meio, representa as tecnologias que serviram de ferramentas para Pedro e seus colaboradores progredirem nas suas empresas.
A foto da direita, representa um dos ramos das empresas que formam a holding de que Pedro é o accionista principal e administrador geral da holding.


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