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| Luanda primeira metade da década de 70 |
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| Paisagens por onde Isabel passava em África |
AVENTURA AFRICANA
Extraído do livro do mesmo autor da cronica: Romance em Ficção Inspirado e
Baseado em Casos Reais
Partiram ainda crianças para África. Era o sonho de gerações desde há
centenas de anos.
Continuação da cronica de
13-06-2022.
A colega, era a Nizé Ginga. Tinha
a formação de professora interina. Menos formação académica que Isabel. Não
tinha passado por um Bacharelato. Tinha apenas frequentado um curso de
aperfeiçoamento, daqueles que se tiravam em África, depois completar o 1º
ciclo. Ficavam assim prontas para ensinar oficialmente na primária.
Quando Isabel chegou, já Nizé
tinha alguns anos de ensino. Eram mais ou menos da mesma idade, daí, ter havido
uma certa empatia entre as duas. Tornaram-se mesmo boas amigas e confidentes.
Nizé Ginga, passou a ser a única confidente que Isabel tinha naquelas terras
desconhecidas, que também aproveitava para lhe pedir informações sobre África.
Nizé, era uma jovem africana,
filha de um agricultor, embora tradicional, mas que já produzia em grandes
quantidades produtos agrícolas, ao ponto de abastecer o mercado da Vila e até
forças militares portuguesas por ali estacionadas.
O pai de Nizé, era também um grande
criador de gado. Tinha mesmo capacidade para fazer contratos e assumir
compromissos com o mercado e aquartelamentos militares no fornecimento continuo
de carnes.
À boa maneira africana, o pai de
Nizé como homem de dinheiro, teria que ter várias mulheres. Tinha quatro
mulheres e vinte e dois filhos. Nizé tinha sete irmãos e 14 meios-irmãos.
Nas conversas pessoais entre Nizé
e Isabel, Isabel à boa maneira portuguesa de querer saber e curiosidade, não
deixava de questionar Nizé sobre a poligamia do pai. Não era que Isabel se
sentisse incomodada com tal situação, pois ela já sabia que estava em África,
mas mais por uma questão de curiosidade e entranhar-se na cultura, hábitos e
tradições africanas.
Nizé, jovem madura e com uma boa
cultura africana e também ocidental portuguesa, conhecia muito mais sobre a
cultura ocidental portuguesa do que Isabel sobre cultura africana, toda a
família dela e seus antepassados, sempre se deram bem com portugueses e com
convivência, por isso, ia respondendo de uma forma cautelosa e respeitadora.
Nizé, era agora professora de Isabel nos ensinamentos de cultura africana.
Por vezes, isto irritava Isabel,
sentir-se que estava a ser ensinada por uma sua auxiliar, mas logo lhe vinha à
mente que isso era bom para ela e precisava mesmo daqueles ensinamentos.
Aproveitava-se mesmo de Nizé,
para saber mais sobre a vida do seu próprio marido e de toda a família Rolos e da vida que tinham
levado em África e como teriam enriquecido assim tanto desde que tinham vindo
de Portugal.
Nizé, não sabia pessoalmente bem
isso, mas bastava perguntar ao seu pai e logo teria uma resposta esclarecedora.
O pai de Nizé, conhecia muito bem a história dos Rolos desde que tinham chegado
de Portugal. Nessa altura até mantinham negócios em conjunto.
Isabel ainda não tinha conhecido
bem o seu marido. Já passavam alguns anos que tinham casado, ainda não tinham
filhos. Carlos não mostrava interesse em ter filhos e Isabel continuava na
dúvida qual seria a causa, porque ela gostava e queria ter filhos.
Talvez se conhecesse melhor o
passado do seu marido, pudesse compreender melhor a falta de interesse dele, em
terem filhos.
Via agora em Nizé, alguém que lhe
poderia fornecer alguns esclarecimentos nesse sentido. Porque Isabel
desconfiava de algo que pudesse impedir Carlos de ter filhos.
Nizé Ginga, teria que ter todo o
cuidado em lhe dar esclarecimentos sobre tal situação, já que também
considerava sua amiga Isabel, por quem também já começava a sentir amizade,
respeito e consideração.
