sexta-feira, 3 de junho de 2022

Volta ao Portugal de hoje, de ontem e de amanhã: Troia: cronica republicada da 1ª publicação em 13-07-2011

 

Volta ao Portugal de hoje, de ontem e de amanhã



Praia de Troia
Turismo em Troia
 


Ilha de Troia


Cronica republicada da 1ª publicada em 13-07-2011, como teve muitas centenas de leitores por cerca de 60 países, republico-a novamente.

Troia, é uma lindíssima língua de terra frente à cidade de Setúbal, ver fotos que pode ampliar clicando, que se estende por cerca de 18 km de comprimento  e cerca de 2 km de largura no ponto mais largo.

Como nestas minhas crónicas me preocupa essencialmente as mudanças que Portugal sofreu nos últimos 50 anos, quando terminará este meu trabalho (como já disse mais vezes) com um livro acompanhado de um DVD com pequenos filmes cirúrgicos de vários pontos do país, hoje vou falar de Troia e particularmente desde o dia em que eu a conheci pessoalmente.

1975, partimos de Lisboa um pequeno grupo de jovens, seis, atraídos pelas facilidades de passar um fim-de-semana numa famosa estância turística, como estávamos desde havia muito tempo habituados a ouvir publicitar. Agora, todas essas condições estavam abertas a todos os cidadãos mesmo pagando pouco.

Deixamos os carros em Setúbal, atravessámos o estuário do Sado no hovercraft onde se notava uma grande afluência de passageiros muito eufóricos para Troia.

Já na Península e na zona turística por excelência, as boas estruturas lá estavam: bons espaços de restaurantes, de lojas e centros comerciais bem espaçosos, mas já não estavam muito bem abastecidos. Os bons hotéis lá estavam, mas notava-se que já não tinham o ambiente para o qual foram feitos, estavam em parte vazios.

Depois de termos gozado uma boa manhã de praia, que só nos países tropicais é que era possível saborear uma água daquelas, fomos almoçar e o espaço do restaurante era excelente, empregados para servir já só existiam os mais revolucionários, atendiam-nos a correr e com palavras revolucionárias, pois estávamos no período mais revolucionário do pós-25 de Abril. Muitos dos clientes, se alguma coisa não estava como eles queriam, exigiam severamente gritando alto - então para que foi feito o 25 de Abril?

Passado um ano, o mesmo grupo voltámos lá ao mesmo restaurante e já estava fechado. Toda a zona turística era um deserto. Havia gente nas praias, mas era gente que ia de Lisboa e da região fazer lá praia normalmente.

O nome de Troia a esta península vem-lhe do tempo dos romanos, porque acharam este espaço de terra parecida com a Troia grega mítica.

Há vestígios de local privilegiado mesmo de antes dos romanos e os romanos fizeram aqui um grande centro industrial e comercial de conservas de peixe. Acharam que era um dos melhores peixes que encontraram e com abundância, criaram centros de salgamento, conservas e exportação, manteve-se para além da era romana e até fins da idade média. D. Maria I ainda considerou muito esta Península.

A partir do início da 2ª metade do século XX, Troia voltou à moda e começou de novo o desenvolvimento, mas agora turístico. No início dos anos setenta do mesmo século Troia era um dos melhores e mais frequentados centros turísticos de Portugal, empregava milhares de pessoas.

Em 1975 quando eu conheci pessoalmente, como já descrevi atrás, já estava em queda vertical pelas razões que também descrevi atrás.

Depois, passei por ali algumas vezes durante férias andantes, cheguei a acampar por ali (campismo selvagem) e a partir de 2000 de novo Troia voltou a ter esperança.

Agora, quem por ali for e tiver conhecido o processo por que passou Troia nas últimas décadas nem quer acreditar: Troia sofreu uma transformação que só vendo. Agora tem dos melhores Hotéis do mundo, centros de congressos, condições turísticas para todas as carteiras e ali respira-se turismo de qualidade para todas as posses financeiras.

Para além dos espaços de qualidade superior, continua a haver espaços nas praias para turismo popular. Ver as duas ultimas fotos do nosso lado direito.

Assim vai mudando Portugal!...

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