Estamos numa viragem de sociedades, que muitos de nós já nos vínhamos apercebendo desde há muito tempo. Sendo eu muito jovem, volta dos 20 anos de idade, década de 70 do sec. XX, comprei um livro numa livraria a quase 10.000 km de Portugal e ao lê-lo fiquei pensando infindavelmente, porque o que eu li nesse livro deixou-me bastante pensativo. O autor dizia que dentro de algumas décadas o mundo das sociedades, começaria a entrar em profundas mudanças, talvez que na idade da história moderna nunca teriam acontecido.
Eu, que desde pequeno me habituei a
analisar as coisas, as pessoas e suas atitudes e comportamentos, não foi de
todo estranho e surpreso, eu próprio já teria pensado e dito que estaríamos a
caminho de uma grande mudança nas sociedades, notava-se uma grande diferença
entre as pessoas, teríamos entrado numa pré-era de grandes mudanças. O autor do
livro dizia que uma grande parte da responsabilidade das grandes mudanças, ele
até falava em catastróficas, seriam os modos de civilização que se tinham estado
a seguir desde o início do seculo XX.
Assim aconteceu, nos finais do sec. XX
já começavam a aparecer fortes sinais e comportamentos que eram mais que
evidentes, que este modelo de sociedade já não seria sustentável por muito mais
tempo, no metropolitano da cidade, pequenos grupos de jovens que vinham das
faculdades, agarrados ao varão da carruagem, diziam uns para os outros, qual
seria a melhor forma de conseguir um subsídio, teriam acabado o curso e teriam
de se lançar na vida do trabalho. Eu, que também tinha pisado o chão de uma
faculdade mas como trabalhador estudante noturno, achava muito estranho a forma
de pensar daqueles jovens.
O pensamento natural e quase como
obrigatória desses jovens, seria como devolver à sociedade todo ou parte
daquele capital que durante vários anos andaram a gastar à custa dos impostos
que quem trabalhava pagava para o Estado para sustentar as universidades. É
sabido quanto gasta ao erário publico um estudante universitário durante todo o
seu curso, mas eles, pensavam em ir buscar mais capital que os cidadãos
contribuintes tinham pagado de outra forma para esses fundos que sustentam os subsídios.
Por esses tempos, faziam-se estudos a nível
mundial, como os jovens acabados de concluir o seu curso universitário, pensavam
iniciar a sua vida de trabalho.
Estudo feito em cerca de 50 países por
todo o mundo: nos E.U.A. 80% desses jovens pensavam iniciar a sua vida de
trabalho a trabalhar em empresas privadas ou por conta própria e 20% preferiam
ir trabalhar para o Estado. Em países asiáticos, as percentagens eram próximas,
rondavam os 70%/30%. Na Europa, a nível de CEE/EU, variava de país para país, mas
a média andava por 50% na iniciativa privado e o Estado, mas em Portugal só 20%
pensavam na iniciativa privada e 80% preferiam o Estado ou com os subsídios.
Como se viu, os que se iniciaram nos
subsídios, a grande maioria, como era corrente dizer-se na altura, ao receber o
subsídio, depois de comprar carro novo e renovar a casa pouco ficava. Muitos de
nós vimos com os nossos olhos situações de quem recebeu centenas de milhares de
contos, chamavam umas máquinas abriam umas valas plantavam umas fileiras de
árvores, iam por ali fazendo uns regos durante o tempo em que, caso desistissem
teriam de devolver parte dos subsídios, mas assim que terminasse esse tempo
abandonavam definitivamente a imaginária plantação. Por esses tempos eu
percorria o país e com algumas idas a alguns países europeus e via o que muitas
pessoas me diziam, que ainda havíamos de pagar bem pago essas situações. Uma
amiga minha na área da ciência alimentar e produtores de produtos alimentares,
disse-me que no Alentejo muitos foram esses casos, mas ainda houve alguns que
ficaram e continuaram para continuarem a receber os subsídios, mas não tiveram
muito sucesso porque eles vinham de situações que nada tinham a ver com a
agricultura, alguns vinham de funcionários bancários, claramente o objetivo
eram os subsídios. O progresso e
crescimento que houve na produção agrícola foi de quem tinha formação e experiência
nesta área e se organizou com planos a
médio e longo prazo. (continua na próxima publicação)
Cronica nº 217
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