Nizé, não era mulher de se ter
metido na vida íntima de homens brancos, tinha a sua cultura africana. Ela
própria tinha um casamento à ocidental, só um marido e a única mulher do seu
marido também africano. Mas sabia que os homens brancos quase todos tinham as
suas amantes na Sanzala, quer fossem solteiros ou casados. Também era uma
cultura de condição africana dos homens brancos. Era aceite no geral. Quase
todas as mulheres europeias, teriam que aceitar esta condição, principalmente
no interior de Angola.
Os homens brancos mesmo casados
com mulheres brancas, bastava estas estar em fim de gravidez ou por outras
razoes quais queres que não pudessem ter relações sexuais, os seus maridos,
muito naturalmente e as mulheres sabiam, iam logo ter com a mulher negra da
sanzala ter relações sexuais com ela.
Quando Isabel a questionava nesse
sentido, Nizé não sabia bem a forma como responder. Sabia que para as mulheres
europeias, era condição que tinham dificuldade em entender e aceitar. E em
Isabel, Nizé notava que seria particularmente difícil aceitar, se não de todo
rejeitada esta condição no seu marido.
Por isso, não era fácil para
Nizé, responder a estas questões que Isabel lhe colocava. Teria que responder,
entre a verdade e a omissão da realidade.
Para poder responder mais
credencialmente a Isabel, Nizé ganhava a coragem de se esclarecer com seu pai
neste sentido, porque sabia que seu pai poderia saber destas coisas de vida
íntima de homens.
O pai de Nizé, o Senhor Caála
Ginga, era homem de respeito e muito considerado na região e toda a sua
família. Quer pelos próprios nativos, quer pelos brancos.
As próprias autoridades
administrativas, militares e policiais portuguesas, tinham-no como homem de
muito respeito e consideração.
Tinha 22 filhos de várias mulheres - e tinha dado formação
académica a todos. Para além de dois ou três que o acompanhavam na agricultura
e na criação de gado, todos os outros tinham ocupação na área do funcionalismo
público e empresarial. Desde na Polícia ao ensino e até com cargos de
importância nas cidades e na Capital. Todos os rapazes filhos do sr. Caála
tinham cumprido o serviço militar no exército português. Ele próprio, tinha uma
boa cultura literária que a tinha adquirido autodidaticamente. Já tinha escrito
um livro em língua local e traduzido para português.
O seu filho sucessor nos negócios
da família, confessou que mudou de religião muçulmana para cristã, só para
poder beber umas cervejas com os amigos, sobretudo quando concretizava bons
negócios com os brancos. Eram uma família de cultura aberta.
Por isso, o Sr. Caála só iria
passar para a filha, informação sobre a vida íntima dos Rolos, coisa que D.
Isabel pudesse saber e não fosse ferir a sua suscetibilidade.
O Sr. Caála, sabia muito bem
aquilo que as mulheres brancas gostavam de saber e o que não podiam saber sobre
os seus maridos. Ali era África e não Europa. Por isso, teriam que se adaptar à
terra de onde viviam.
Mas não raro acontecer – tinha
acontecido uma situação dessas nessa Vila.
Florbela, acabada de casar e
levada para África pelo marido que a tinha ido buscar a Portugal, ao chegar a
África e deparar-se com a vida íntima que o marido levava em África com as
mulheres da Sanzala, e que ele quis manter mesmo já com a mulher a viver junto
dele, a mulher não aguentou e passados
uns meses, regressou a Portugal sozinha.
Nizé, ia contando cuidadosamente
e por partes, a Isabel, aquilo que ia sabendo do seu pai sobre a vida íntima
dos Rolos
De todos os irmãos, Carlos era o
que o Sr. Caála tinha mais consideração. Carlos foi seu colaborador quando
escreveu o seu livro, dando-lhe esclarecimentos sobre a fusão da cultura
portuguesa com a africana.
Por isso, não quereria pôr nada
em causa, ao seu amigo com D. Isabel sua esposa.
Isabel, também tinha conquistado
a simpatia dos africanos. Era muito bem vista e considerada. Ela própria era um
coração bondoso. Sorria e simpatizava com toda a gente. E nada melhor para um
africano e cultura africana, do que ser simpático e de bom coração. Quem isso
demonstrasse, teria a simpatia e proteção daquela gente. Foi o que aconteceu a
Isabel.
Isabel começava agora a saber e
compreender, porquê a falta de interesse natural do seu marido em ter filhos.
