quarta-feira, 13 de julho de 2011

Volta ao Portugal de hoje, de ontem e de amanhã




Tróia, é uma lindíssima língua de terra frente à cidade de Setúbal (como vemos na foto 1ª do nosso lado esquerdo) (clicar nas fotos para ver em tamanho maior) que se estende por cerca de 18 km de comprimento por cerca de 2 km de largura no ponto mais largo.
Como nestas minhas crónicas me preocupa essencialmente as mudanças que Portugal sofreu nos últimos 40 anos, de 1975 a 2015 quando terminará este meu trabalho (como já disse mais vezes) com um livro acompanhado de um DVD com pequenos filmes cirúrgicos de vários pontos do país, vou falar de Tróia desde o dia em que a eu a conheci pessoalmente.
1975, partimos de Lisboa um pequeno grupo de jovens, seis, atraídos pelas facilidades de passar um fim-de-semana numa famosa estância turística, como estávamos desde havia muito tempo habituados a ouvir publicitar. Agora, todas essas condições estavam abertas a todos os cidadãos mesmo pagando pouco.
Deixamos os carros em Setúbal, atravessámos o estuário do Sado no hovercraft onde se notava uma grande afluência de passageiros muito eufóricos para Tróia.
Já na Península e na zona turística por excelência, as boas estruturas lá estavam: bons espaços de restaurantes, de lojas e centros comerciais bem espaçosos mas já não estavam muito bem abastecidos. Os bons hotéis lá estavam mas notava-se que já não tinham o ambiente para o qual foram feitos, estavam em parte vazios.
Depois de termos gozado uma boa manhã de praia, que só nos países tropicais é que era possível saborear uma água daquelas, fomos almoçar e o espaço do restaurante era excelente, empregados para servir já só existiam os mais revolucionários, atendiam-nos a correr e com palavras revolucionárias, pois estávamos no período mais revolucionário do pós-25 de Abril. Muitos dos clientes, se alguma coisa não estava como eles queriam, exigiam severamente gritando alto - então para que foi feito o 25 de Abril?
Passado um ano, o mesmo grupo voltámos lá ao mesmo restaurante e já estava fechado. Toda a zona turística era um deserto. Havia gente nas praias, mas era gente que ia de Lisboa e da região fazer lá praia normalmente.
O nome de Tróia a esta península vem-lhe do tempo dos romanos, porque acharam este espaço de terra parecida com a Tróia grega mítica.
Há vestígios de local privilegiado mesmo de antes dos romanos e os romanos fizeram aqui um grande centro industrial e comercial de conservas de peixe. Acharam que era um dos melhores peixes que encontraram e com abundância, criaram centros de salgamento, conservas e exportação, manteve-se para além da era romana e até fins da idade média. D. Maria I ainda considerou muito esta Península.
A partir do início da 2ª metade do século XX, Tróia voltou à moda e começou de novo o desenvolvimento, mas agora turístico. No início dos anos setenta do mesmo século Tróia era um dos melhores e mais frequentados centros turísticos de Portugal, empregava milhares de pessoas.
Em 1975 quando eu conheci pessoalmente, como já descrevi atrás já estava em queda vertical pelas razões que também descrevi atrás.
Depois, passei por ali algumas vezes durante férias andantes, cheguei a acampar por ali (campismo selvagem) e a partir de 2000 de novo Tróia voltou a ter esperança.
Agora, quem por ali for e tiver conhecido o processo por que passou Tróia nas ultimas décadas nem quer acreditar: Tróia sofreu uma retransformação que só vendo. Agora tem dos melhores Hotéis do mundo, centros de congressos, condições turísticas para todas as carteiras e ali respira-se turismo de qualidade para todas as posses financeiras.
Para além dos espaços de qualidade superior, continua a haver espaços nas praias para turismo popular. Ver as duas ultimas fotos do nosso lado direito.
Assim vai mudando Portugal!...

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