terça-feira, 26 de julho de 2011

Volta ao Portugal de hoje, de ontem e de amanhã




Joana acaba de passar a barreira dos 50 anos mas já é bi-avó.
Seus pais quando há 50 anos, era Joana uma bebé, deixaram a aldeia das suas origens e partiram com destino a Lisboa, por na sua aldeia devido à muita população residente, próximo de um milhar de residentes, havia dificuldade de escoamento dos produtos que lhes sobravam da alimentação própria da família.
As várias centenas de quilómetros que tiveram de percorrer utilizando vários tipos de transporte, desde o burro, comboio a carvão à camioneta de cabine avançada que não se deslocava a mais de 40 km/h, levou dia e meio desde que deixaram os aposentos na terra até se instalarem nos aposentos que os esperavam nos arredores da capital.
A localidade que deixaram tinha cerca de seis centenas de residentes ( foto à nossa direita) na zona onde se instalaram viviam cerca de 10.000 pessoas ( foto à nossa esquerda). A localidade que deixaram, hoje não chega às duas centenas de residentes. A zona onde vive hoje com as suas duas filhas e duas netas tem cerca de 150.000 habitantes.
Joana diz que não se sente mais segura para o futuro das suas filhas e netas, do que se sentiam os seus pais na terra que abandonaram quando ela tinha 1 ano. Já pensa que regressar à terra de origem e recomeçar a cultivar as terras dos antepassados poderia ser mais seguro que viver a trabalhar num organismo que foi criado só para absorver subsídios e que assim que os subsídios acabem, a subsistência dela, das filhas e das netas fica vulnerável.
As filhas, já com filhas mas continuam a coleccionar cursos na faculdade que depois não sabem se lhes servirão para governar vida. Apoiadas no bom controlo da mãe em saber captar subsídios, não se preocuparam muito em começar a ter uma actividade remunerada. Sabem que têm direito a subsídios de jovem para além dos 30 anos. Agora que a era dos subsídios está a ser posta em causa, as filhas já com 25 anos ainda não se aperceberam bem do futuro que as espera ( palavras da mãe) mas a mãe já está bem consciente da situação.
Regressarem de novo à terra, agora já não lhes vai levar tanto tempo a fazer a viagem. Em poucas horas podem completar a deslocação por uma confortável e moderna via ( foto do meio).
A terra de origem não se preocupa com estas quebras e subidas de habitantes. Desde os tempos do Paleolítico que por ali se criam habitantes humanos. Sem duvida que já está habituada a ver partir e a ver regressar gentes nascidas por aquelas bandas. Sabe que quem regressa poderá refazer sempre a sua vida. É uma terra hospitaleira, produz de tudo quanto os seus filhos precisam para viver. Sabe que que muitos que partem, regressam de novo à procura de refazer a sua vida.
A Terra para onde trouxeram e se criou Joana, também não tem menos história. Quando bem no Paleolítico Inferior os humanos se começaram a deslocar pela Europa abaixo seguindo o seu Deus adorado que era o Sol, chegaram à mesma Terra para onde trouxeram Joana, onde a Terra acaba e o Mar começa, aqui se começaram a fixar sedentarizando-se e por aqui foram ficando muitos e desde então para cá, também houve altos e baixos de população residente.
Ainda recentemente (em termos históricos) há dois mil e poucos anos quando os romanos aqui chegaram, encontraram um povo que não se governava nem se deixava governar (sic) que os seus descendentes são os portugueses de hoje.
Por isso, Joana mulher culta que é, não se deixará entrar em parafuso para com ela, mas para com as filhas, talvez já não esteja a tempos de evitar alguns desconfortos.

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