Nizé não lhe dizia tudo, mas ela
como boa tradutora, chegava à dedução final, e cada vez estimava mais Nizé, via
que tinha ali a pessoa em quem podia confiar, para sua confidente. Via que Nizé
era de facto uma pessoa de confiança.
Carlos, também tinha vida íntima
nas sanzalas. Seria por isso que não mostrava interesse em ter filhos com
Isabel !...
Mas Isabel também já tinha bebido
um pouco de cultura africana. Já não era aquela mulher branca europeia
completamente fechada que o Sr. Caála pensava que era.
Isabel já tinha pensado muito e
dado muitas voltas à cabeça, era boa observadora de tudo o que se passava à sua
volta, começava a convencer-se que, se queria ter uma vida e família completa
em África, teria que aceitar passar por situações que não imaginou antes de
partir para lá.
Mas agora já lá estava e havia
que se adaptar, se queria ter uma vida como as outras.
Tinha decidido consigo própria,
admitir que o seu marido tivesse filhos de outras mulheres, mas também queria
ter ela própria uma vida com filhos do seu marido.
Passou a lidar com o marido,
nesse sentido. - Mais um mistério se lhe depara! Carlos, chegava ao fim do dia
e estava completamente estafado, passar o dia inteiro para um lado e para outro
atrás de um balcão de comercio a atender as populações africanas, não era
nenhuma pera doce.
Após tomar o seu duche e jantar,
o que queria era descansar, sentar-se cá fora a apanhar o ar fresco da noite,
em cima de uns troncos de árvores trazidos lá do interior da selva africana a
muitas centenas de quilómetros de picadas, pelos tratores e camiões da sua
família, que estavam ali à espera que alguém os levasse para a estação de
comboio mais próxima que ficava a 400 quilómetros, para que este os trouxesse
durante 500 quilómetros para junto de um navio para que este os levasse para a
Europa.
Isabel, puxava por Carlos para
irem circular, queria mostrar-se e mostrar o seu marido. Começava a
ambientar-se a África. Começava a sentir-se de facto em África e distinguir o
cheiro de África, a sentir a realidade de África. Começava a compreender que
África era assim mesmo. Cheia de mistérios e surpresas. Começava a entender que
era mesmo aquilo que lhe estava a acontecer a ela mesma.
Isabel não era uma mulher fraca. Tinha
sido criada nas rudezas do interior de Portugal. Conhecia mais o difícil do que
o fácil. Mas ali tudo era diferente. A realidade era outra. Outras terras,
outras gentes, outras mentalidades, outras culturas, outros ares, logo outras
formas de pensar e de agir. Tudo era visto de uma forma diferente.
Isabel, começava a aperceber-se
da realidade que a rodeava e envolvia.
Os momentos amorosos que em
tempos de namoro tinha imaginado, não estavam a corresponder.
Quando começou a namorar com o
homem que agora era seu marido, via-o como um filho da terra e que na realidade
era, mas saiu de lá ainda pequeno, já estava há duas décadas em África e ele
próprio já se considerava mais um africano do que um português.
Ao chegar a África e conhecer a
realidade, Isabel vê que muita coisa era diferente. Incluindo a forma de pensar
das pessoas que tinham ido de Portugal á muitos anos.
Carlos também gostava de passar
aqueles momentos de prazer com Isabel agarradinha a ele sentados nos trocos das
árvores, mesmo perdoando algumas picadas
dos mosquitos, só para sentir o fresquinho misturado com a brisa africana a
tocar-lhe pelas pernas já morenas e queimadas pelo calor africano, Carlos,
protegido só por uns curtos calções e troco nu, mas Isabel com as suas longas e
bem torneadas pernas ainda timidamente mas que iam perdendo a cor que tinham
trazido da Europa e que agora começavam a querer apanhar a cor de África, gostava de sair à
noite com um vestido curto fresquinho que sempre se imaginou a vestir roupas
curtas para poder mostrar o seu corpo escultural, mas que em Portugal nunca lhe
foi possível sobretudo por não se querer sujeitar às criticas sociais, nesse
tempo ainda era assim, mas agora em África, com o clima propicio e essas
criticas sociais não existiam, já poderia usar as roupas que bem entendesse, e
com o seu vestido rodado e fininho às flores estampadas, que não se importava e
até gostava de sentir o ar fresco misturado com a brisa africana,
levantando-lhe o vestido para melhor poder refrescar as pernas que ela
agradecia ao vento esse trabalho e que ela de vez em quando compunha e ajeitava
o vestido com a mão, - não fosse o marido querer imitar o D. Afonso Henriques
que cascou na sua mulher D. Mafalda, por esta ter levantado o vestido para que
uma onda do mar não lho molhasse, pondo a descoberto os tornozelos dos seus
pés, quando passeavam na praia que
haveria de dar o nome à hoje cidade de Cascais: Dizendo: Senhor meu Rei e meu
esposo, porque me cascais?
