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Continuação da 3ª publicação.
Uma
das caraterísticas e valências da nação lusa é a sua língua. Quase todos os
estudos que falam sobre a língua portuguesa, nenhum fala aprofundadamente, vão
até ao latim, ao grego, ao árabe e aos povos celtas vindos do centro e norte da
Europa, os mais arrojados ainda vão até 2000 ou 3000 antes de cristo e pouco
mais.
Ora
a nossa língua sem dúvida que é uma das mais antigas da Europa. Foi nesta parte
ocidental da Europa onde os povos se tornaram sedentários há mais tempo,
dezenas de milhares de anos, terá sido a partir de quando os povos se começaram
a fixar, que terão tido necessidade de ter uma língua própria, para se distinguirem
dos doutros povos, que ciclicamente iam aparecendo, por vezes com intervalos de
milhares de anos.
Por
isso, o mais provável é que tenha sido por estas terras do ocidente europeu
onde primeiro começou a haver língua própria falada.
Embora
se diga que a nação lusa é uma nação forte, que na realidade se compararmos com
outras até é, mas por vezes notam-se algumas fragilidades, talvez algumas
dessas fragilidades venha do ADN de
alguns povos que de longe se vieram juntar à nação lusa.
Quando
eu era criança, numa deslocação de um grupo de crianças a uma aldeia vizinha,
depois de nos misturarmos com as crianças dessa aldeia e como era costume e
natural, as primeiras reações de todos nós era testar a valentia dos grupos, mas
era com desafios individual para uma luta de corpo a corpo na condição de não haver
agressão, fazia parte das regras não agredir, era uma brincadeira e não havia qualquer interesse em gerar desentendimentos
de parte a parte, mas já no fim das brincadeiras, três dos outros convidaram-nos
a dois de nós para irmos até um sitio fazer uma brincadeira.
Como
fazia parte das regras não haver agressões e falsidades, nós fomos com toda a boa-fé
e confiança.
Quando
nos apercebemos, já estávamos dentro de um curral de muros altos e
trancaram-nos as portas por fora.
Estivemos
ali horas até que os adultos se aperceberam pela nossa falta e foram à nossa
procura e nós já estávamos a gritar por ajuda.
Esta
aldeia era conhecida pela terra dos ruivos, fixei aquelas três caras que nos
fecharam no curral e de tempos a tempos quando as crianças das aldeias por
motivos escolares ou festas se juntavam, lá estavam esses três ruivos de mau carater.
Já
adultos próximo dos vinte anos de idade, numa festas das aldeias gerou-se uma
zaragata entre as juventudes presentes e, lá estava um desses três ruivos a
comandar a zaragata.
Depois
de eu me dedicar a estudos e analises sociais sobre essas aldeias, a aldeia dos
ruivos teria sido um aldeia iniciada no tempo dos Alanos virem do centro da
Europa, se fixaram muitos por terras da Catalunha e do hoje norte de Portugal.
Há
uns anos estava eu com o meu grupo de viagens em Córdoba à noite numa esplanada
junto á ponte Romana, diz-se que foi a primeira que os romanos construíram na península
ibérica, au nosso lado estava também um grupo de jovens a festejar à mesa com
grande diversão, que falavam catalão, mas ao ouvirem falar português, eles
quiseram juntar-se a nós, convidaram a juntarmos as mesas, diziam eles que se
identificavam mais com nós portugueses, do que com os castelhanos.
A
nação lusa sofreu muitas mais injeções de novas culturas, todos os povos atraídos
às riquezas e belezas da Península Ibérica, acabavam por vir sempre parar à
parte mais ocidental, seguiam sempre o Sol pensando que isto não teria fim, mas
depois chegavam ao ponto mais ocidental, Serra de Sintra Cabo da Roca e, por
essas terras se iam sedentarizando. Por isso, muitos investigadores nessa área
têm escrito grandes livros sobre a Serra de Sintra e, ficam sempre com a ideia
de que não descobriram todos os mistérios da Serra de Sintra e muitas mais
coisa ficam por investigar e escrever.
Se
percorrermos a Serra de Sintra a pé ou de automóvel, serão necessárias as duas
situações para ficarmos a conhecer um pouco sobre esta serra, cada vez que
passamos encontramos sempre segredos que nos fazem parar e pensar, que aquilo só
poderia ter sido feito pelo homem, mas com diferença de muitos milhares de
anos.
