quinta-feira, 9 de junho de 2011

Volta ao Portugal de hoje, de ontem e de amanhã




Volta ao Portugal de hoje, de ontem e de amanhã - continua a apresentar imagens do nosso país que testemunham as alterações que o nosso país sofreu nos últimos 40 anos.
Nestas imagens, comecemos pela da direita, nossa esquerda.
Fins da década de setenta do século XX, o casal de namorados, chegou junto do edifício de comando do funcionamento da Barragem. Parou o carro e foram junto do miradouro com explêndidas vistas para o grande Lago artificial desta albufeira, que só isso já compensava a deslocação.
Lá do alto do edifício, no varandim de vidro, via-se um individuo também a olhar para o grande lago.
Passados alguns minutos, esse mesmo individuo, sai de uma porta de vidro no rés-do-chão do edifício, dirige-se ao casal de visitantes e pergunta-lhes se não querem visitar a barragem pelo seu interior?
Os visitantes, estupefactos com a oferta, aceitaram.
Desceram num elevador enorme 90, metros de profundidade (explicou o "guia turístico") para as entranhas da Terra, que se destinava mais ao transporte de maquinaria. Aí, percorremos todos os compartimentos de todas aquelas potentes Turbinas e Central Eléctrica. O guia explicava-nos com uma linguagem técnica de um Eng.Electrotécnico, caso não fosse o visitante ter conhecimentos dessa tecnologia para explicar à sua acompanhante, não teriam enriquecido nada os seus conhecimentos.
De regresso à superfície da Terra, o Engenheiro agradece-lhes por terem aparecido e ter aceitado a oferta. Pois já mais visitantes tinham aparecido e não quiseram aceitar a generosidade.
Qualquer pessoa, mesmo que seja pouco letrada, sabe fazer contas para ver a despesa que a oferta daquele engenheiro provocou ao Erário público injustificadamente. Mas estavamos na era da grande oferta publica gratuita. O Estado Social que se instalava.
Agora, a foto do meio.
Finais da primeira década do século XXI, decorridos trinta anos, o mesmo casal de visitantes, aproxima-se do barco que fazia turisticamente as albufeiras do mesmo Rio e repara no preçário bem exposto, quanto custava a viagem por pessoa. Os visitantes decidem fazer a volta internacional.
Entraram para o barco, começaram o percurso, com algumas paragens internacionais, descendo e entrando turistas, o Fiscal de títulos de embarque circulava por entre os passageiros de sacola a tiracolo, mas não se via cobrar bilhete a ninguém.
Este grupo de visitantes, seis pessoas, já tinham feito contas entre todos por causa dos trocos, juntaram o dinheiro de todos e ficaram à espera de serem abordados para pagarem.
Depois do longo percurso, algumas horas ida e volta, chegaram ao fim e como não tinham sido abordados para pagarem, um deles dirige-se ao cobrador e oferece-lhe o dinheiro de todos.
O cobrador rejeitou o pagamento dos bilhetes da passagem, com justificações esfarrapadas.
Ficaram estupefactos, mas repararam que não tinham visto ninguém pagar e mais grupos de passageiros iam ficando admirados pela oferta.
Era uma forma de gestão turística da zona para chamar mais turistas. Mas qualquer pessoa minimamente bem pensante, não teria dúvidas de que essa forma de proceder, estaria a hipotecar o futuro!....
A ultima foto do nosso lado direito, é um barco de turismo que navega no mesmo Rio, mas este continua navegando com futuro promissor, porque aqui as contas são bem feitas, os turistas acreditam neste sistema porque é bem gerido e promete futuro, porque lhe são cobrados títulos de transporte.
A gestão de muitas ofertas públicas e parcerias-publico-privadas durante as ultimas décadas feita por pessoas sem princípios de sentido de responsabilidade e conhecimentos para essas funções, levou o nosso país à situação a que nos encontramos. Por isso, agora, não restam dúvidas de que a mudança vai ser dura e penosa para todos, quando a responsabilidade do desastre não é de todos.

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