E as situações até eram
parecidas:
D. Afonso Henriques, estava
cercado das tropas que tinham acabado de reconquistar Lisboa aos Mouros e foram
para ali, descansar uns dias. Claro que muitos soldados estariam de olhos
postos em D. Mafalda. Era uma jovem loira e linda, acabada de vir do Condado de
Saboia e dificilmente D. Afonso Henriques não sentiria ciúmes.
Carlos em Vila Palma, no meio sertão africano, à noite, enquanto apanhava o fresco acompanhado pela sua linda mulher, que ainda tinha a cor rosada da cara e os cabelos louros talvez geneticamente com uma pitada de sangue celta, encantava quem estava por perto e por muito que teimassem, os militares que por ali descansavam ao fresco bebendo a cerveja que tinham comprado no estabelecimento dos Rolos, que vinham do aquartelamento mais próximo, depois de terem andado dias e noites pela Picada e Mata, não resistiriam a olhar para Isabel, que se apresentava tão linda e tão bela e que era única mulher branca que se passeava naquela avenida àquela hora, fazendo-lhes lembrar as suas mulheres e namoradas que eles tinham deixado no seu Portugal.
Isabel protegia-se nos seus
longos e belos braços que começavam a adquirir a cor de África, nas suas saias
curtas e forma de vestir que ela sempre apreciou muito, que em Portugal não
pode fazer esse gosto ao seu corpo, para além dos tempos que passou nos meios
académicos já mais tolerantes nesse sentido, aí já tinha sentido o prazer de
usar saias pelo meio da coxa.
Agora em África, com boas camadas
de repelente para os mosquitos, podia mostrar as suas belas pernas e sentir a
brisa africana pelo escultural corpo.
Também utilizava todo este
ambiente para fazer um pouco de ciúmes ao marido, talvez assim, ele sentisse
mais interesse em que Isabel tivesse filhos por volta dela.
Carlos já se limitava a ir dando
umas palmadas nos seus braços e nas pernas, matando mosquitos às quantidades.
Durante a noite, a rede que
circundava a cama, deixava-os dormir descansados e protegidos dos mosquitos.
Isabel puxava por Carlos para
irem passear pela Avenida. Carlos com os seus sorrisos fazia-se rogado,
mostrava-se cansado e com vontade de ir para a cama. No dia seguinte, às sete
da manhã, tinha de abrir a loja, pois os clientes nativos que se levantavam ao
romper da aurora, lá estariam logo de manhã e se a loja não abrisse à hora,
logo correriam para a loja do lado.
Quando Carlos se mostrava com
vontade de ir para a cama em vez de irem passear pela avenida deserta
seduzindo-se, só seriam eles a passear por lá, Isabel até ficava contente,
seria uma prova de amor que tinha de Carlos, mas estavam a namorar, não tinham
namorado antes de casar. Estavam a testar-se um ao outro depois de casados.
Mas já passavam alguns anos que
tinham casado e Carlos tinha deixado a vida de solteiro que ele levara durante
vários anos, talvez mais de uma década.
Como era habitual em África, os
jovens ainda na adolescência, iniciavam uma vida sexual completa, com mulheres
nativas, tinha sido o caso de Carlos. Dizia-se que em África havia uma cidade que tinha um canhão de granito em monumento no meio da cidade. Quando passa-se ali uma jovem com 14 anos e virgem, o canhão disparava, Nunca disparou!
Carlos desde muito novo, tinha
feito uma vida sexual plena com mulheres africanas, onde ia dormir a casa delas
quase como se fosse uma vida marital.