A
ocupação romana da península ibérica veio trazer grandes alterações nos seus
povos que já a habitavam, caso não tivesse havido a ocupação romana,
provavelmente a península ibérica hoje seria dividida em vários países e com as
suas fronteiras de acordo com a sua própria língua original. Como os romanos a
dividiram em duas províncias, misturou os povos com as suas línguas diferentes
e, de seguida a vinda de povos centro-europeus, e de seguida os árabes, ainda
veio alterar mais o panorama sociogeográfico, que com a expulsão dos árabes a Península
transformou-se em dois países e duas nações, que durante alguns seculos os dois
povos em guerras, acabaram por fixar a fronteira definitivamente.
Portugal
já com a sua vocação marítima, sentindo-se um pouco com pressão continua,
decidiu arrojadamente procurar expandir-se pelos mares e sendo bem-sucedido,
não tardou em constituir um dos maiores impérios do mundo de todos os tempos e,
dentro de pouco tempo a sua capitam Lisboa, era uma das capitais e cidades mais
importantes da Europa.
Portugal
estava assim um país e uma Nação Lusitana reconhecida mundialmente como das
mais importantes do mundo.
Não
são só os livros que lemos o dizem, qualquer um de nós que viajou, andou,
trabalhou, estudou e ensinou por outros continentes, constatou-o in-loc essa realidade.
A
muitos milhares de quilómetros do Portugal europeu, os portugueses são vistos
como exemplos a seguir, mau grado nos últimos tempos, por interesse ideológicos
e materiais de gurus mundiais, alguém se tem encarregado de querer alterar o
percurso da história de Portugal, mas provavelmente será só um tempo de
passagem, diz a sabedoria do povo que a verdade é como o azeite, acaba por vir
sempre ao de cima.
A
história de Portugal, deixemos isso para os historiadores, para o cidadão
comum, o que interessa saber são os factos e acontecimentos.
Portugal.
Desde o início dos descobrimentos, entrou num frenesim sem nunca mais parar,
sem mãos a medir, como diz o povo, era construir barcos e levar portugueses por
todo o mundo, muitos não voltavam, ficavam construindo família, bairros e cidades
que ainda hoje ao entrarmos nelas, ficamos com a sensação de que estamos numa
cidade portuguesa.
Entrava
eu num bairro na cidade de São Salvador, num cantinho junto ao mar, no topo deparo-me
com uma igreja que tive a sensação de que já tinha visto e conhecia aquela
igreja e já a tinha fotografado e filmado, mas eu nunca tinha estado ali naquele
local! Comecei a dar voltas à minha memória e disse: eu vi esta igreja em Setúbal!
Começámos
a descer em direção ao mar, entrámos numas ruelas com habitações que mais uma
vez me fizeram lembrar esse Bairro dos mais antigos de Setúbal onde essa igreja
está.
Regressei
ao hotel, pesquisei na intermete e fiquei a saber que esse bairro e essa igreja
foram construídos por um grupo de portugueses que logo a seguir à descoberta do
Brasil, partiu num barco do porto de Setúbal com portugueses para colonizar o
Brasil.
Esses
ficaram logo ali onde o barco atracou e ali começaram a construir as suas casas
iguais às que tinham deixado em Setúbal, assim como também a igreja. Na igreja
está uma imagem de Nossa Senhora, tirada da igreja de Setúbal que eles levaram
no seu barco quando partiram.
Aconteceram-me
situações idênticas em passagens por terras de outros continentes.
Também
no México, um cidadão com quem ablei bastante, porque ele não falava português,
que se dizia descendente do espanhol descobridor do México porque tinha o mesmo
nome, dizia-me que era uma das suas prioridades vir a Portugal, conviver com os
portugueses em Portugal e aprender a falar português em Portugal, ele
considerava espanhóis e portugueses dos povos mais importantes do mundo.
Com
passagens por outros continente, aconteceram-me várias situações idênticas e
identificativas dos portugueses.
Na
Europa, também é o que se vê, onde há portugueses há civilização e progresso, para
alem de serem bons trabalhadores, gestores e empresários e intelectuais os
luso-descendentes começam a fazer parte de todos os quadros da melhores
empresas, cargos públicos e políticos.
Então,
porque é que os trabalhadores portugueses em Portugal são dos que menos
produzem em quase todo o mundo!
Já
há muito que se sabe onde está o problema. O problema está nas Chefias, nas
Direções e, principalmente nos governantes e na classe política responsável pela
condução do país.
Há
historiadores que dizem que desde o seculo XVIII o país nunca mais se encontrou,
porque até aí, desde a sua fundação Portugal foi sempre um dos países europeus
que mais progrediam, principalmente a partir dos descobrimentos. No século XVII
Lisboa chegou a ser considerada uma das melhores capitais e cidades com mais
progresso da Europa.
Mas
no século XVIII, com perseguição e eliminação de pessoas que desde a fundação
de Portugal e tendo apoiado logo na independência com valores humanos e
financeiros, continuaram a engrandecer Portugal humanamente e economicamente.
Quem
os eliminou, também fechou as escolas e o ensino no país durante trinta anos,
que mesmo com o fim da governação do responsável durante quase 20 anos, a
situação do ensino estava tão desorganizado que só foi possível passados mais
10 anos repor o ensino no nosso país.
O
terror era tanto, que mesmo quem ficou responsável pela condução do país, vivia
apavorado com a presença deste responsável enquanto ele não morreu.
Golpes
destes num país e numa nação não saram em pouco tempo, e a prova é que ainda
hoje temos governantes com tiques dessa figura, quer no terror, quer nos saques
ao país. Esse mesmo, entrou para o poder com uma mão atrás e outra à frente e
saiu em menos de 20 anos um dos mais ricos do país, com quintas e palácios dos
melhores e por todo o país. Assim vemos também atualmente, gente que veio a
escorregar por uma tabua abaixo e com uma mala de cartão, como dizia o Prof. Dr.
Medina Carreira nos seus escritos e nos seus programas de televisão, e passados
alguns anos na política, já são os maiores fanfarrões do país olhando para as
pessoas como se fossem os donos disto tudo.
Na
primeira metade do sec. XX, Portugal levou apertões muito fortes, quer com as
duas grandes guerras, quer com as situações políticas que teve de enfrentar.
No
fim da segunda década do seculo XX, Portugal estava praticamente no zero em
quase todos os setores, com as suas populações a viver muito miseravelmente,
mas na terceira década do mesmo seculo, década de 30, já construiu 13.000 km de
estradas por todo o país e também muitas centenas de km de vias-férreas, mau
grado a guerra civil de Espanha e a 2ª grande guerra mundial, voltaria a
estagnar, e populações a viver pauperrimamente e com fome.
Contava
uma antiga familiar minha, que no tempo da guerra civil em Espanha, do lado de
Portugal as crianças até comiam as cascas das batatas cruas, porque muitos produtos
seguiam para Espanha porque os pagavam muito caros.
Mas
a seguir à 2ª guerra, Portugal, começou a desenvolver-se e em poucas décadas o
país estava bastante industrializado, embora só em algumas regiões, enquanto
outras continuavam a viver exclusivamente da agricultura e pecuária, mas a
Europa do centro arregaçou as mangas e no final da década de sessenta estava
uma Europa do centro rica.
Portugal
ficava praticamente dividido em dois, de Norte a Sul, uma linha que servia para
identificar essa divisão, era a Estrada Nacional 2 ( EN 2).
Do
lado ocidente/poente até ao mar desenvolvia-se, embora cada vez mais encostado
ao mar e cada vez a precisar de mais mão de obra.
Do
lado leste/nascente, era o Portugal do interior fronteiriço esquecido, havia
disparidades difíceis de compreender, havia aldeias pequenas, mas tinham alguém
submisso ao poder de Lisboa (caciquismo), esses tinham desenvolvimento,
fontanários, estrada para a aldeia, melhores escolas e alguns com lugar garantido
nos serviços estatais do concelho.
Mas
havia aldeias que até produziam com excesso e enchiam os silos das estações do comboio,
mas porque de vez em quando se manifestavam contra injustiças governamentais,
esses continuavam sem estrada para transportar os seus produtos, escolas teriam
de ser em edifícios dos cidadãos, fontanários teriam de ser eles próprios e
fazer a exploração das nascentes e condutas para a aldeia por conta da aldeia.
Era
nesta metade do país que estava a grande maioria de mão de obra esquecida e desprezada.
A
emigração para o Brasil e territórios ultramarinos portugueses iam chamando muitos
habitantes desta metade de Portugal, mas era uma saída muito controlada pelo
poder central, mas principalmente pelo poder local, tinham medo de ficar sem mão
de obra barata.