Quando assim é, mesmo que não se
queira, existe sempre algum apego de amor. O habituar-se ao cheiro da mulher
africana, ao amor defensivo e captativo.
Ele europeu, tenta manter uma
vida sexual permanente, fazendo os possíveis para não se prender a mulher
africana. É só para passar o tempo e depois, iria casar à terra com a mulher
pura e imaculada. Era assim que muitos europeus pensavam e que até se
transformava numa cultura admissível, mesmo pelas mulheres, quer africanas,
quer europeias a viver em África. Já era uma forma de vida aceitável em África.
A mulher africana, ficaria por
ali por perto, sendo sempre uma protegida, às escondidas da mulher oficial.
Mesmo esta, mais tarde se iria apercebendo da situação, mas no máximo faria
umas zangas de ciúmes, que até enaltecia o orgulho de macho e homem viril dele.
Mas estas situações, aconteciam
naqueles casamentos que eles vinham a Portugal à pressa, casavam com a
camponesa pura e imaculada, mas depois de lá estar e se aperceber de toda
aquela vida, não tinham outra saída se não aguentar, que para algumas era
terrivelmente difícil.
Isabel, era uma pessoa de outra
condição. Mulher culta, conhecedora do mundo. Não tinha viajado muito, mas lia
muito. Enquanto em Portugal e mais após ter concluído o curso, um dos seus
hobbies era ir ao cinema. Assim passava os seus tempos livres durante alguns
anos que exerceu a atividade de docente em Portugal.
Após ter ido para África, já lá
iam alguns anos, as vezes que tinha ido ao cinema, contavam-se pelos dedos que
tinha nas mãos e nem precisava de todos.
Quando Carlos foi esperar Isabel
ao aeroporto de Luanda após casarem - ele tinha partido antes por causa dos
negócios - ficou com ela a passar uns dias na Capital.
No 3º ou 4º dia que passavam na
praia da Barracuda na ponta da Ilha do Farol, pouco mais faziam do que sair da
Pensão onde estavam hospedados. Foram uma ou duas vezes almoçar ao Tamariz.
Isabel avistou ao longe a Ilha do Mussulo, encantou-se com a beleza à distância
da Ilha, pediu a Carlos para lá irem passar umas horas de praia, era facílimo
lá ir, bastava alugar um pequeno barco que os havia ali sempre disponíveis, mas
Carlos não atendeu ao pedido de Isabel e não foram. Carlos só pensava na Loja
que tinha deixado fechada.
Meterem-se no carro e irem para a
praia e fazer o inverso ao fim do dia, para ele já estava a proporcionar uma
excelente lua-de-mel à mulher com quem tinha casado.
Mas para ela, não estava a ser
nada do que tinha imaginado. Embora não estivesse a desgostar desses dias de
praia tropical na quente água de África.
Isabel já tinha feito muita
praia. Era em geral nas águas não muito quentes da praias da costa portuguesa pelo centro litoral do país e
umas mini férias que ia fazendo de vez em quando à Costa da Caparica com as águas
já mais amenas, mas nada que se comparasse com as quentes aguas da Ilha de
Luanda.
Mesmo assim, Isabel estava a
gostar dos momentos que estava a passar. Isabel não era uma mulher muito
exigente.
Carlos, agora de regresso à sua
Vila Palma e já acompanhado pela sua bela esposa, já não lhe levou duas semanas.
Dos oitocentos quilómetros que tinha para
percorrer, 600 já eram estrada asfaltada e os restantes já eram de macadame –
estrada feita em terra batida e com boas pontes.
À medida que os dias iam
passando, Isabel começava a perceber que
começavam as surpresas de África.
No amor, embora nessas práticas
Isabel não fosse uma mulher vivida, mas pela convivência da vida social, algo
lhe dizia que aquele homem não correspondia a um homem da idade dele. Parecia
tímido e demasiado inconsequente.
Mas tudo poderia ser uma questão
de adaptação. Ela tentava pô-lo à vontade. Ele, umas vezes correspondia, outras
não.
Agora que já tinham passado
alguns anos nesta pequena Vila no meio do sertão africano, muita coisa já tinha
pensado, muitas alegrias e tristezas já tinha passado, muitas ilusões e
desilusões já tinham acontecido e Isabel continuava a mesma. »» continua na
próxima publicação »»
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