Quando
eu fui cumprir parte do meu serviço militar ao ultramar, no interior do
território, 80% a 90% dos fazendeiros e comerciantes eram beirões,
transmontanos e minhotos.
Um
fenómeno que haveria de despertar muitas gentes do interior do país, foi a construção
das Barragens, um pouco por quase todo o país, desde o Alentejo a Trás-os-Montes
e ao Alto Minho sobretudo as do rio Douro Internacional, 5 barragens, 3 portuguesas
e duas espanholas.
Nesta
região, quando a construção das barragens começou, fins da década de 50, os trabalhadores
rurais ganhavam 15 a 20$00 (escudos) dia com um litro de vinho, e as mulheres
ganhavam menos alguma coisa, porque largavam algo mais cedo e não carregavam e
descarregavam os produtos, era nos trabalhos rurais a única fonte de ganharem
algo mais para se alimentarem, industrias por ali não havia.
Com
o início da construção das barragens, toda ou quase toda a mão de obra da
região passou a ser necessária e recebida na construção das barragens.
Mesmo
sem qualquer especialização, para pegar numa pá e uma picareta, e com mais de
16 anos, começavam a ganhar trinta escudos ou mais, mas os que tinham alguma especialização,
carpinteiros ou situações parecidas, esses passavam a ganhar muito mais e,
ainda se evoluíssem nos conhecimentos, os seus vencimentos continuariam a
aumentar.
Esta
fase durou próximo de 10 anos, fundo isto, essa gente não se sujeitou mais ao
marasmo da região, o centro da Europa oferecia mão de obra com abundância e
pagava quatro ou cinco vezes mais do que ganhavam em Portugal.
Mas
o poder local não queria ficar sem mão de obra barata, havia que pedir a ajuda
do poder central, então, uma das formas de os reter era não dar a documentação
necessária para que pudessem emigrar. Um simples BI (bilhete de identidade)
poderia demorar muitos meses a adquiri-lo.
Mesmo assim, a emigração clandestina não foi travada o suficiente para impedir a saída em massa da mão de obra de Portugal para o centro da Europa.
Na década de noventa, saía eu das Galeries Lafayette em Paris e ao caminhar pela rua, duas mulheres aparentando meia-idade chamaram-me à atenção ao deslocarem caixotes da limpeza dos edifícios falando um bom português da aldeia. Dirigi-me a elas com um bom dia sorridente em português, de repente pararam e olharam, entrámos num bom diálogo juntamente com quem me acompanhava.
As duas queriam falar sem parar
com vontade de contar um pouco da sua vida de imigrantes em França.
Uma, falou que o seu marido,
o José (nome fictício) quando emigrou, o passador foi à noite buscá-lo a casa e
disse-lhe:
Leve só a roupa que tem
vestida, que é para na passagem da fronteira não fazer desconfiar os guardas portugueses
e espanhóis, daqui lá vai levar-nos cerca de três horas, do outro lado está um
carro já com alguns que depois nos levará a todos até França, passe-me os cinco
contos, (cinco mil escudos) que na época era uma fortuna, despeça-se da família,
mulher e dois filhos, que daqui a um ou dois anos já cá pode vir legalmente e
levar a família consigo de carro.
Partiram, depois de ter andado
cerca de duas horas, noite escura, o passador começou a apertar o passo por trancos
e barrancos, José, com a escuridão da noite deixou de o ver, voltou para casa,
mas sem os cinco contos.
Arranjar cinco contos para
tentar novamente não era fácil naquela época, tiveram de empenhar um bem familiar
de estimação, tiveram mais cuidado e dessa vez chegou a França. Dizia ela,
agora já temos uma boa conta no Banco aqui em França e no Banco em Portugal.
Quando vamos à terra vamos de carro, alugado para a viagem, mas é sempre um bom
carro.
Dezenas de milhares ou
centenas de milhares de portugueses, foi assim que emigraram, Por isso, Paris chegou
a ser a segunda cidade com mis portugueses, acima de 700.000 (setecentos mil).
O interior do país
despovoava-se, décadas de sessenta e setenta, dizia-se que cada dia que
passava, só se viam velhos e crianças nas aldeias, porque muitas dessas crianças
tinham seu pai na França ou na Alemanha.
Fim da 4ª publicação


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